O Brasil manteve resultados praticamente estáveis no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2025, mas continua abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três áreas avaliadas: matemática, leitura e ciências.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela OCDE e mostram que o país alcançou 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências. Embora o desempenho ainda esteja distante dos países desenvolvidos, a situação brasileira melhorou quando comparada ao cenário de duas décadas atrás.
A edição de 2025 também trouxe novidades, como a avaliação de habilidades digitais e a análise do uso de celulares nas escolas. Os resultados ajudam a revelar não apenas o nível de aprendizagem dos estudantes, mas também alguns dos principais desafios enfrentados pela educação brasileira.
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Como foi o desempenho do Brasil no Pisa 2025?

O Brasil ficou abaixo da média da OCDE nas três áreas principais do exame.
| Área | Brasil | Média da OCDE | Diferença |
|---|---|---|---|
| Matemática | 377 | 463 | 86 pontos |
| Leitura | 408 | 461 | 53 pontos |
| Ciências | 409 | 482 | 73 pontos |
A maior distância aparece em matemática, área em que os estudantes brasileiros ficaram 86 pontos abaixo da média dos países da OCDE.
Em leitura, a diferença foi de 53 pontos. Já em ciências, o país registrou 409 pontos, resultado que ganhou atenção porque essa foi a área de maior destaque na edição de 2025.
O Pisa não mede apenas a capacidade de memorizar conteúdos. A avaliação procura verificar se os estudantes conseguem utilizar seus conhecimentos para interpretar situações e solucionar problemas do cotidiano.
Brasil melhorou ou piorou em relação ao Pisa anterior?
Na comparação direta com 2022, o desempenho brasileiro ficou praticamente estável nas três disciplinas.
A estabilidade, porém, precisa ser analisada com cuidado. O Brasil não apresentou um salto significativo de desempenho, mas também não acompanhou algumas das quedas observadas na média dos países da OCDE.
O cenário internacional continua preocupante. A média da OCDE caiu em matemática e leitura, mostrando que as dificuldades educacionais não são exclusivas do Brasil e que os efeitos provocados pela pandemia se somaram a problemas que já existiam antes da crise sanitária.
A distância para os países da OCDE diminuiu?
Sim. Quando a comparação é feita com ciclos anteriores, a distância entre o Brasil e a média dos países da OCDE diminuiu.
Em 2006, o país apresentava uma diferença muito maior em relação aos países da organização. Desde então, houve avanços graduais, principalmente quando se considera o período de quase duas décadas.
Isso não significa que o Brasil tenha alcançado um desempenho elevado. A redução da distância ocorreu porque o país avançou em determinados períodos e porque os resultados médios da OCDE também passaram por mudanças.
O retrato de 2025, portanto, é de progresso de longo prazo, mas ainda com um grande déficit de aprendizagem.
Matemática continua sendo o principal desafio
Entre as três disciplinas, matemática apresenta o quadro mais preocupante.
Os 377 pontos obtidos pelo Brasil indicam dificuldades dos estudantes em competências necessárias para interpretar informações, desenvolver raciocínios matemáticos e aplicar conceitos na resolução de problemas.
Essa dificuldade pode ter consequências que vão além da escola. O domínio da matemática está relacionado a atividades comuns da vida adulta, como compreender dados, administrar dinheiro, interpretar gráficos e tomar decisões baseadas em informações quantitativas.
O resultado também chama atenção porque a matemática é uma das áreas fundamentais para a continuidade dos estudos e para diversas profissões que exigem conhecimentos técnicos.
Ciências foi a área de maior evolução entre 2022 e 2025
Ciências foi o destaque positivo da edição brasileira.
O país passou de 403 pontos em 2022 para 409 pontos em 2025. A evolução foi pequena, mas ocorreu justamente na área que recebeu maior peso na avaliação deste ciclo.
O Pisa 2025 procurou verificar se os estudantes conseguem utilizar conhecimentos científicos para compreender fenômenos, analisar evidências e tomar decisões relacionadas a questões do mundo real.
Mesmo com a melhora, o Brasil continua distante da média da OCDE, que ficou em 482 pontos.
Quantos estudantes participaram da avaliação?
O Pisa 2025 envolveu cerca de 760 mil estudantes de 91 países e economias.
No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas, representando aproximadamente 2,18 milhões de jovens de 15 anos.
A maior parte dos participantes brasileiros estudava na rede estadual. Cerca de 84,7% estavam matriculados na primeira ou segunda série do Ensino Médio quando realizaram as provas, aplicadas entre abril e maio de 2025.
Como o Pisa é uma avaliação amostral, os resultados não significam que todos os estudantes brasileiros de 15 anos tenham realizado o exame.
O Pisa 2025 avaliou habilidades digitais
Uma das novidades desta edição foi a criação do domínio Aprendizagem no Mundo Digital.
Dentro dele, a OCDE avaliou a capacidade dos estudantes de resolver problemas utilizando ferramentas computacionais. A proposta é entender se os jovens conseguem utilizar recursos digitais de maneira eficiente para pensar, aprender e solucionar situações.
Nesse quesito, o Brasil alcançou 406 pontos, enquanto a média da OCDE foi de 500.
A Coreia do Sul teve o melhor resultado entre os 19 países e economias selecionados para essa avaliação, com 538 pontos. O Paraguai ficou na outra ponta, com 352.
A OCDE ainda divulgará posteriormente os resultados relacionados aos processos de aprendizagem autorregulada em ambientes digitais.
O uso de celulares nas escolas mudou
O Pisa 2025 também investigou o uso de celulares no ambiente escolar.
No Brasil, 81% dos estudantes afirmaram estudar em escolas que possuem restrições ao uso desses dispositivos. Em 2022, esse percentual era de 37%.
