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Mesmo sob ataques de Trump, Pix cresce entre lojistas nos EUA

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, acaba de dar um passo histórico ao estrear oficialmente no varejo dos Estados Unidos. A partir desta quarta-feira (23), turistas brasileiros que estiverem em cidades como Nova York e Miami já poderão pagar por suas compras usando Pix, graças a um acordo inédito […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 6 min de leitura
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O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, acaba de dar um passo histórico ao estrear oficialmente no varejo dos Estados Unidos.

A partir desta quarta-feira (23), turistas brasileiros que estiverem em cidades como Nova York e Miami já poderão pagar por suas compras usando Pix, graças a um acordo inédito entre a fintech PagBrasil e a rede de maquininhas Verifone.

Essa é a primeira vez que o Pix Internacional passa a funcionar de forma estruturada em pontos de venda fora do Brasil.

O objetivo da iniciativa é facilitar a vida dos brasileiros no exterior, especialmente em destinos turísticos com alto fluxo de consumidores do país, e permitir que lojistas norte-americanos aceitem pagamentos em tempo real, com conversão imediata de moedas.

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Como funciona o Pix Internacional nos Estados Unidos

Pix automático
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Integração entre PagBrasil e Verifone

A operação do Pix nos EUA está sendo viabilizada por uma integração tecnológica entre a PagBrasil, fintech especializada em soluções de pagamento digital, e a Verifone, uma das maiores fornecedoras de terminais de pagamento do mundo.

A PagBrasil foi licenciada para operar com o Pix nos EUA, sendo responsável por fornecer a tecnologia que permite que lojistas aceitem esse tipo de transação. A Verifone, por sua vez, oferece a estrutura das maquininhas e do sistema de interface para que o Pix seja disponibilizado no ponto de venda.

Processo de pagamento em tempo real

A operação do Pix nos EUA seguirá uma dinâmica simples:

  1. O lojista digita o valor da compra em dólares na maquininha Verifone.
  2. O sistema gera um QR Code, como em pagamentos convencionais.
  3. O consumidor brasileiro escaneia o QR Code com o aplicativo do banco no Brasil, como faria em uma compra nacional.
  4. O sistema converte o valor de dólar para real automaticamente e realiza o pagamento em tempo real.
  5. O lojista recebe o valor em dólar, enquanto o consumidor paga em reais.

Segundo a PagBrasil, a conversão cambial é realizada no momento da transação, utilizando a taxa vigente no instante da compra.

Potencial de mercado: foco no turismo brasileiro

Aumento no número de turistas brasileiros

A expansão do Pix para os Estados Unidos ocorre em um momento de forte retomada do turismo internacional. Entre 2022 e 2023, o número de brasileiros que visitaram os EUA cresceu 17%, chegando a quase 2 milhões de turistas no período.

Esse público gastou, de acordo com dados da Verifone, cerca de US$ 4,1 bilhões em território americano, sendo grande parte desses gastos concentrada em destinos como Miami, Orlando, Nova York e Los Angeles.

Oportunidade para o varejo norte-americano

A chegada do Pix Internacional é considerada um diferencial competitivo para os comerciantes dos EUA. “Isso representa um divisor de águas para os varejistas em destinos turísticos importantes como a Flórida e Nova York”, afirmou Madhu Vasu, vice-presidente sênior de Produtos da Verifone.

A presença do Pix pode incentivar o aumento das compras de brasileiros, oferecendo facilidade, familiaridade e rapidez nas transações — sem a necessidade de cartão internacional ou uso de dólares em espécie.

Custo do Pix Internacional: entenda taxas e IOF

Alíquota de IOF aumentou para 3,5%

Apesar das facilidades oferecidas pelo Pix Internacional, os brasileiros devem ficar atentos aos custos adicionais da operação. Um dos principais é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que incide sobre transações internacionais.

A alíquota foi elevada recentemente para 3,5% nas operações de pagamento com câmbio automático, como é o caso do Pix Internacional. Antes, o imposto era de 0,38%.

Essa mudança foi aplicada por meio de decreto publicado pelo governo federal, e tem como objetivo equalizar as tributações entre modalidades diferentes de pagamento — como cartões, transferências bancárias e carteiras digitais.

Taxa de serviço para o lojista

Além do IOF pago pelo consumidor, há também uma taxa de 2% a 3% cobrada sobre a transação para o lojista. No entanto, segundo a PagBrasil, esse valor ainda é inferior ao cobrado por operadoras de cartões de crédito, que podem chegar a 5% ou mais, dependendo do tipo de bandeira e contrato.

Vantagens do Pix no exterior

Pix
Imagem: Freepik e Canva

Para consumidores brasileiros

  • Dispensa de cartão internacional
  • Conversão automática na hora da compra
  • Pagamento direto pelo app bancário brasileiro
  • Transação segura e rastreável
  • Maior controle dos gastos em real

Para lojistas americanos

  • Acesso imediato a milhões de consumidores brasileiros
  • Redução de custos com operadoras de cartão
  • Processamento em tempo real com câmbio garantido
  • Experiência simplificada no ponto de venda

Desafios e cenário político

Diplomacia comercial delicada

A chegada do Pix aos Estados Unidos ocorre em meio a um momento tenso nas relações comerciais entre os dois países. O governo norte-americano conduz uma investigação sobre suposto abuso comercial relacionado a serviços financeiros brasileiros, incluindo o Pix, que passou a ser observado como ferramenta de concorrência internacional.

Embora o sistema de pagamentos seja uma inovação 100% nacional, seu impacto global começa a ser sentido com movimentos como esse nos EUA. A nova funcionalidade poderá reacender o debate sobre regulação e reciprocidade no acesso de soluções financeiras.

Expansão internacional do Pix: o que vem pela frente?

Pix
Imagem: Freepik e Canva/Edição: Seu Crédito Digital

Tendência de internacionalização

O lançamento do Pix Internacional nos EUA pode ser o primeiro de muitos passos rumo à internacionalização do sistema de pagamentos brasileiro. Outros países da América Latina e da Europa já demonstraram interesse em incorporar o Pix ou sistemas similares, dada a sua eficácia e adoção massiva no Brasil.

Segundo o Banco Central, mais de 160 milhões de chaves Pix estão cadastradas, com transações que superam os R$ 3 trilhões por trimestre. Com isso, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento eletrônico do país, superando TED, DOC e até cartões de débito.

O papel da iniciativa privada

Empresas como a PagBrasil, que atua como ponte entre o sistema nacional e plataformas globais, serão peças-chave para a expansão do Pix no exterior. A tendência é que mais fintechs e adquirentes internacionais busquem acordos similares para acessar o mercado brasileiro de forma reversa — ou seja, permitindo que brasileiros consumam com Pix fora do país.

Considerações finais

A estreia do Pix no varejo norte-americano marca um novo capítulo na história do sistema de pagamentos brasileiro. A parceria entre PagBrasil e Verifone não só facilita a vida dos milhões de turistas brasileiros nos EUA, como posiciona o Pix como uma solução com potencial de impacto internacional real.

Mesmo com o aumento do IOF, a conveniência, segurança e familiaridade oferecidas pela modalidade devem impulsionar a adesão ao Pix Internacional, especialmente em setores como hotelaria, alimentação, moda e entretenimento.

Com o avanço da tecnologia e a demanda crescente por meios de pagamento digitais, é provável que o Pix se torne um recurso frequente também em destinos internacionais, fortalecendo a presença da inovação brasileira no mundo.

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