O pagamento de compras pela internet com Pix deve ganhar um novo formato nos próximos meses. A Getnet, empresa de tecnologia para meios de pagamento do grupo Santander, e a Mastercard anunciaram uma solução que permite concluir pagamentos utilizando biometria — como reconhecimento facial, impressão digital ou PIN do dispositivo — sem precisar abrir o aplicativo do banco durante a compra.
A novidade representa mais um passo na evolução do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central em 2020 e que já se consolidou como um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros. A proposta é reduzir etapas durante a finalização das compras em lojas virtuais, tornando o processo mais rápido e mantendo os padrões de segurança exigidos pelo sistema financeiro.
Neste artigo, você entenderá como funciona o Pix por biometria, quais tecnologias estão envolvidas, quem poderá utilizar a novidade, quais são os benefícios para consumidores e empresas e quais desafios ainda precisam ser superados para a adoção em larga escala.
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O que é o Pix por biometria?

O Pix por biometria é uma nova forma de autenticar pagamentos utilizando características únicas do usuário, como:
- reconhecimento facial;
- impressão digital;
- autenticação pelo PIN do aparelho.
Na prática, o consumidor não precisa interromper a compra para acessar o aplicativo do banco, localizar a transação e autorizá-la manualmente.
A autenticação acontece diretamente no ambiente do e-commerce, utilizando a infraestrutura do Open Finance para validar a identidade do usuário e autorizar a transferência de forma segura.
Como funciona a nova solução da Getnet e Mastercard?
A tecnologia anunciada integra três componentes principais:
Open Finance
O Open Finance permite que instituições financeiras compartilhem dados e iniciem pagamentos mediante autorização do cliente.
Nesse modelo, a loja virtual pode iniciar a transação diretamente com a instituição financeira do comprador, desde que exista consentimento prévio.
Biometria do dispositivo
No momento do pagamento, o consumidor apenas confirma sua identidade utilizando o método de autenticação já disponível em seu celular ou computador, como Face ID, impressão digital ou outro mecanismo biométrico compatível.
Conclusão da compra sem trocar de aplicativo
Hoje, muitas compras realizadas por Pix exigem que o cliente:
- abra o aplicativo do banco;
- encontre a transação;
- confirme o pagamento;
- retorne ao site da compra.
Com a nova solução, esse fluxo é simplificado. A confirmação acontece dentro do próprio ambiente da loja virtual, reduzindo etapas e diminuindo o risco de abandono da compra.
Qual é a diferença em relação ao Pix tradicional?
O Pix convencional continua funcionando normalmente.
A principal mudança está na experiência do usuário.
Pix tradicional
Normalmente exige:
- leitura de QR Code;
- cópia e cola da chave Pix;
- confirmação dentro do aplicativo bancário.
Pix por biometria
Permite:
- autenticação com reconhecimento facial ou digital;
- pagamento realizado sem sair do site da compra;
- menos etapas até a conclusão da transação.
O dinheiro continua sendo transferido pelo sistema Pix do Banco Central. A diferença está apenas na forma como a autorização é realizada.
Quais são os benefícios para consumidores?
A expectativa é que a nova modalidade traga diversas vantagens.
Mais rapidez
A redução de etapas torna a conclusão da compra praticamente imediata.
Melhor experiência de compra
Quanto menos interrupções durante o checkout, menores tendem a ser as taxas de desistência antes da finalização do pagamento.
Segurança adicional
A biometria dificulta tentativas de fraude, pois depende da autenticação do próprio usuário no dispositivo autorizado.
Mesmo assim, especialistas lembram que a biometria não elimina golpes de engenharia social. Se uma pessoa for induzida a autorizar uma transação fraudulenta, o reconhecimento facial ou a impressão digital poderão validar a operação. Por isso, continuam sendo essenciais cuidados com links suspeitos, contatos falsos e pedidos inesperados de pagamento.
Como as empresas podem ser beneficiadas?
Para os lojistas, a expectativa é reduzir um dos maiores desafios do comércio eletrônico: o abandono de carrinho.
Quando o consumidor precisa interromper a compra para abrir outro aplicativo, parte das transações acaba não sendo concluída.
Com menos etapas no processo, a tendência é aumentar a conversão das vendas e oferecer uma experiência semelhante à dos pagamentos por cartão armazenado em carteiras digitais.
Além disso, o Pix mantém características já conhecidas pelos comerciantes, como liquidação rápida e confirmação quase imediata das transações.
A tecnologia substitui cartões de crédito?
Não.
A nova solução amplia as opções de pagamento disponíveis no comércio eletrônico.
Cartões de crédito continuam oferecendo vantagens específicas, como parcelamento, programas de recompensas e benefícios vinculados às bandeiras.
Já o Pix se destaca pela liquidação instantânea, disponibilidade 24 horas por dia e custos reduzidos para muitos estabelecimentos.
Na prática, os dois meios de pagamento devem continuar coexistindo.
Quem poderá utilizar a novidade?
A solução foi anunciada inicialmente para operações de comércio eletrônico integradas à plataforma da Getnet e utilizando a infraestrutura desenvolvida em parceria com a Mastercard.
A disponibilidade dependerá da integração dos lojistas, da compatibilidade das instituições financeiras participantes e da adoção gradual do serviço pelo mercado.
O papel do Open Finance na nova modalidade
O Open Finance vem permitindo a criação de novos modelos de pagamento ao conectar bancos, fintechs e instituições autorizadas.
Com o consentimento do cliente, torna-se possível iniciar pagamentos diretamente durante uma compra online, sem depender exclusivamente do aplicativo bancário.
Essa integração tem impulsionado soluções que buscam tornar o checkout mais simples, mantendo os requisitos de autenticação e segurança estabelecidos pela regulamentação brasileira.
Existem riscos?
Toda tecnologia de pagamento exige cuidados.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- proteção do aparelho celular;
- uso de senhas fortes;
- autenticação biométrica ativada;
- atenção a tentativas de phishing;
- confirmação de que o site da compra é legítimo.
Também é recomendável manter o sistema operacional atualizado e evitar autorizar pagamentos solicitados por terceiros sem verificar a origem da solicitação.
O que esperar dos próximos meses?

O anúncio da parceria entre Getnet e Mastercard sinaliza uma tendência de evolução do Pix para experiências cada vez mais integradas ao comércio eletrônico.
Assim como ocorreu com o Pix por aproximação, a adoção tende a ocorrer de forma gradual, conforme bancos, empresas e plataformas de pagamento implementem a tecnologia em seus sistemas.
Conclusão
O Pix por biometria representa mais um avanço na modernização dos pagamentos digitais no Brasil. Ao permitir que o consumidor conclua compras online utilizando reconhecimento facial, impressão digital ou PIN, sem precisar alternar entre aplicativos, a tecnologia promete tornar o processo mais rápido e conveniente.
Embora a solução mantenha as camadas de segurança proporcionadas pelo Open Finance e pela autenticação biométrica, ela não elimina totalmente os riscos de golpes baseados em engenharia social. Por isso, a combinação entre inovação tecnológica e boas práticas de segurança continuará sendo fundamental para consumidores e empresas.
