O Pix pode ganhar uma importante expansão internacional nos próximos anos. O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu avaliam a possibilidade de conectar o sistema brasileiro ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), infraestrutura europeia voltada à liquidação de pagamentos instantâneos.
A iniciativa ainda não representa uma liberação do Pix para uso na Europa. Segundo informações divulgadas em setembro de 2026, as autoridades estão analisando a viabilidade técnica, jurídica e operacional de uma eventual conexão. Se o projeto avançar, brasileiros poderão ter uma alternativa mais simples para realizar pagamentos durante viagens ao continente europeu.
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Como funcionaria o Pix na Europa?

A ideia central é conectar duas infraestruturas de pagamentos instantâneos que já funcionam em seus respectivos mercados.
O TIPS é operado pelo Eurosistema e permite que instituições financeiras ofereçam transferências em tempo real, 24 horas por dia, durante todos os dias do ano. O sistema processa as transações em questão de segundos e foi desenvolvido justamente para ampliar a eficiência dos pagamentos instantâneos europeus.
Em um cenário de integração, um brasileiro poderia, por exemplo, entrar em uma loja na Europa, escanear um QR Code compatível e autorizar o pagamento pelo aplicativo do banco brasileiro.
A operação seria processada entre os sistemas conectados, enquanto a conversão entre real e euro ocorreria dentro da estrutura financeira responsável pela transação. O consumidor, portanto, não precisaria necessariamente fazer uma transferência internacional tradicional antes de realizar a compra.
O pagamento seria feito em reais?
O usuário brasileiro continuaria utilizando sua conta e o aplicativo de sua instituição financeira no Brasil. Entretanto, para que o estabelecimento europeu receba euros, seria necessário um mecanismo de conversão cambial entre as moedas.
Esse ponto é especialmente importante porque uma integração entre sistemas de pagamento não elimina automaticamente os custos de câmbio. O valor final dependeria das regras estabelecidas pelos bancos, instituições participantes e autoridades responsáveis.
O próprio TIPS já possui recursos para pagamentos entre diferentes moedas. Atualmente, a infraestrutura europeia permite operações envolvendo euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa, além de estar sendo ampliada para outras moedas.
Brasileiros poderiam usar Pix para compras na Europa?
Esse é um dos possíveis impactos mais relevantes do projeto.
Hoje, quem viaja para países europeus normalmente depende de cartão internacional, dinheiro em espécie ou serviços especializados de câmbio e pagamentos. Uma eventual integração poderia permitir que o Pix fosse utilizado diretamente em compras, desde que o estabelecimento e os respectivos provedores de pagamento participassem da estrutura compatível.
Imagine um turista brasileiro em Portugal. Em vez de utilizar um cartão internacional, ele poderia encontrar um QR Code no estabelecimento, realizar a leitura pelo aplicativo do banco e confirmar o pagamento como já faz no Brasil.
A diferença estaria nos bastidores: o sistema precisaria processar a operação internacional, fazer a conversão monetária e garantir que o comerciante receba o valor na moeda local.
Pix europeu também poderia facilitar transferências para o Brasil
A possível conexão não teria utilidade apenas para brasileiros que viajam ao exterior.
Uma infraestrutura interoperável poderia permitir também o fluxo contrário, com pessoas e empresas na Europa enviando recursos para o Brasil por meio de sistemas instantâneos.
Esse tipo de conexão atende a uma tendência internacional de modernização dos pagamentos transfronteiriços. O Banco Central Europeu afirma que a interligação de sistemas de pagamentos rápidos pode reduzir custos, aumentar a velocidade das operações e melhorar a transparência das transferências internacionais.
Para brasileiros que recebem dinheiro de familiares no exterior, prestam serviços para empresas europeias ou realizam pequenos pagamentos internacionais, uma solução desse tipo poderia representar uma alternativa às estruturas tradicionais de remessas.
Quando o Pix poderá funcionar na Europa?
Ainda não existe uma data oficial para o lançamento de um Pix europeu.
A informação divulgada em setembro de 2026 aponta que Brasil e Europa estão avaliando a possibilidade de interligar as respectivas infraestruturas e que um projeto-piloto poderá ocorrer em 2028, caso as etapas anteriores sejam concluídas com sucesso.
Isso significa que o consumidor não deve esperar encontrar, neste momento, um estabelecimento europeu aceitando Pix diretamente por causa dessa negociação.
Antes de uma eventual implementação, serão necessários testes e avaliações envolvendo segurança, tecnologia, legislação, câmbio, prevenção a fraudes e responsabilidades das instituições participantes.
O próprio BCE já trabalha em outras iniciativas de conexão do TIPS com sistemas de pagamentos instantâneos estrangeiros. Em junho de 2026, a instituição registrava estudos para ampliar a interoperabilidade internacional da plataforma.
O que muda para quem viaja ao exterior?
Se a integração for efetivamente implantada, o principal benefício para o consumidor poderá ser a praticidade.
Em vez de depender exclusivamente de cartões ou de realizar uma operação de câmbio antes da viagem, o usuário poderia fazer determinados pagamentos diretamente pelo aplicativo de sua instituição financeira.
Também existe potencial para maior transparência nos custos. Porém, isso dependerá das condições comerciais oferecidas pelos participantes. Uma operação instantânea não significa necessariamente uma operação gratuita.
O Banco Central brasileiro já possui regras específicas para pagamentos e transferências internacionais e vem aperfeiçoando o ambiente regulatório para aumentar competição, inovação, transparência e eficiência nesse mercado.
Pix internacional já existe?
O Pix já aparece em algumas experiências internacionais, mas isso não significa que exista hoje uma rede global do sistema brasileiro.
Em determinados mercados, instituições financeiras e empresas de pagamento utilizam o Pix como parte da experiência do cliente, enquanto a liquidação internacional ocorre por mecanismos próprios e parceiros locais.
Uma conexão direta com uma infraestrutura como o TIPS seria diferente, pois envolveria a interoperabilidade entre sistemas de pagamentos instantâneos.
Integração pode ampliar o alcance do Pix

Criado para facilitar pagamentos e transferências no Brasil, o Pix passou a ser uma das principais infraestruturas de pagamentos do país. Uma eventual conexão com o TIPS representaria um passo adicional: transformar a tecnologia em uma ponte para pagamentos internacionais instantâneos.
Ainda há obstáculos importantes antes que isso se torne realidade. Questões cambiais, regulatórias, de segurança e de responsabilidade entre instituições precisam ser solucionadas.
Por isso, o cenário mais correto neste momento é falar em projeto em estudo, e não em um Pix já disponível na Europa. Se as avaliações avançarem e um piloto for efetivamente implementado, brasileiros poderão ganhar uma nova forma de pagar e movimentar recursos entre o Brasil e o continente europeu.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
