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Pix pode ter novas regras contra ofensas e ameaças nas mensagens

Banco Central estuda novas medidas contra ofensas e ameaças enviadas pelo campo de mensagens das transações Pix.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··12 min de leitura
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O Pix pode passar por mudanças para impedir que uma ferramenta criada para facilitar a identificação de pagamentos seja usada para enviar ofensas, intimidações e ameaças. O Banco Central (BC) abriu uma discussão sobre o uso inadequado do campo de mensagens que acompanha determinadas transações e criou um grupo de trabalho no Fórum Pix para avaliar possíveis soluções.

A preocupação não está no funcionamento do Pix em si. O sistema continuará sendo utilizado normalmente para transferências e pagamentos. O ponto em análise é o uso do espaço destinado a uma breve descrição da operação para finalidades que fogem do propósito original.

A questão chama atenção porque o recurso está presente em um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros. O próprio Banco Central já registrava que as mensagens do Pix eram usadas principalmente para identificar obrigações, produtos e serviços, como contas, aluguel, presentes, refeições e outros pagamentos.

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O que o Banco Central está fazendo com as mensagens do Pix?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Banco Central identificou que o campo de mensagens passou, em alguns casos, a ser utilizado para finalidades diferentes daquelas relacionadas à própria transação.

Entre os problemas observados estão mensagens de conteúdo ofensivo, intimidatório ou ameaçador, inclusive associadas a transferências de valores muito pequenos.

Diante disso, a instituição decidiu discutir alternativas dentro do Fórum Pix, espaço que reúne participantes e representantes do mercado para tratar da evolução do sistema.

A ideia não é simplesmente retirar uma funcionalidade útil para milhões de pessoas. O desafio é encontrar uma maneira de preservar o recurso para usos legítimos e, ao mesmo tempo, reduzir situações de abuso.

Já existe uma nova regra para as mensagens?

Não.

O Banco Central ainda está avaliando as possíveis soluções. A partir das conclusões do grupo de trabalho, poderá decidir se são necessárias medidas regulamentares específicas.

Isso é importante porque algumas informações que circulam nas redes sociais podem dar a entender que o campo de mensagens já foi proibido ou que deixará de existir imediatamente.

Não é esse o cenário apresentado pelo BC.

Neste momento, a discussão está concentrada em como impedir o uso inadequado da funcionalidade, sem comprometer as características essenciais do Pix.

Para que serve a mensagem enviada junto com um Pix?

O campo de mensagem tem uma finalidade bastante simples: permitir que o pagador acrescente uma breve informação relacionada à transferência ou ao pagamento.

O próprio Banco Central já identificou, em levantamento sobre o uso do Pix, que as mensagens costumam estar associadas a obrigações e despesas. Entre os termos encontrados estavam referências a contas, boletos, aluguel, parcelas, além de produtos e serviços.

Imagine, por exemplo, que três amigos tenham ido a um restaurante e uma das pessoas faça o Pix referente à sua parte da conta.

Ela pode colocar uma descrição como “jantar de sexta” ou “minha parte da conta”. A informação ajuda o recebedor a identificar por que aquele dinheiro foi enviado.

O mesmo vale para situações como:

  • pagamento de aluguel;
  • divisão de uma viagem;
  • compra de um presente;
  • pagamento de um serviço;
  • devolução de dinheiro emprestado;
  • pagamento de uma compra.

O problema aparece quando o campo deixa de cumprir essa função e passa a ser utilizado como uma espécie de canal de comunicação para atacar ou intimidar outra pessoa.

Por que o problema preocupa o Banco Central?

O Pix foi criado para ser um sistema de pagamentos rápido, disponível e seguro. As transações são concluídas em poucos segundos e o serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana.

Essa característica também faz com que uma ferramenta associada ao pagamento seja utilizada em uma enorme quantidade de situações cotidianas.

Quando uma funcionalidade é incorporada à rotina de milhões de brasileiros, problemas que parecem isolados podem ganhar uma dimensão relevante.

É justamente por isso que o Banco Central acompanha a evolução do sistema e avalia mudanças quando surgem novas formas de utilização que não estavam previstas originalmente.

Nesse caso, a preocupação é preservar a integridade do Pix e a qualidade da experiência do usuário.

O Pix vai acabar ou deixar de permitir mensagens?

Não.

A discussão sobre o campo de mensagens não representa uma ameaça ao funcionamento do Pix.

O Banco Central continua tratando o sistema como uma infraestrutura central dos pagamentos instantâneos no país. A discussão atual é específica sobre uma funcionalidade.

Também não há indicação, nas informações divulgadas pelo BC, de que todas as mensagens serão eliminadas.

Uma eventual regulamentação poderá estabelecer mecanismos para combater abusos, mas qualquer alteração deverá ser comunicada oficialmente pela autoridade responsável.

Por isso, o consumidor deve ter cuidado com manchetes que afirmem que “o Pix será proibido”, “as mensagens serão canceladas” ou que já existe uma mudança definitiva, quando não houver uma norma oficial respaldando a informação.

