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Pix na Europa? Integração pode baratear envios e acelerar transferências internacionais

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 7 min de leitura
Pix

O Pix poderá ganhar uma conexão com o sistema de pagamentos instantâneos da União Europeia. O projeto está sendo avaliado pelo Banco Central do Brasil (BC) e pelo Banco Central Europeu (BCE) e tem como objetivo facilitar transferências internacionais entre brasileiros e europeus.

A proposta prevê a integração do Pix ao Target Instant Payment Settlement (TIPS), infraestrutura europeia utilizada para a liquidação de pagamentos instantâneos em euros. A expectativa é tornar as operações internacionais mais rápidas, baratas e transparentes.

A fase de avaliação da possível conexão já começou, mas ainda não existe uma data para que o sistema entre em funcionamento.

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Como funcionaria a conexão entre Pix e TIPS?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A ideia é permitir que os dois sistemas de pagamentos instantâneos consigam se comunicar.

Em um exemplo apresentado pelo BCE, um banco ou provedor de pagamentos na Europa enviaria uma ordem ao TIPS. A infraestrutura europeia encaminharia a instrução ao Pix no Brasil, que faria o direcionamento para o banco ou provedor responsável pelo destinatário.

Na prática, a operação continuaria contando com a participação de instituições financeiras e empresas de pagamento nos dois países.

A integração entre as infraestruturas dos bancos centrais não significa que os bancos deixariam de participar das transações. Eles continuariam responsáveis por etapas importantes da operação, especialmente no atendimento ao cliente e na entrega final do dinheiro.

Por que o BCE quer integrar o sistema europeu ao Pix?

Um dos principais objetivos é reduzir as dificuldades e os custos dos pagamentos internacionais.

Transferências entre países podem envolver diferentes instituições, sistemas de liquidação, moedas e exigências regulatórias. Em determinados corredores internacionais, esse processo pode ser mais demorado e caro.

Segundo Marco Massarenti, consultor de pagamentos do BCE, tarifas de remessas e pagamentos internacionais envolvendo moedas menos utilizadas podem chegar a 10% ou mais.

A intenção da autoridade europeia é trabalhar para reduzir esse custo para menos de 3%.

A iniciativa também está relacionada ao roteiro do G20 para melhorar os pagamentos transfronteiriços, com foco em velocidade, custos e transparência.

Brasileiros já podem usar Pix na Europa?

Sim, mas a utilização atual ocorre por meio de arranjos privados.

Algumas empresas e instituições financeiras oferecem soluções que permitem ao brasileiro pagar com Pix em determinados estabelecimentos europeus. Essas operações dependem de parcerias entre bancos, instituições de pagamento e intermediadoras.

A proposta discutida pelo BC e pelo BCE seria diferente porque envolveria uma conexão entre as próprias infraestruturas públicas de pagamentos instantâneos.

Isso, porém, não eliminaria os bancos e provedores privados.

De acordo com o BCE, as instituições financeiras continuariam necessárias para levar a transação até a etapa final.

O Pix internacional ficaria mais barato?

A redução dos custos é um dos objetivos do projeto, mas isso não significa que todas as transferências internacionais feitas pelo Pix seriam gratuitas ou teriam uma tarifa fixa.

A infraestrutura compartilhada poderá reduzir custos operacionais, mas as tarifas cobradas do consumidor continuarão dependendo das instituições envolvidas.

Os bancos e provedores de pagamento deverão definir suas próprias condições comerciais, incluindo eventuais taxas cobradas dos clientes.

Por isso, uma eventual conexão entre Pix e TIPS poderá diminuir determinados custos, mas não permite afirmar, neste momento, quanto o consumidor pagaria por cada operação.

Quanto tempo levaria uma transferência entre Brasil e Europa?

Outro objetivo é reduzir o tempo necessário para concluir pagamentos internacionais.

Atualmente, transferências entre países podem passar por diversas etapas e, dependendo da operação, levar dias até que o dinheiro esteja disponível para o destinatário.

