A fintech brasileira PicPay concluiu na noite de quarta-feira (28) sua oferta pública inicial de ações em Nova York, levantando US$ 435 milhões no lote base da operação. A informação foi divulgada pelo O Estado de S. Paulo, que acompanhou os detalhes da abertura de capital.
O preço da ação foi fixado em US$ 19, no topo da faixa indicativa apresentada aos investidores, que variava entre US$ 16 e US$ 19. A decisão reflete a forte demanda pelos papéis da companhia, mesmo em um cenário global mais seletivo para ofertas de empresas de tecnologia.
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Captação pode chegar a US$ 500 milhões com lote suplementar
Além do lote base, a operação inclui um lote suplementar de ações, que, segundo fontes de mercado, deve ser integralmente exercido. Com isso, a captação total do IPO do PicPay pode alcançar US$ 500 milhões.
Esse tipo de mecanismo é comum em grandes ofertas e costuma ser acionado quando a procura supera de forma relevante a quantidade inicial de ações ofertadas, permitindo que a empresa e os acionistas vendedores ampliem o volume captado.
Demanda supera oferta em mais de 12 vezes
Um dos pontos que mais chamou atenção do mercado foi o apetite dos investidores. A demanda pelos papéis do PicPay superou em mais de 12 vezes a oferta, somando cerca de US$ 6 bilhões em pedidos.
O livro de ordens contou com mais de 200 grandes investidores institucionais, incluindo fundos globais especializados em tecnologia, fintechs e mercados emergentes. Também houve participação relevante de investidores brasileiros, reforçando o interesse doméstico pela empresa.
Avaliação de mercado e estreia na Nasdaq
Com a conclusão do IPO, o PicPay estreia nesta quinta-feira (29) na Nasdaq avaliado em aproximadamente US$ 2,6 bilhões. A listagem em uma das principais bolsas de tecnologia do mundo coloca a fintech brasileira no radar de investidores globais e amplia sua visibilidade internacional.
A operação marca um momento simbólico para o mercado de capitais brasileiro, que vinha enfrentando um período prolongado sem grandes estreias internacionais.
Primeiro IPO brasileiro em Nova York desde o Nubank
A abertura de capital do PicPay é o primeiro IPO de uma empresa brasileira em Nova York desde a listagem do Nubank, realizada em dezembro de 2021. Desde então, o ambiente de juros altos e maior aversão ao risco afastou companhias latino-americanas das bolsas americanas.
Nesse contexto, o sucesso da operação do PicPay é visto por analistas como um sinal de reabertura gradual do mercado para empresas brasileiras bem posicionadas, com modelo de negócio escalável e base relevante de clientes.
Quem controla o PicPay e quais os próximos passos
O PicPay é controlado pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, empresários conhecidos por sua atuação em diferentes setores da economia brasileira. A fintech ganhou escala nos últimos anos ao combinar serviços de pagamentos, carteira digital, crédito e marketplace financeiro.
Com os recursos levantados no IPO, a expectativa do mercado é que a empresa acelere investimentos em tecnologia, amplie sua oferta de produtos financeiros e fortaleça sua posição competitiva tanto no Brasil quanto em outros mercados estratégicos.
Impactos para o mercado financeiro brasileiro
A estreia bem-sucedida do PicPay em Nova York tende a gerar efeitos positivos para o ecossistema de fintechs no Brasil. Além de servir como referência de valuation, a operação pode estimular outras empresas a retomarem planos de abertura de capital, seja no exterior ou na B3, quando as condições de mercado se mostrarem mais favoráveis.
Para investidores brasileiros, o IPO reforça a percepção de que empresas de tecnologia financeira nacionais continuam atraindo interesse global, mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