Quem pode ser afetado por uma eventual mudança?

A mudança, se for adotada, poderá atingir todos os usuários que utilizam o campo de mensagens nas operações Pix.

Isso inclui:

  • pessoas que fazem transferências entre familiares;
  • consumidores que pagam produtos e serviços;
  • trabalhadores autônomos;
  • empresas;
  • comerciantes;
  • prestadores de serviços.

Mas isso não significa que o usuário comum tenha motivo para preocupação.

Quem utiliza a mensagem para registrar a finalidade de um pagamento está fazendo justamente o uso esperado da ferramenta.

O foco do debate são situações de abuso.

Uma pessoa pode mandar ameaça pelo Pix?

O fato de uma mensagem ser enviada junto com uma operação financeira não transforma automaticamente o campo em um espaço permitido para ameaças ou outras condutas ilícitas.

O meio utilizado para transmitir uma mensagem não elimina possíveis consequências jurídicas do conteúdo.

Se uma pessoa utiliza uma transferência para mandar uma ameaça, o ideal é não apagar o registro da operação.

O destinatário deve preservar o máximo possível de informações que possam ajudar a demonstrar o que aconteceu.

O que fazer ao receber uma mensagem ofensiva?

Se o conteúdo for apenas desagradável, a pessoa pode optar por não responder e bloquear eventuais canais de contato disponíveis.

Se houver ameaça, perseguição, tentativa de extorsão ou outra situação potencialmente criminosa, o cuidado deve ser maior.

É recomendável guardar:

  • comprovante do Pix;
  • captura de tela da mensagem;
  • data e horário da transação;
  • valor enviado;
  • informações que aparecem sobre o remetente;
  • outras mensagens relacionadas ao episódio;
  • eventuais comprovantes de operações anteriores que ajudem a explicar o contexto.

Em situações graves, a pessoa deve procurar as autoridades competentes.

É possível usar um Pix de valor muito baixo para mandar uma mensagem?

É justamente esse tipo de comportamento que aparece entre as situações que motivaram a discussão.

Uma pessoa pode realizar uma transferência de valor mínimo e utilizar o campo de descrição para tentar enviar uma mensagem que não tem relação com o pagamento.

Na prática, isso transforma uma funcionalidade financeira em uma espécie de canal de contato não solicitado.

O problema é especialmente delicado quando existe perseguição ou repetição do comportamento.

Por isso, a discussão do Banco Central não trata simplesmente de mensagens “boas” ou “ruins”, mas de como evitar que uma ferramenta de pagamento seja usada para práticas abusivas.

O que pode mudar no Pix?

Ainda não é possível afirmar qual solução será adotada.

O Banco Central informou que avaliará as conclusões do trabalho desenvolvido no Fórum Pix e, se considerar necessário, poderá estabelecer medidas regulamentares.

Entre as possibilidades que podem ser discutidas estão mecanismos técnicos, regras de utilização ou outras formas de reduzir o abuso.

É importante, entretanto, separar possibilidades de decisões já tomadas.

Até que o BC publique uma regulamentação específica, não se deve afirmar que determinado mecanismo já será implantado.

Por que o Pix precisa de regras para acompanhar seu crescimento?

O sistema foi lançado em novembro de 2020 e cresceu rapidamente desde então.

Em seus primeiros anos, o Banco Central já identificava o Pix como o principal instrumento de pagamento eletrônico em quantidade de transações. No primeiro trimestre de 2022, por exemplo, o sistema já havia superado cartões de crédito e débito nesse critério.

Em relatório institucional, o Banco Central informou que, em 2023, o Pix foi responsável por aproximadamente 42 bilhões de transações, movimentando cerca de R$ 17,2 trilhões. Naquele momento, mais de 149 milhões de pessoas e 14,9 milhões de empresas já haviam utilizado o sistema.

O crescimento torna natural a necessidade de aperfeiçoamento constante.

Quanto maior a quantidade de usuários, transações e funcionalidades, maior também é a variedade de situações que precisam ser consideradas na regulamentação.

O Pix é seguro para fazer pagamentos?

O Banco Central apresenta o Pix como um sistema que conta com mecanismos de segurança e funciona em uma estrutura ampla, conectando diferentes instituições financeiras e de pagamento.

Isso, porém, não significa que todos os problemas relacionados ao uso do sistema possam ser eliminados.

Uma coisa é a segurança da infraestrutura da transação. Outra é o comportamento de uma pessoa que utiliza corretamente ou incorretamente uma funcionalidade disponível.

É possível, por exemplo, que alguém tente utilizar uma operação legítima para praticar um golpe ou assediar outra pessoa.

Por isso, segurança no Pix também depende de cuidados do usuário.

O que o consumidor deve fazer enquanto o BC analisa o assunto?

Por enquanto, não há necessidade de abandonar o uso do campo de mensagens.

A recomendação mais simples é utilizá-lo para a finalidade para a qual foi criado: identificar ou contextualizar o pagamento.

Evite colocar dados desnecessários, informações sensíveis ou conteúdos que possam gerar problemas posteriormente.

