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Pix terá split tributário e cobrança híbrida; entenda o que vai mudar

Banco Central prepara split tributário, cobrança híbrida, Pix internacional e novas medidas de segurança. Veja o que muda e quais projetos não têm prazo.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··12 min de leitura
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O Pix entrará em uma nova fase nos próximos anos. Depois de consolidar transferências instantâneas, pagamentos por QR Code, cobranças recorrentes e operações por aproximação, o Banco Central prepara a infraestrutura para integrar o sistema à reforma tributária, ao mercado de crédito e a cobranças empresariais.

Entre os projetos estão o split tributário, que permitirá separar automaticamente impostos em operações comerciais elegíveis, e a cobrança híbrida, que reúne boleto e Pix em um único documento.

As mudanças não entrarão em funcionamento ao mesmo tempo. Algumas estão em desenvolvimento, enquanto outras dependem de regulamentação, recursos tecnológicos e integração com instituições externas. Projetos como Pix Internacional, Pix em Garantia e Pix por aproximação sem internet ainda não possuem data definitiva de lançamento.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Pix não ganhará uma tarifa ou imposto próprio. O split tributário não significa que transferências comuns entre pessoas físicas passarão a ser tributadas.

O mecanismo está ligado à reforma tributária sobre o consumo. Ele poderá ser aplicado em pagamentos de compras e serviços que já estejam sujeitos à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) ou ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

Em uma venda comercial elegível, o valor pago poderá ser dividido automaticamente. Uma parte seguirá para a empresa e outra será encaminhada para o recolhimento dos tributos incidentes naquela operação.

Transferir dinheiro para um amigo, dividir a conta de um restaurante, mandar recursos para um familiar ou movimentar valores entre contas próprias não cria um novo imposto apenas porque a operação foi feita por Pix.

O que é o split tributário?

Split significa divisão. No contexto tributário, o sistema separa o valor do imposto no momento da liquidação financeira do pagamento.

Hoje, uma empresa normalmente recebe o valor integral de uma venda, calcula os tributos devidos e faz o recolhimento posteriormente. Com o split, a parcela correspondente ao IBS e à CBS poderá ser direcionada automaticamente ao sistema de arrecadação.

Considere um exemplo apenas didático. Em uma compra de R$ 100 com R$ 20 de tributos calculados, o sistema poderia enviar R$ 80 ao fornecedor e separar R$ 20 para a quitação fiscal.

O cálculo real será mais complexo. Deverá considerar créditos tributários, regime da empresa, devoluções, descontos, isenções e outras informações da operação.

A Lei Complementar nº 214/2025 regulamentou o mecanismo, enquanto normas posteriores definiram uma implantação gradual. O Banco Central avalia agora os ajustes necessários nas regras e na infraestrutura do Pix.

Quando o split tributário começará a funcionar?

A adaptação tecnológica começou a fazer parte da agenda do Pix a partir de 2025, mas isso não significa cobrança automática generalizada em 2026.

O ano de 2026 funciona como uma etapa de testes e preparação para a reforma tributária. Segundo orientações da Receita Federal, CBS e IBS devem aparecer nos documentos fiscais emitidos, mas o recolhimento efetivo dos novos tributos segue o cronograma legal.

O Decreto nº 12.955/2026 determinou que o split payment seja implementado gradualmente, em pelo menos duas etapas. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS ainda precisam detalhar os arranjos alcançados e as regras operacionais.

A implantação deverá avançar a partir de 2027, acompanhando a transição da reforma tributária. Nem todas as vendas, empresas e formas de pagamento serão necessariamente incluídas ao mesmo tempo.

O consumidor pagará mais por causa do split?

O split não cria um novo tributo. Ele altera a forma de recolher impostos que já incidem sobre a operação.

Para o consumidor, a principal mudança poderá ser a maior transparência sobre a composição do preço. Os documentos fiscais deverão indicar os valores correspondentes aos novos tributos.

O preço final pode ser influenciado pela reforma tributária, pelas alíquotas, pelos créditos das empresas e pelas condições de cada setor. Esse efeito não deve ser atribuído isoladamente ao Pix.

O consumidor também não precisará fazer dois pagamentos. A divisão ocorrerá nos sistemas envolvidos, sem exigir uma transferência separada para o governo.

Como o split afetará as empresas?

O impacto será maior para os negócios. Hoje, muitas empresas recebem o valor total da venda e recolhem os tributos em uma data posterior.

Esse intervalo faz parte do fluxo de caixa. O dinheiro permanece temporariamente disponível para pagar fornecedores, salários e outras despesas.

Com a retenção automática, a parcela dos tributos poderá deixar de entrar no caixa. Isso exige planejamento financeiro, especialmente de pequenos negócios com pouca reserva.

Em contrapartida, o modelo pode:

  • automatizar o recolhimento;
  • reduzir erros de apuração;
  • combater sonegação;
  • facilitar a apropriação de créditos;
  • diminuir obrigações manuais;
  • melhorar a rastreabilidade dos pagamentos.

