A forma como os brasileiros pagam compras, contas e serviços está mudando rapidamente. Impulsionado pela digitalização financeira e pela popularização de aplicativos bancários, o sistema de pagamentos no país passa por uma transformação profunda.
Pix domina mercado, mas segurança segue no radar
Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra avanço do Pix no país, mas revela que medo de golpes ainda preocupa consumidores.
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, mostra que o Brasil vive atualmente a fase chamada de “Agilidade com Medo”. O conceito descreve um cenário em que os consumidores adotam tecnologias digitais cada vez mais rápidas, mas ainda demonstram forte preocupação com segurança e golpes financeiros.
O grande protagonista dessa mudança é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, que já se consolidou como o principal meio de pagamento do país.
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Pix se consolida como principal forma de pagamento
O Pix, lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, revolucionou o sistema financeiro brasileiro ao permitir transferências e pagamentos em poucos segundos, disponíveis 24 horas por dia.
Segundo a pesquisa da CNDL e SPC Brasil, cerca de 80% dos consumidores brasileiros já utilizam o Pix como principal meio de pagamento no dia a dia.
O avanço ocorre em diferentes situações de consumo:
Compras em lojas físicas
Nas lojas físicas, o Pix já é utilizado prioritariamente por 41% dos consumidores, representando crescimento de 8 pontos percentuais em relação a 2025.
Essa expansão ocorre principalmente por fatores como:
- rapidez no pagamento
- ausência de taxas para o consumidor
- facilidade de uso pelo celular
- ampla aceitação no comércio
Para pequenos comerciantes, o sistema também reduz custos operacionais, já que elimina taxas de adquirentes presentes em cartões tradicionais.
Compras online
No comércio eletrônico, o avanço do Pix é ainda mais significativo.
A pesquisa aponta que 55% dos consumidores utilizam o Pix como principal forma de pagamento em compras online, também com crescimento de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Esse crescimento é impulsionado por dois fatores principais:
- confirmação imediata do pagamento
- redução do risco de cancelamento de compras
No e-commerce, o Pix também tem sido utilizado como alternativa ao boleto bancário, que pode levar até dois dias úteis para compensação.
Pagamento de contas de consumo
O domínio do Pix é ainda mais evidente no pagamento de contas de serviços.
Segundo o levantamento, 66% dos consumidores utilizam o Pix para pagar contas como:
- água
- energia elétrica
- internet
- telefone
- mensalidades
Esse número representa crescimento de 14 pontos percentuais em relação a 2025, demonstrando a rápida substituição de métodos tradicionais como boletos e transferências bancárias.
Rapidez e praticidade explicam popularidade do Pix
Entre os usuários do sistema, 69% apontam rapidez e praticidade como os principais motivos para utilizar o Pix.
Além da transferência instantânea, o ecossistema do Pix vem ganhando novas funcionalidades que ampliam seu uso no cotidiano financeiro.
Entre elas estão:
Pix parcelado
O chamado Pix parcelado permite que consumidores realizem pagamentos imediatos enquanto parcelam o valor junto ao banco ou instituição financeira.
Segundo a pesquisa, 38% dos entrevistados já utilizaram essa modalidade.
Essa funcionalidade aproxima o Pix da lógica dos cartões de crédito, ampliando sua competitividade no varejo.
Agendamento de pagamentos
Outra funcionalidade crescente é o agendamento de transferências.
Cerca de 36% dos consumidores já utilizam o Pix para programar pagamentos futuros, o que facilita o controle financeiro de contas e compromissos.
Esse recurso é utilizado principalmente para:
- pagamento de aluguel
- mensalidades escolares
- contas recorrentes
Brasil tem alto nível de bancarização
A pesquisa também revela que o Brasil possui hoje um elevado grau de inclusão financeira.
De acordo com os dados, 97% dos entrevistados possuem conta bancária.
Entre os modelos de relacionamento com instituições financeiras, predominam três formatos:
Modelo híbrido
O modelo mais comum no país é o híbrido, que combina serviços digitais e presenciais.
Ele é utilizado por 55% da população, que utiliza aplicativos bancários, mas ainda mantém relacionamento com agências físicas.
Contas exclusivamente digitais
As contas totalmente digitais representam 23% dos entrevistados.
Esse modelo cresce principalmente entre:
- jovens
- trabalhadores autônomos
- usuários de fintechs
Instituições digitais oferecem vantagens como menor custo e maior praticidade no gerenciamento financeiro.
Contas apenas físicas
As contas tradicionais, operadas apenas por agências físicas, representam 20% da população.
Esse modelo tende a ser mais comum entre consumidores de maior idade ou com menor familiaridade com tecnologia.
Segurança ainda é fator decisivo na escolha do pagamento
Apesar do avanço da digitalização, a segurança continua sendo o principal fator na escolha de meios de pagamento.
Segundo a pesquisa, 43% dos consumidores apontam segurança e medo de golpes como critério principal, superando fatores como rapidez e praticidade, citados por 34%.
