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Pix internacional avança no Banco Central com inteligência artificial contra fraudes

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 9 min de leitura
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O Pix deve passar por novas etapas de desenvolvimento nos próximos anos. O Banco Central (BC) prevê a ampliação do sistema de pagamentos instantâneos com novas funcionalidades, medidas de segurança e possibilidades de integração com soluções de pagamento utilizadas em outros países.

As diretrizes estão relacionadas à agenda de evolução do Pix apresentada pelo Banco Central no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, documento que reúne os principais resultados do sistema e as perspectivas para seu desenvolvimento.

Entre os projetos estão o avanço de pagamentos automáticos, novas alternativas de uso do Pix em operações financeiras e o fortalecimento dos mecanismos utilizados para identificar e combater fraudes.

A proposta é ampliar as possibilidades de utilização do sistema sem abandonar uma das características que ajudaram a popularizar o Pix no Brasil: a realização de pagamentos e transferências de forma rápida e com disponibilidade permanente.

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Pix pode avançar para pagamentos internacionais

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Uma das frentes estudadas pelo Banco Central envolve a possibilidade de ampliar a integração do Pix com sistemas de pagamentos internacionais.

A ideia está relacionada ao desenvolvimento de conexões entre diferentes infraestruturas de pagamentos instantâneos. Na prática, uma evolução desse tipo poderia facilitar transações entre pessoas e empresas de países diferentes.

Esse processo, entretanto, depende de aspectos técnicos, regulatórios e de acordos entre as instituições responsáveis pelos sistemas envolvidos. Portanto, a possibilidade de integração internacional não deve ser interpretada como uma mudança que já permite ao consumidor brasileiro fazer qualquer pagamento no exterior diretamente pelo Pix.

A expansão internacional faz parte de uma tendência observada em diferentes mercados, nos quais sistemas de pagamentos instantâneos nacionais procuram estabelecer conexões para facilitar transferências entre países.

Pix Automático amplia possibilidades de pagamentos recorrentes

Outra evolução importante é o Pix Automático, desenvolvido para permitir pagamentos recorrentes de forma automática.

A funcionalidade foi pensada para situações em que o consumidor possui cobranças periódicas, como contas de serviços, mensalidades, assinaturas e outros pagamentos recorrentes.

Em vez de precisar autorizar manualmente cada cobrança, o usuário pode conceder uma autorização prévia para que os pagamentos sejam realizados de acordo com as condições estabelecidas.

O funcionamento é diferente de simplesmente fazer um Pix comum todos os meses. A proposta é justamente automatizar a recorrência depois da autorização do cliente.

Isso pode reduzir a necessidade de utilizar o débito automático tradicional em determinadas situações, além de ampliar as possibilidades de cobrança para empresas e prestadores de serviços.

Novos usos do Pix podem chegar ao mercado de crédito

O Banco Central também trabalha na evolução do ecossistema do Pix para além dos pagamentos cotidianos.

Entre as possibilidades discutidas estão aplicações relacionadas ao mercado de crédito e ao uso de informações e mecanismos de pagamento em operações financeiras.

Nesse contexto, novas estruturas podem facilitar processos de cobrança, pagamentos e garantias. A expectativa é que soluções mais eficientes possam contribuir para reduzir custos operacionais em determinadas operações.

No entanto, isso não significa que todo consumidor terá automaticamente acesso a crédito mais barato por utilizar o Pix. O custo de um financiamento continua dependendo de fatores como risco da operação, instituição financeira, prazo, garantias e condições do contrato.

Segurança do Pix continuará entre as prioridades

O crescimento do Pix também aumentou a necessidade de mecanismos capazes de identificar operações fraudulentas com rapidez.

O Banco Central vem aperfeiçoando as ferramentas de segurança do sistema e estabelecendo procedimentos para que as instituições financeiras consigam detectar movimentações consideradas suspeitas.

A análise de risco pode considerar diferentes informações relacionadas à operação, como valores, horários, comportamento transacional e características da conta.

Nesse processo, instituições financeiras utilizam sistemas automatizados e técnicas de aprendizado de máquina para identificar padrões que possam indicar uma tentativa de fraude.

A tecnologia não significa que todo Pix será analisado por uma pessoa antes de ser concluído. Grande parte das verificações é realizada automaticamente pelos sistemas de segurança das instituições.

Inteligência artificial ajuda na identificação de movimentações suspeitas

O uso de inteligência artificial e modelos de aprendizado de máquina vem ganhando espaço nas ferramentas utilizadas pelo setor financeiro para prevenção de fraudes.

Esses sistemas conseguem analisar grandes volumes de informações em pouco tempo e procurar comportamentos diferentes daqueles normalmente associados a determinada conta.

Uma movimentação fora do padrão, por exemplo, pode receber uma avaliação de risco diferente de uma operação semelhante às transações habituais do cliente.

A análise automatizada permite que determinadas medidas de segurança sejam tomadas rapidamente, principalmente quando existe indício de fraude.

É importante destacar, porém, que inteligência artificial não elimina o risco de golpes. O usuário continua precisando verificar os dados do destinatário antes de confirmar uma transferência.

Bloqueio cautelar pode ajudar na prevenção de fraudes

O Pix possui mecanismos específicos para lidar com situações em que há suspeita de fraude.