O número brasileiro também ficou acima da média da OCDE, de 49%.
A mudança ocorre depois da aprovação da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de aparelhos eletrônicos pessoais durante aulas, recreios e intervalos na educação básica.
A legislação, entretanto, não estabelece uma proibição absoluta. Existem exceções para situações como acessibilidade, inclusão, saúde e atividades pedagógicas autorizadas.
Estudantes que valorizam a escola apresentam desempenho melhor
Os resultados também revelam uma relação entre a percepção dos estudantes sobre a escola e seu desempenho.
No Brasil, os jovens que reconhecem a importância da educação e não consideram a escola uma perda de tempo obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências do que os colegas.
A diferença supera a observada na média da OCDE, de 27 pontos.
Outro dado chama atenção: em 2025, caiu para 16% a parcela de estudantes brasileiros que considerava a escola uma perda de tempo. Em 2022, o percentual era maior.
Os dados sugerem que o vínculo do estudante com a escola pode estar associado ao desempenho acadêmico.
Jovens brasileiros demonstram preocupação com o meio ambiente
O Pisa também avaliou atitudes relacionadas às questões ambientais.
No Brasil, 84% dos estudantes disseram acreditar que podem produzir impactos positivos para o meio ambiente. Além disso, 87% demonstraram confiança na ação coletiva para enfrentar desafios ambientais.
Outro indicador mostra que 77% afirmaram saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas.
Os percentuais ficaram acima das médias observadas pela OCDE em diferentes indicadores relacionados ao engajamento ambiental.
Isso mostra que os resultados do Pisa não se limitam às notas das disciplinas tradicionais. A avaliação também procura entender como os jovens se relacionam com desafios que vão além do ambiente escolar.
A pandemia explica os resultados brasileiros?
A pandemia teve impacto sobre a educação, mas não explica sozinha o desempenho atual.
As escolas ficaram fechadas por períodos prolongados, estudantes perderam tempo de aprendizagem e as desigualdades de acesso a recursos educacionais ficaram mais evidentes.
No entanto, a própria OCDE aponta que a queda no desempenho educacional de diversos países começou antes da covid-19.
No Brasil, os resultados relativamente estáveis ao longo dos últimos ciclos indicam que existem problemas estruturais que precisam ser enfrentados independentemente dos efeitos da pandemia.
O que os resultados do Pisa revelam sobre a educação brasileira?
O resultado de 2025 mostra uma educação brasileira marcada por dois movimentos diferentes.
De um lado, o país conseguiu reduzir parte da distância que existia em relação à OCDE e resistiu relativamente bem às turbulências provocadas pela pandemia. De outro, o desempenho atual continua baixo e a evolução dos últimos anos não foi suficiente para colocar o Brasil próximo dos países com melhores resultados.
A matemática aparece como o principal ponto de atenção, enquanto ciências apresentou uma pequena recuperação.
Também chama atenção a influência das condições socioeconômicas sobre a aprendizagem. Estudantes de diferentes origens não partem das mesmas condições, e a desigualdade continua sendo um dos grandes obstáculos para melhorar os resultados nacionais.
O que precisa ser feito para melhorar a aprendizagem?
Os resultados do Pisa não apontam para uma única solução.
A melhoria depende de um conjunto de políticas envolvendo formação e valorização de professores, qualidade do ensino, infraestrutura, gestão escolar, redução das desigualdades e acompanhamento individual dos estudantes.
Também será necessário encontrar um equilíbrio no uso da tecnologia.
Celulares, computadores e ferramentas de inteligência artificial podem contribuir para a aprendizagem quando utilizados de maneira planejada. Ao mesmo tempo, o uso inadequado pode aumentar distrações e dificultar a concentração.
O desafio para as escolas será aproveitar os recursos digitais sem permitir que eles substituam o desenvolvimento do raciocínio, da leitura e da capacidade de resolver problemas.
O que é o Pisa?
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) é uma avaliação coordenada pela OCDE e realizada, normalmente, a cada três anos.
O exame é aplicado a estudantes de aproximadamente 15 anos e procura avaliar se eles conseguem utilizar conhecimentos e habilidades em situações práticas.
As principais áreas são matemática, leitura e ciências. A cada edição, uma delas recebe maior atenção. Em 2025, ciências foi o domínio principal.
O Brasil participa do Pisa desde 2000 e esteve presente em todos os ciclos realizados desde então. A aplicação nacional é coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação.
O que acontece agora?

Os resultados do Pisa 2025 devem servir como referência para a formulação e avaliação de políticas educacionais nos próximos anos.
Para o Brasil, o principal desafio é transformar a estabilidade observada nos últimos ciclos em uma trajetória consistente de crescimento, especialmente em matemática e leitura.
A posição no ranking internacional é apenas uma parte da história. Mais importante é entender quantos estudantes estão conseguindo desenvolver competências básicas e quais grupos continuam ficando para trás.
O Pisa 2025 mostra que houve avanços desde o início da participação brasileira no programa, mas também deixa claro que a distância para os países da OCDE ainda é grande e que a melhora da aprendizagem continua sendo um desafio de longo prazo.
Conclusão
O Pisa 2025 mostra que o Brasil conseguiu manter seu desempenho educacional em um período de fortes desafios, mas ainda enfrenta uma distância significativa em relação à média da OCDE. Matemática continua sendo o principal ponto de atenção, enquanto ciências apresentou uma recuperação em relação a 2022.
Mais do que avançar posições em um ranking, o desafio brasileiro é transformar essa estabilidade em melhora consistente da aprendizagem. Para isso, reduzir desigualdades, fortalecer as escolas e preparar estudantes e professores para um ambiente cada vez mais digital serão passos decisivos nos próximos anos.