Esse dado reforça o conceito de “Agilidade com Medo”, no qual o consumidor busca inovação, mas ainda mantém cautela.
Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, existe um equilíbrio entre entusiasmo e prudência.
O consumidor brasileiro valoriza a velocidade dos meios digitais, mas ainda deseja ter alternativas caso ocorram falhas tecnológicas.
Alternativas físicas continuam presentes
Mesmo com a expansão dos pagamentos digitais, a pesquisa mostra que 92% dos consumidores mantêm alternativas físicas de pagamento.
Isso ocorre por diferentes motivos, principalmente relacionados à segurança e autonomia.
Entre os métodos físicos mantidos pelos brasileiros estão:
Cartões físicos
Cerca de 68% dos consumidores mantêm cartões físicos disponíveis para uso em situações como:
- bateria descarregada no celular
- problemas de conexão
- indisponibilidade de aplicativos
Dinheiro em espécie
O dinheiro ainda é utilizado por 24% dos consumidores como alternativa emergencial.
Apesar de ter perdido espaço nos últimos anos, ele continua sendo visto como um recurso confiável em situações de falha tecnológica.
QR Code ganha espaço no varejo
Outra tecnologia que vem ganhando popularidade é o pagamento por QR Code.
Segundo a pesquisa, 86% dos consumidores já utilizaram QR Code para pagar compras ou contas.
Entre as principais vantagens apontadas pelos usuários estão:
- rapidez no pagamento (54%)
- eliminação de erros na digitação de chaves (44%)
- ampla aceitação no comércio (38%)
Essa tecnologia é amplamente utilizada no Pix, especialmente em estabelecimentos comerciais.
Confiança ainda é desafio no QR Code
Apesar do crescimento, o QR Code ainda enfrenta desafios relacionados à confiança.
Entre os usuários:
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+311 mil seguidores
- 26% afirmam ter baixa confiança na ferramenta
- 24% relatam dificuldade técnica
- 24% temem clonagem ou roubo de dados
Esses dados mostram que a educação financeira e digital ainda é essencial para ampliar a adoção segura dessas tecnologias.
Pagamento por aproximação cresce no Brasil
Outro método em expansão é o pagamento por aproximação, conhecido como contactless.
Entre os usuários desses serviços, 81% já utilizaram essa modalidade.
Os formatos mais comuns incluem:
- cartão físico por aproximação
- celular com carteira digital
- relógios inteligentes
O cartão físico ainda lidera com 73% de uso, enquanto 48% dos consumidores já utilizam o celular para pagamentos por aproximação.
Principais vantagens
Entre os usuários, os principais benefícios apontados são:
- rapidez (64%)
- não precisar digitar senha em valores menores (41%)
Resistência ainda existe
Por outro lado, 47% dos consumidores ainda demonstram falta de confiança nessa tecnologia.
Além disso, 28% temem clonagem de dados ou fraudes.
Medo de golpes é maior que a incidência real
Um dos dados mais interessantes da pesquisa mostra uma grande diferença entre percepção e realidade.
Segundo o levantamento:
- 68% dos brasileiros têm medo de sofrer golpes financeiros
- 89% nunca foram vítimas de fraude
- apenas 7% relataram ter sofrido golpes
Esse resultado indica que a sensação de insegurança é maior que a ocorrência real de crimes financeiros.
Ainda assim, especialistas recomendam atenção constante ao utilizar meios de pagamento digitais.
O futuro dos pagamentos no Brasil
Os consumidores brasileiros acreditam que o Pix continuará liderando o sistema de pagamentos nos próximos anos.
Segundo a pesquisa:
- 36% acreditam que o Pix será o principal meio de pagamento no futuro
- 26% apostam em tecnologias como biometria e pagamentos por dispositivos vestíveis
Esses dispositivos incluem:
- relógios inteligentes
- pulseiras conectadas
- sistemas biométricos
Além disso, 46% dos entrevistados afirmam que aceitariam utilizar reconhecimento facial para pagamentos, caso a tecnologia reduza o tempo de espera no caixa.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi realizada entre 2 e 9 de janeiro de 2026.
O estudo entrevistou 600 internautas das 27 capitais brasileiras, com homens e mulheres de 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes sociais.
A coleta de dados ocorreu via internet e os resultados foram ponderados considerando:
- sexo
- idade
- renda
- escolaridade
A margem de erro é de 4 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.
Conclusão
O sistema de pagamentos brasileiro vive uma transformação acelerada impulsionada pela digitalização financeira e pela popularização do Pix.
A tecnologia trouxe velocidade, praticidade e redução de custos para consumidores e empresas. No entanto, o medo de golpes e falhas tecnológicas ainda influencia o comportamento dos brasileiros.
Nesse cenário, o país avança para um modelo híbrido, no qual meios digitais ganham protagonismo, mas alternativas físicas continuam sendo mantidas como forma de segurança.
Nos próximos anos, a tendência é que o sistema evolua ainda mais com a integração de tecnologias como biometria, pagamentos por aproximação e dispositivos inteligentes.
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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