Empresas precisarão adaptar sistemas de notas fiscais, conciliação bancária, gestão contábil e controle de caixa.

O que é a cobrança híbrida?

A cobrança híbrida reúne duas formas de pagamento no mesmo documento:

  • código de barras do boleto;
  • QR Code do Pix.

O consumidor escolhe como pagar. Se usar o Pix, a confirmação ocorre rapidamente. Se preferir o boleto, pode digitar ou escanear o código de barras.

Essa experiência já aparece em algumas cobranças do mercado. A Resolução BCB nº 443, de dezembro de 2024, autorizou a apresentação de outros arranjos de pagamento em boletos.

O trabalho atual do Banco Central é padronizar as regras do lado do Pix, definindo fluxos, responsabilidades e comunicação entre os sistemas.

Como será evitado o pagamento em duplicidade?

Esse é um dos principais desafios técnicos da cobrança híbrida.

Quando a pessoa paga pelo Pix, o sistema precisa dar baixa no boleto. Se o pagamento ocorre pelo código de barras, o QR Code deve ser cancelado ou identificado como quitado.

Sem essa comunicação, o consumidor poderia pagar duas vezes por engano ou a empresa poderia manter uma cobrança aberta mesmo depois de receber.

A padronização deverá definir:

  • como o boleto será baixado após o Pix;
  • como o QR Code será cancelado após o boleto;
  • tratamento de juros e multa;
  • aplicação de descontos;
  • pagamentos parciais;
  • responsabilidades das instituições;
  • procedimentos para devolução.

A cobrança híbrida será especialmente útil para mensalidades, contas de consumo, compras empresariais e faturas.

Quando a cobrança híbrida estará disponível?

Algumas empresas já apresentam boleto e QR Code no mesmo documento. O que está em desenvolvimento é uma estrutura padronizada para todo o ecossistema.

A agenda apresentada pelo Fórum Pix previa publicação de normas e especificações ao longo de 2026, seguida por um período de adaptação das instituições.

O Banco Central ainda precisa confirmar as datas definitivas de obrigatoriedade. Por isso, não é correto afirmar que todos os boletos já serão híbridos imediatamente.

Mesmo depois da regulamentação, a disponibilização poderá depender da instituição financeira e do tipo de cobrança.

O que é a Duplicata no Pix?

Duplicata escritural é um título digital utilizado principalmente em vendas a prazo entre empresas. Ela representa um valor que uma empresa tem a receber de outra.

O Banco Central estuda permitir que essas duplicatas sejam pagas por QR Code do Pix. A solução pode tornar a liquidação mais rápida e facilitar a identificação de quem tem direito ao recebimento.

Imagine que uma indústria venda mercadorias a uma loja com pagamento em 30 dias. A duplicata registra essa obrigação. No vencimento, a loja poderá usar o Pix para quitar o título.

A integração pode oferecer:

  • liquidação imediata;
  • conciliação automática;
  • redução de custos;
  • maior rastreabilidade;
  • facilidade na negociação de recebíveis;
  • segurança para o credor final.

A novidade tem foco principal nas relações entre empresas, e não nas transferências cotidianas entre pessoas físicas.

Como funcionará o Pix em Garantia?

O Pix em Garantia pretende permitir que empresas utilizem recebimentos futuros como garantia em operações de crédito.

Um estabelecimento que recebe grande parte das vendas por Pix poderá apresentar esse fluxo previsto ao solicitar empréstimo. O banco poderá avaliar a regularidade dos recebimentos e oferecer condições compatíveis com o risco.

A lógica é semelhante à antecipação de recebíveis de cartão. A diferença é que a garantia estará vinculada aos fluxos esperados pelo Pix.

O objetivo é melhorar a qualidade das garantias e, potencialmente, reduzir o custo do crédito para empresas.

O projeto ainda está em desenvolvimento e depende da disponibilidade de recursos do Banco Central. Não há data definitiva para lançamento.

O Pix Internacional já permitirá transferências ao exterior?

Ainda não existe uma infraestrutura pública do Pix que envie diretamente dinheiro entre contas brasileiras e estrangeiras.

Algumas empresas já permitem que brasileiros paguem por Pix no exterior. Nesses casos, a pessoa paga em reais para uma instituição brasileira, que realiza a conversão e envia o dinheiro ao comerciante por estruturas privadas.

O Pix propriamente dito continua sendo utilizado na parte doméstica da operação.

O Banco Central estuda uma integração mais ampla com sistemas instantâneos de outros países. Estão sendo avaliadas conexões bilaterais e a participação em plataformas multilaterais.

Uma integração oficial poderia:

  • acelerar remessas;
  • reduzir tarifas;
  • permitir pagamentos em moeda local;
  • melhorar a transparência cambial;
  • ampliar o acesso a transferências internacionais.

O projeto envolve regras cambiais, prevenção à lavagem de dinheiro, identificação de usuários, compatibilidade tecnológica e acordos com autoridades estrangeiras. Por isso, não existe prazo confirmado.

O Pix poderá funcionar sem internet?

O Banco Central avalia uma modalidade de Pix por aproximação em que o pagador não precisará estar conectado à internet no momento da iniciação.

