O Pix está entrando em uma nova fase de desenvolvimento. O Banco Central (BC) trabalha em mudanças que podem ampliar o funcionamento do sistema de pagamentos instantâneos, incluindo transações por aproximação em ambientes sem internet, mecanismos de recolhimento automático de tributos e ferramentas de inteligência artificial para identificar possíveis fraudes.
As iniciativas, porém, estão em estágios diferentes. Algumas já fazem parte da regulamentação da Reforma Tributária, enquanto outras ainda estão em desenvolvimento. Por isso, não significa que todas as novidades já estejam disponíveis para os brasileiros.
Entre os projetos estão o Pix offline, o chamado split payment, que poderá separar tributos no momento do pagamento, e um indicador de probabilidade de fraude baseado em machine learning.
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O que o Banco Central está preparando para o Pix?

O Banco Central vem ampliando a agenda de evolução do Pix desde a criação do sistema. A proposta agora é transformar a infraestrutura em uma plataforma capaz de atender a novos formatos de pagamento, aumentar a segurança e se integrar às mudanças no sistema tributário.
Em documentos apresentados pelo Fórum Pix, o BC incluiu entre os projetos em desenvolvimento um indicador de probabilidade de fraude baseado em modelos de machine learning. A agenda também contempla iniciativas relacionadas ao split payment e à internacionalização do sistema.
Isso significa que algumas informações divulgadas sobre o chamado “novo Pix” precisam ser analisadas com cuidado. Nem todas as funções mencionadas já possuem data de lançamento ou estão disponíveis para o público.
Pix offline: como funcionará o pagamento sem internet?
Uma das propostas que mais chama atenção é o Pix em ambiente offline.
A ideia é permitir que determinados pagamentos sejam iniciados por aproximação, utilizando a tecnologia NFC (Near Field Communication), mesmo quando o dispositivo não estiver conectado à internet naquele momento.
O recurso poderia ser especialmente útil em locais onde a conexão é instável ou inexistente, como algumas áreas rurais, ambientes subterrâneos, eventos de grande porte e locais com congestionamento das redes móveis.
O funcionamento definitivo, entretanto, depende da arquitetura tecnológica e das regras que serão estabelecidas pelo Banco Central e pelas instituições participantes.
O Pix offline já está disponível?
Não como uma funcionalidade liberada de maneira geral para todos os usuários.
O Banco Central vem tratando o Pix offline como uma iniciativa de evolução do sistema. Documentos do Fórum Pix registraram o desenvolvimento da solução, mas não estabelecem uma data definitiva para que qualquer brasileiro possa realizar transferências sem conexão com a internet.
Por isso, ainda não é correto afirmar que basta ativar o NFC do celular para fazer Pix sem internet.
Também não há confirmação oficial, nas informações disponíveis, de um limite diário universal que todos os bancos já estejam obrigados a oferecer para esse tipo de transação.
O que é o split payment?
Outra mudança importante está relacionada à Reforma Tributária.
O split payment, ou pagamento dividido, é um mecanismo criado para separar automaticamente a parcela correspondente aos tributos no momento em que uma operação comercial é liquidada.
A lógica está relacionada principalmente ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributos que fazem parte da nova estrutura tributária brasileira.
A Lei Complementar nº 214/2025 estabelece regras para que os valores correspondentes aos tributos sejam segregados e recolhidos de acordo com o novo sistema. A legislação também prevê mecanismos para vincular a operação comercial ao documento fiscal e ao respectivo pagamento.
O Pix vai descontar impostos automaticamente?
Para o consumidor comum, a resposta é não.
O split payment não significa que o governo passará a cobrar imposto sobre qualquer Pix realizado entre pessoas físicas.
O mecanismo está relacionado a operações comerciais sujeitas ao IBS e à CBS. Portanto, um Pix utilizado para enviar dinheiro a um familiar, dividir uma conta ou devolver um empréstimo, por exemplo, não passa a ser tributado simplesmente por utilizar o sistema.
A mudança terá maior impacto sobre empresas que realizam vendas ou prestam serviços sujeitos aos novos tributos.
Como o split payment pode afetar as empresas?
A principal mudança para os negócios estará no fluxo financeiro.
Atualmente, uma empresa pode receber o valor de uma venda e posteriormente realizar o cálculo e o recolhimento dos tributos correspondentes. Com o split payment, a parcela destinada aos impostos poderá ser separada durante a própria liquidação da operação.
Isso exigirá mudanças nos sistemas financeiros, fiscais e de gestão empresarial.
Empresas deverão acompanhar a integração entre emissão de notas fiscais, sistemas de pagamento, plataformas de vendas e ferramentas de gestão.
Para pequenos negócios, o impacto pode aparecer principalmente na administração do capital de giro. O valor bruto de uma venda não necessariamente corresponderá ao montante que ficará imediatamente disponível para movimentação.
A implementação da Reforma Tributária será gradual. A transição para o novo modelo ocorre ao longo dos próximos anos, com conclusão prevista para 2033.
Inteligência artificial será usada contra fraudes no Pix?
Outra frente de desenvolvimento envolve inteligência artificial aplicada à segurança.