Também é importante desconfiar de mensagens recebidas junto a transferências inesperadas.

Se alguém enviar um valor desconhecido acompanhado de uma mensagem estranha, não é recomendável devolver o dinheiro para uma conta indicada pelo próprio remetente sem antes verificar a situação com o banco.

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Em casos de suspeita de golpe, o contato com a instituição financeira deve ser feito pelos canais oficiais.

Como uma eventual mudança pode afetar empresas?

Empresas também utilizam o campo de mensagens para organizar pagamentos.

Uma loja pode receber centenas de transferências diariamente e usar informações adicionais para identificar pedidos, clientes ou serviços.

Por isso, qualquer mudança precisa considerar também as necessidades comerciais.

Uma restrição muito ampla poderia dificultar usos legítimos. Ao mesmo tempo, deixar o recurso completamente sem mecanismos contra abusos pode permitir que ele continue sendo explorado de maneira inadequada.

O desafio regulatório é justamente encontrar um equilíbrio.

O que o relatório do Pix mostra sobre o uso das mensagens?

O tema não surgiu agora do ponto de vista histórico.

Em seu relatório sobre os primeiros anos do Pix, o Banco Central já analisava as mensagens enviadas pelos usuários e identificava padrões de utilização.

Na época, o levantamento mostrou que os termos mais comuns estavam relacionados a pagamentos de contas, boletos, aluguel, parcelas, além de bens e serviços como presentes, refeições, roupas, transporte e serviços pessoais.

Isso ajuda a compreender a finalidade original do recurso.

A mensagem foi pensada para acompanhar a transação, e não para substituir aplicativos de conversa.

A discussão atual surge justamente porque parte dos usuários encontrou uma utilização diferente daquela prevista.

O que acontece agora com as mensagens do Pix?

O próximo passo será a conclusão das discussões no Fórum Pix.

Depois disso, o Banco Central poderá avaliar se deve adotar alguma medida regulamentar.

Enquanto não houver uma decisão oficial, o funcionamento cotidiano do Pix permanece.

Para o usuário, portanto, a orientação é continuar utilizando o sistema normalmente e reservar o campo de mensagens para informações relacionadas ao pagamento.

Se uma pessoa receber ofensas ou ameaças vinculadas a uma transação, deve preservar as evidências e procurar os canais adequados para registrar a situação.

O que essa mudança pode representar para o futuro do Pix?

A discussão mostra que a evolução do Pix não envolve apenas novas funcionalidades.

Também é necessário adaptar o sistema aos comportamentos que surgem depois que determinada ferramenta passa a ser usada em larga escala.

O próprio Banco Central define o Pix como um sistema que deve continuar evoluindo para ampliar os casos de uso e atender às necessidades de pessoas, empresas e órgãos públicos.

Nesse contexto, corrigir usos inadequados faz parte do processo de amadurecimento da tecnologia.

O consumidor, por sua vez, não precisa interpretar a discussão como uma mudança radical no Pix.

A principal informação neste momento é que o Banco Central está estudando soluções para impedir que o campo de mensagens seja utilizado para ofensas, intimidações e ameaças, mas ainda não existe uma proibição geral das mensagens.

Perguntas frequentes sobre as mensagens do Pix

Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Banco Central proibiu as mensagens do Pix?

Não. O Banco Central está estudando medidas para combater o uso inadequado do campo de mensagens. Uma eventual mudança dependerá de avaliação e regulamentação posterior.

Por que o Banco Central quer mudar as mensagens do Pix?

A instituição identificou situações em que o campo criado para informações relacionadas ao pagamento passou a ser usado para conteúdos ofensivos, intimidatórios ou ameaçadores.

Posso continuar usando a mensagem ao fazer um Pix?

Sim. O campo continua podendo ser utilizado para informações relacionadas à transação. Não há, neste momento, uma proibição geral.

Posso receber uma ameaça pelo Pix?

É possível que alguém tente utilizar o campo de descrição de uma transação para enviar conteúdo ameaçador. Se isso acontecer, preserve o comprovante e a mensagem e procure as autoridades competentes conforme a gravidade do caso.

O que fazer se alguém enviar um Pix com uma mensagem ofensiva?

Guarde o comprovante, faça uma captura de tela da mensagem e preserve os dados da transação. Se houver ameaça, perseguição ou outra conduta potencialmente criminosa, procure orientação das autoridades.

O Pix vai deixar de funcionar?

Não. A discussão do Banco Central é específica sobre o uso inadequado do campo de mensagens e não representa o fim do Pix.

Quantas pessoas usam o Pix?

O sistema já alcançou centenas de milhões de usuários e se tornou o principal meio de pagamento eletrônico do país em quantidade de transações. Em 2023, o Banco Central registrava mais de 149 milhões de pessoas que já haviam utilizado o Pix.

O que fazer se receber um Pix inesperado?

Não devolva automaticamente o dinheiro para uma conta indicada em uma mensagem. Verifique a situação com sua instituição financeira e utilize os canais oficiais do banco para obter orientação

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