A conexão entre sistemas instantâneos pretende simplificar esse processo e aproximá-lo da velocidade observada nos pagamentos domésticos.

Ainda assim, não é possível garantir que todas as transferências serão instantâneas. O tempo final dependerá da forma como a infraestrutura será implementada e das instituições participantes.

O que precisa ser analisado antes da conexão?

A integração envolve questões técnicas, jurídicas e comerciais.

Brasil e União Europeia precisam verificar, por exemplo, se os sistemas utilizam mensagens compatíveis, como as ordens de pagamento serão encaminhadas e como ocorrerá a liquidação definitiva das transações.

Também estão sendo avaliadas questões relacionadas à segurança e à confiabilidade das operações.

Na Europa, a proteção de dados é outro ponto que precisa ser considerado antes da implementação.

Por isso, a criação de uma conexão entre Pix e TIPS não depende apenas de uma mudança tecnológica. É necessário estabelecer regras que permitam que os dois sistemas funcionem de maneira segura e compatível.

Quando o Pix poderá ser conectado ao sistema europeu?

Ainda não há uma data definida.

O projeto está na fase de avaliação de viabilidade. Depois dessa etapa, caso a conexão seja considerada possível, ainda será necessário desenvolver e implementar as mudanças tecnológicas necessárias.

Segundo Massarenti, avaliações desse tipo podem levar um ano ou mais, dependendo da complexidade do corredor de pagamentos analisado.

Isso significa que a possibilidade de uma conexão entre Pix e TIPS não representa uma mudança imediata para quem utiliza o sistema no Brasil.

Brasil é o único país negociando uma conexão com o BCE?

Não.

O Banco Central Europeu também avalia conexões com outras infraestruturas de pagamentos internacionais.

Entre elas está a Unified Payments Interface (UPI), sistema de pagamentos instantâneos da Índia. O BCE também analisa possibilidades envolvendo o sistema suíço e o Nexus Global Payments.

A estratégia faz parte de uma tentativa de ampliar a interoperabilidade entre sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países.

O que pode mudar para os brasileiros?

Se o projeto avançar, brasileiros poderão ter uma alternativa mais integrada para realizar determinadas transferências e pagamentos entre o Brasil e países europeus.

A principal mudança potencial seria a redução de etapas intermediárias, com operações mais rápidas e uma infraestrutura capaz de conectar diretamente os sistemas de pagamentos instantâneos.

Também existe a possibilidade de redução de custos, embora as tarifas finais continuem dependendo dos bancos e provedores envolvidos.

A conexão, portanto, não significa que o Pix passará a funcionar na Europa exatamente como funciona no Brasil. As operações continuarão sujeitas às regras, moedas e instituições participantes de cada país.

O que acontece agora?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Por enquanto, o projeto permanece em fase de avaliação.

O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu precisam analisar a compatibilidade dos sistemas, as questões jurídicas, os mecanismos de segurança e o modelo de funcionamento da conexão.

Somente depois dessa etapa será possível avançar para a implementação tecnológica.

Para o consumidor, a eventual integração ainda está no futuro. Caso seja concretizada, poderá criar um novo corredor de pagamentos entre Brasil e Europa e facilitar operações que atualmente dependem de estruturas privadas e de diferentes intermediários.

Conclusão

A possível conexão entre o Pix e o sistema de pagamentos instantâneos da Europa pode mudar a forma como brasileiros realizam transferências internacionais. A integração pretende reduzir etapas, custos e o tempo necessário para movimentar dinheiro entre os dois mercados.

Por enquanto, porém, a iniciativa ainda está em fase de avaliação e não há previsão para o início das operações. Antes de chegar ao consumidor, será necessário concluir as análises técnicas, jurídicas e de segurança e, posteriormente, desenvolver a infraestrutura necessária.

Se o projeto avançar, o Brasil poderá integrar o Pix a uma rede internacional de sistemas de pagamentos instantâneos, ampliando as alternativas para quem precisa enviar ou receber dinheiro entre o país e a Europa.

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