O Banco Central informou que trabalha em um indicador de probabilidade de fraude utilizando machine learning. A tecnologia permite analisar padrões e identificar comportamentos que possam estar associados a operações fraudulentas.
A intenção é fornecer informações adicionais às instituições participantes para aprimorar seus próprios sistemas de prevenção.
É importante fazer uma distinção: os documentos oficiais consultados mencionam machine learning e um indicador de probabilidade de fraude. Não há confirmação, nas fontes utilizadas, de que o Banco Central esteja utilizando inteligência artificial generativa para analisar o histórico de navegação individual de cada usuário.
Uma transação legítima pode ser bloqueada?
Sistemas antifraude trabalham com análise de risco. Por isso, uma operação legítima pode eventualmente ser considerada suspeita e passar por uma verificação adicional.
O Pix já possui mecanismos para lidar com esse tipo de situação.
Um deles é o bloqueio cautelar, que permite à instituição financeira bloquear temporariamente recursos recebidos quando existem indícios de fraude. O período pode chegar a 72 horas para análise.
Se a fraude for confirmada, o dinheiro poderá ser devolvido ao pagador. Caso contrário, o bloqueio é encerrado.
O usuário que tiver uma operação questionada deve entrar em contato com o banco ou instituição responsável e apresentar os documentos necessários para demonstrar a legitimidade da movimentação.
O Pix poderá ser usado em outros países?
A internacionalização também está na agenda de evolução do sistema.
O Banco Central trabalha em iniciativas relacionadas à oferta do Pix no exterior e à conexão com estruturas internacionais de pagamentos.
Paralelamente, o BC atualizou em 2026 as regras relacionadas aos serviços de pagamento e transferência internacional, conhecidos como eFX.
A nova regulamentação amplia as possibilidades para operações internacionais e entra em vigor em 1º de outubro de 2026.
Isso não significa, contudo, que qualquer brasileiro poderá simplesmente fazer um Pix para uma conta bancária estrangeira sem conversão de moeda ou participação de instituições autorizadas.
O que muda para o consumidor?
No curto prazo, o usuário não precisa alterar a maneira como utiliza o Pix.
As novas funcionalidades serão disponibilizadas conforme forem regulamentadas, testadas e incorporadas pelas instituições financeiras.
O principal cuidado é não confiar em mensagens ou anúncios que prometam acesso antecipado ao Pix offline ou solicitem dados bancários para “ativar” novas funções.
Também é recomendável manter o aplicativo bancário atualizado e acompanhar os comunicados da própria instituição financeira.
Em caso de golpe, a orientação é procurar imediatamente o banco e solicitar a contestação da transação. Dependendo da situação, poderá ser utilizado o Mecanismo Especial de Devolução (MED).
E para quem tem empresa?
Empresários e profissionais que recebem pagamentos pelo Pix devem acompanhar principalmente as mudanças relacionadas à Reforma Tributária.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- atualização do sistema de gestão financeira;
- adequação dos sistemas de emissão de notas fiscais;
- integração entre pagamentos e documentos fiscais;
- revisão das projeções de fluxo de caixa;
- acompanhamento das regras do IBS e da CBS;
- treinamento das equipes financeira e fiscal.
A adaptação será especialmente relevante para empresas que utilizam sistemas de pagamento integrados ao caixa ou ao sistema de gestão.
Quando as novidades começam a valer?
Não existe uma única data para todas as mudanças.
O split payment está ligado ao cronograma da Reforma Tributária e será implementado gradualmente.
O indicador de probabilidade de fraude baseado em machine learning ainda aparece como uma iniciativa de desenvolvimento do Banco Central.
Já o Pix offline também depende da evolução tecnológica e regulatória do projeto.
Por isso, não é correto tratar todas as novidades como se fossem uma única atualização do Pix que entrará em funcionamento simultaneamente.
O que esperar do futuro do Pix?

O Pix caminha para se tornar mais do que uma ferramenta de transferência instantânea.
A evolução planejada pelo Banco Central combina três frentes: novas formas de pagamento, maior integração com o sistema tributário e mecanismos mais sofisticados de segurança.
Para o consumidor, isso pode significar pagamentos mais flexíveis e novas possibilidades de uso. Para as empresas, a transformação será mais profunda, já que pagamentos, documentos fiscais e recolhimento de tributos tendem a ficar cada vez mais integrados.
Por enquanto, a principal recomendação é acompanhar as informações oficiais e diferenciar recursos já regulamentados daqueles que ainda estão em desenvolvimento.
Conclusão
O Pix caminha para uma nova fase, com recursos que podem ampliar sua praticidade, segurança e integração ao sistema tributário. Enquanto algumas mudanças ainda estão em desenvolvimento, outras já fazem parte do processo de implantação da Reforma Tributária. Para consumidores e empresas, acompanhar as regras oficiais será essencial para entender o que realmente muda e se preparar para as próximas etapas. A tendência é que o sistema tenha participação cada vez maior nas relações financeiras e comerciais do país.
Com a evolução das ferramentas de segurança e dos pagamentos, o Pix deverá se tornar ainda mais integrado à rotina de consumidores, empresas e instituições financeiras.