A tecnologia poderá usar NFC, sistema de comunicação por proximidade presente em celulares, cartões, relógios e pulseiras.

Isso não significa que toda a operação financeira ocorrerá permanentemente desconectada. A solução deverá estabelecer como as informações serão armazenadas, validadas e posteriormente transmitidas.

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O principal desafio é evitar que o mesmo saldo seja utilizado mais de uma vez enquanto o dispositivo está offline. Limites, autenticação e critérios de risco serão fundamentais.

A iniciativa continua em avaliação. Não há data oficial de lançamento, nem confirmação de que funcionará em todos os aparelhos.

O que mudará no campo de mensagens?

O campo de descrição do Pix foi criado para registrar informações objetivas, como o motivo do pagamento.

O Banco Central identificou casos em que transferências de valores muito baixos foram usadas para enviar ofensas, intimidações e ameaças, inclusive para pessoas que haviam bloqueado outros canais de contato.

Em 2026, foi criado um grupo de trabalho no Fórum Pix para estudar soluções. Entre as possibilidades estão ajustes de exibição, filtros, limitação de conteúdo ou novos mecanismos para denúncias.

Ainda não existe uma regra definitiva que elimine o campo de mensagens. O BC avaliará as conclusões antes de decidir se adotará medidas regulatórias.

Ameaças devem ser registradas e podem ser comunicadas às autoridades policiais. O comprovante do Pix e as capturas de tela ajudam a preservar evidências.

Quais medidas de segurança estão em desenvolvimento?

O Banco Central mantém uma agenda permanente de combate a golpes. Entre os projetos estão:

  • indicador de probabilidade de fraude;
  • critérios objetivos para identificar transações suspeitas;
  • padronização dos alertas de golpe;
  • melhorias no bloqueio cautelar;
  • reforço da segurança no Pix Automático;
  • ampliação do rastreamento pelo MED;
  • identificação de contas e usuários fraudadores;
  • exigências mais rigorosas para participantes.

O Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, já foi aprimorado para rastrear o dinheiro além da primeira conta que recebeu a transferência fraudulenta.

Isso aumenta a possibilidade de encontrar recursos pulverizados entre diferentes contas. Mesmo assim, a devolução não é garantida, pois depende da identificação da fraude e da existência de saldo.

O Pix mudará agora para pessoas físicas?

A maior parte dos projetos não exige ação imediata do usuário comum.

O consumidor não precisa cadastrar uma nova chave, pagar taxa ou instalar aplicativo específico para o split tributário. As adaptações serão realizadas pelo Banco Central, pelas instituições financeiras, pelas empresas e pelos órgãos tributários.

No futuro, a pessoa poderá perceber mudanças como:

  • mais cobranças com boleto e QR Code juntos;
  • informações tributárias mais detalhadas;
  • novos alertas de fraude;
  • possibilidade de Pix internacional;
  • pagamentos por aproximação sem conexão;
  • novas opções de cobrança e devolução.

Até que existam normas e datas oficiais, mensagens que prometam “ativar o novo Pix” devem ser tratadas como possível golpe.

O que fazer diante das mudanças?

Para consumidores, o principal cuidado é continuar usando apenas o aplicativo oficial do banco ou da instituição de pagamento. Nenhuma nova funcionalidade exige clicar em links recebidos por mensagem.

Antes de pagar uma cobrança híbrida, confira beneficiário, valor e vencimento. Depois do pagamento, verifique se a dívida foi baixada.

Empresas devem acompanhar as normas do Banco Central, da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. Também é recomendável conversar com contador e fornecedor de sistema fiscal sobre as adaptações necessárias.

A agenda mostra que o Pix está deixando de ser apenas um meio de transferência. Ele caminha para se tornar uma infraestrutura integrada a cobranças, tributos, crédito, títulos empresariais e pagamentos internacionais.

Perguntas frequentes

Pix
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Pix passará a cobrar imposto?

Não. O Pix não terá um imposto próprio. O split tributário separará tributos já incidentes sobre vendas e serviços elegíveis.

Transferência entre pessoas físicas será tributada?

Não apenas por ser feita via Pix. Mandar dinheiro para amigos, familiares ou contas próprias não cria automaticamente um novo tributo.

O que é cobrança híbrida?

É um documento que reúne código de barras de boleto e QR Code do Pix, permitindo que o consumidor escolha como pagar.

O Pix Internacional já está funcionando?

Não como integração pública direta entre sistemas nacionais. Existem soluções privadas, mas o Banco Central ainda estuda conexões oficiais.

O Pix em Garantia será para pessoas físicas?

O projeto tem foco nas empresas, que poderão utilizar recebimentos futuros via Pix como garantia para obter crédito.

O Pix funcionará sem internet?

O Banco Central avalia uma solução de pagamento por aproximação com o pagador offline, mas ainda não há data de lançamento.

Será necessário cadastrar novamente as chaves?

Não há orientação para recadastrar chaves por causa dessas novidades. Mensagens que pedem esse procedimento podem ser fraudulentas.

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