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A partir de segunda (2), novo ajuste contra golpes no Pix é obrigatório

Novo rastreamento do Pix passa a ser obrigatório e amplia bloqueio de valores em golpes. Veja o que muda para o usuário.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
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A partir desta segunda-feira (2), todas as instituições financeiras que operam no Brasil passaram a ser obrigadas a utilizar o sistema de rastreamento estendido do Pix, conforme determinação do Banco Central. A medida atualiza as diretrizes do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e tem como objetivo aumentar a recuperação de valores desviados em golpes e fraudes digitais.

Embora a funcionalidade já estivesse disponível desde novembro de 2025, sua adesão era facultativa. Com a obrigatoriedade, o sistema financeiro nacional passa a atuar de forma padronizada contra um dos métodos mais utilizados por criminosos: a pulverização rápida do dinheiro entre múltiplas contas.

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Por que o Banco Central reforçou o MED

A decisão responde a um cenário de crescimento acelerado das fraudes digitais. Dados oficiais do Banco Central apontam que os golpes via Pix causaram prejuízo de R$ 4,9 bilhões em 2024, o que representa um aumento de cerca de 70% em relação ao ano anterior.

Apesar da popularização do Pix como meio de pagamento rápido e eficiente, a capacidade de recuperação dos valores ainda era baixa. Estatísticas de mercado indicam que, em 2025, apenas cerca de 9% dos valores contestados foram recuperados, evidenciando limitações importantes no modelo anterior do MED.

Como funcionava o MED antes da mudança

Até então, o Mecanismo Especial de Devolução possuía uma limitação técnica relevante. O sistema permitia o bloqueio de recursos apenas na primeira conta de destino do dinheiro.

Na prática, bastava que o criminoso transferisse o valor, segundos depois, para outra conta — geralmente de um “laranja” — para que o rastreamento fosse interrompido. Esse intervalo mínimo tornava o golpe praticamente irreversível na maioria dos casos.

O que muda com o rastreamento estendido do Pix

Com a nova regra, o MED passa a operar sob a lógica conhecida como “follow the money” (siga o dinheiro). Em vez de se limitar à conta inicial, o sistema agora:

  • Marca a transação como suspeita
  • Rastreia o caminho do dinheiro entre múltiplas contas
  • Permite o bloqueio dos valores em qualquer etapa da cadeia de transferências

Isso significa que, mesmo que o golpista tente pulverizar os recursos rapidamente, o sistema consegue acompanhar o fluxo e acionar os bancos envolvidos para congelar os valores remanescentes.

Combate direto à pulverização de recursos

A pulverização é uma tática comum em fraudes digitais. Nela, o dinheiro roubado é transferido em sequência para várias contas diferentes, muitas vezes em questão de segundos, justamente para dificultar o bloqueio.

Com a obrigatoriedade do rastreamento estendido, o sistema financeiro passa a atuar de forma integrada, reduzindo o tempo de resposta e aumentando as chances de recuperação, mesmo em esquemas mais sofisticados.

O que muda para o usuário do Pix

Para o cliente, a mudança é praticamente invisível do ponto de vista operacional. Não há alteração na interface dos aplicativos bancários nem necessidade de ativar configurações extras.

A proteção é sistêmica, funcionando nos bastidores do sistema financeiro. O procedimento em caso de golpe continua o mesmo:

  • O usuário deve acessar a área Pix do aplicativo do banco
  • Acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) o mais rápido possível
  • Registrar a contestação diretamente no app

As normas do Banco Central exigem que esse acesso seja destacado, permitindo a denúncia sem a necessidade de contato humano imediato, o que acelera o processo.

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Situações que o MED não cobre

É importante destacar que o MED não é um mecanismo para corrigir erros comuns do dia a dia. Ele segue restrito a casos de fraude, golpe ou crime comprovado.

Ficam fora da cobertura:

  • Transferências feitas por engano, como erro na digitação da chave Pix
  • Pagamentos realizados voluntariamente em desacordos comerciais
  • Conflitos entre pessoas físicas sem caracterização de fraude

Nesses casos, a solução depende de negociação direta entre as partes ou de vias judiciais.

Impacto esperado no combate às fraudes

Com a adesão obrigatória de todos os bancos, o Banco Central espera aumentar significativamente a taxa de recuperação de valores desviados, além de desestimular a atuação de quadrilhas especializadas em golpes via Pix.

A medida também reforça a confiança no sistema, que já é o meio de pagamento mais utilizado do país, e consolida o Pix como uma infraestrutura robusta, não apenas em velocidade, mas também em segurança.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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