Um deles é o bloqueio cautelar, que permite à instituição recebedora bloquear temporariamente os recursos quando identifica suspeita de fraude.

A medida possibilita uma análise mais detalhada da operação antes que o dinheiro seja disponibilizado definitivamente.

Esse mecanismo é diferente de simplesmente cancelar qualquer Pix considerado suspeito. A instituição precisa seguir os procedimentos determinados pelas regras do sistema.

Quando existe confirmação ou indício de fraude, outros mecanismos podem ser utilizados para tentar recuperar os recursos.

Mecanismo Especial de Devolução auxilia vítimas de fraude

Outro instrumento importante é o Mecanismo Especial de Devolução (MED).

Ele foi criado pelo Banco Central para facilitar a devolução de valores em determinadas situações de fraude envolvendo o Pix.

O mecanismo não funciona como uma espécie de seguro contra qualquer erro cometido pelo usuário. Existem critérios específicos para sua utilização.

Por isso, quem perceber uma transferência fraudulenta deve entrar em contato com a instituição financeira o mais rapidamente possível e informar o ocorrido.

A agilidade é importante porque os procedimentos de bloqueio e tentativa de recuperação dependem da disponibilidade dos recursos na conta que recebeu o dinheiro.

Banco Central também reforça regras contra uso indevido do Pix

A evolução do sistema não envolve apenas tecnologia. O Banco Central também vem aperfeiçoando as regras de funcionamento do Pix para combater diferentes formas de utilização indevida.

Entre os problemas identificados estão situações em que determinadas funcionalidades são utilizadas para incomodar, ameaçar ou constranger outras pessoas.

O campo destinado à identificação ou descrição de uma transferência, por exemplo, não deve ser utilizado para práticas abusivas.

A existência de uma ferramenta de pagamento instantâneo não dá ao usuário liberdade para utilizar o sistema com finalidade ilícita ou para praticar atos contra terceiros.

O que muda para quem usa Pix no dia a dia

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Para o consumidor, as mudanças previstas significam que o Pix deve continuar incorporando novas formas de pagamento e mecanismos de segurança.

Entre as principais frentes de evolução estão:

  • pagamentos recorrentes automatizados;
  • novas aplicações no mercado financeiro;
  • aprimoramento dos mecanismos de prevenção a fraudes;
  • uso crescente de inteligência artificial na análise de risco;
  • evolução dos mecanismos de devolução de valores;
  • possibilidade de maior integração com sistemas internacionais de pagamentos.

Nem todas essas iniciativas significam uma mudança imediata no aplicativo do banco. Algumas dependem de regulamentação, desenvolvimento tecnológico e adesão das instituições financeiras.

Usuário ainda precisa tomar cuidados contra golpes

Mesmo com o avanço dos mecanismos de segurança, o comportamento do consumidor continua sendo uma das principais barreiras contra golpes.

Antes de confirmar um Pix, é importante conferir o nome do recebedor, a instituição financeira e o valor da operação.

Também é recomendável desconfiar de mensagens que criam urgência para induzir a vítima a fazer uma transferência imediatamente.

Links recebidos por mensagens, redes sociais ou aplicativos de conversa devem ser tratados com cautela, especialmente quando solicitam informações bancárias ou códigos de autenticação.

Em caso de suspeita de fraude, o consumidor deve procurar imediatamente o banco responsável pela conta e informar o problema.

O Pix vai substituir o dinheiro e outros meios de pagamento?

Apesar da expansão de suas funcionalidades, o Pix não elimina automaticamente outros meios de pagamento.

Cartões, transferências tradicionais, débito automático e dinheiro em espécie continuam fazendo parte do sistema de pagamentos brasileiro.

O avanço do Pix ocorre principalmente pela ampliação das situações em que o sistema pode ser utilizado. Novas ferramentas podem tornar o pagamento instantâneo mais adequado para cobranças recorrentes, operações empresariais e outros serviços financeiros.

Assim, a tendência é de um ecossistema de pagamentos mais integrado, e não necessariamente da substituição imediata de todas as alternativas existentes.

Perguntas frequentes

O Pix vai funcionar no exterior?

O Banco Central trabalha na evolução e na possibilidade de integração do Pix com sistemas internacionais, mas isso não significa que todas as transações internacionais possam atualmente ser realizadas pelo Pix da mesma maneira que um pagamento doméstico.

O que é o Pix Automático?

É uma modalidade desenvolvida para permitir pagamentos recorrentes mediante autorização prévia do usuário. A ferramenta pode ser utilizada em cobranças periódicas, como assinaturas e contas.

A inteligência artificial já é usada para proteger o Pix?

Instituições financeiras utilizam sistemas automatizados e modelos de aprendizado de máquina para identificar padrões e sinais de risco. Essas ferramentas fazem parte das estratégias de prevenção a fraudes.

O que fazer se cair em um golpe pelo Pix?

O consumidor deve entrar em contato imediatamente com o banco e informar a fraude. A instituição poderá avaliar a utilização dos mecanismos disponíveis para tentativa de recuperação dos valores.

O Banco Central consegue cancelar qualquer Pix?

Não. Uma transferência já realizada não pode ser simplesmente cancelada em qualquer situação. Existem procedimentos específicos para casos de fraude, incluindo mecanismos de bloqueio e devolução previstos nas regras do sistema.

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