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Projeto pode garantir FGTS e 13º para estagiários; entenda

Projeto na Câmara amplia direitos de estagiários com FGTS, 13º e férias. Entenda impactos, regras atuais e próximos passos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
bolsa estágio (1)

A apresentação do Projeto de Lei 1714/2026, de autoria da deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), reacendeu um debate antigo no mercado de trabalho brasileiro: até que ponto o estágio tem sido utilizado como ferramenta de formação profissional — ou como alternativa mais barata à contratação formal.

O texto propõe mudanças significativas na Lei do Estágio (Lei nº 11.788/2008), incluindo a concessão de benefícios como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), 13º salário e férias remuneradas aos estagiários. A iniciativa surge em um contexto de críticas crescentes sobre a precarização das relações de trabalho envolvendo jovens.

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Como funciona o estágio hoje no Brasil

Atualmente, a legislação brasileira estabelece que o estágio não configura vínculo empregatício. Isso significa que empresas e órgãos públicos não são obrigados a cumprir encargos típicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Direitos atuais garantidos pela lei

Pela Lei nº 11.788/2008, os principais direitos dos estagiários são:

  • Bolsa-auxílio (obrigatória apenas para estágio não obrigatório)
  • Auxílio-transporte
  • Seguro contra acidentes pessoais
  • Jornada reduzida (máximo de 6 horas diárias, em regra)
  • Recesso remunerado de 30 dias a cada 12 meses

Apesar dessas garantias, o modelo tem sido questionado por especialistas, que apontam lacunas importantes na proteção social desses estudantes.

Ausência de vínculo e seus efeitos

A inexistência de vínculo empregatício permite maior flexibilidade para empresas, mas também abre espaço para distorções. Na prática, há casos em que estagiários desempenham funções equivalentes às de empregados formais, porém com menor custo e sem direitos trabalhistas completos.

Esse cenário é frequentemente citado por entidades estudantis e pesquisadores da área de trabalho e educação como um dos principais problemas da legislação atual.

O que muda com o PL 1714/2026

O projeto apresentado na Câmara dos Deputados propõe uma reformulação relevante na lógica do estágio no Brasil, aproximando os direitos dos estagiários daqueles garantidos aos trabalhadores regidos pela CLT.

Inclusão de benefícios trabalhistas

Entre as principais mudanças previstas estão:

  • Depósito de FGTS
  • Pagamento de 13º salário
  • Férias remuneradas nos moldes da CLT
  • Reforço na proteção contra abusos na contratação

A proposta busca criar um modelo híbrido, em que o estágio continue sendo uma atividade educacional, mas com maior proteção social.

Combate à substituição de empregos formais

Um dos pilares do projeto é enfrentar o uso indevido do estágio como substituição de mão de obra formal. Segundo a justificativa apresentada, há um movimento crescente de empresas que recorrem a estagiários para reduzir custos, o que pode afetar a geração de empregos formais.

A medida, portanto, tenta equilibrar dois objetivos:

  • Preservar o caráter educacional do estágio
  • Evitar distorções no mercado de trabalho

Impactos possíveis para estudantes e empresas

A eventual aprovação do projeto pode gerar efeitos diretos tanto para os estudantes quanto para as organizações que oferecem vagas de estágio.

Para os estudantes

Entre os principais impactos positivos estão:

  • Maior segurança financeira
  • Ampliação da proteção social
  • Redução da vulnerabilidade em contratos precários

Na prática, isso pode tornar o estágio mais atrativo e justo, especialmente para estudantes de baixa renda que dependem da bolsa para se manter.

Para as empresas

Por outro lado, especialistas apontam possíveis efeitos colaterais:

  • Aumento do custo de contratação de estagiários
  • Redução no número de vagas ofertadas
  • Revisão de programas de estágio

Empresas que utilizam o estágio como estratégia de formação podem precisar adaptar seus modelos, priorizando qualidade em vez de volume.

O que dizem especialistas e entidades

O debate sobre a reformulação da Lei do Estágio não é novo, mas ganhou força nos últimos anos com mudanças no mercado de trabalho e crescimento de modalidades mais flexíveis de contratação.

Visão de entidades estudantis

Organizações que representam estudantes defendem a atualização da legislação como forma de garantir condições mais dignas. Entre os principais argumentos estão:

  • Estágios que extrapolam o caráter educacional
  • Jornadas intensas sem contrapartida proporcional
  • Falta de proteção em situações de vulnerabilidade

Posição de especialistas em mercado de trabalho

Já analistas do mercado destacam a necessidade de cautela. Para eles, é importante evitar que o aumento de custos desestimule a oferta de vagas, especialmente em pequenas e médias empresas.

Há consenso, no entanto, de que o modelo atual precisa de ajustes para acompanhar a realidade contemporânea.

Comparação com a CLT

Um dos pontos centrais do projeto é aproximar o estágio das regras da CLT, mas sem equipará-lo completamente ao emprego formal.

Diferenças atuais

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Hoje, trabalhadores com carteira assinada têm acesso a:

  • FGTS
  • 13º salário
  • Férias com adicional de um terço
  • Seguro-desemprego
  • INSS

Enquanto isso, estagiários possuem um conjunto mais limitado de garantias.

Aproximação proposta

O PL 1714/2026 busca reduzir essa distância, incorporando alguns desses direitos sem descaracterizar o estágio como atividade educacional.

Tramitação do projeto

O texto ainda está em fase inicial na Câmara dos Deputados e deve passar por diferentes etapas antes de uma possível aprovação.

Etapas previstas

O projeto seguirá o seguinte caminho:

  1. Análise nas comissões temáticas
  2. Discussão e votação no plenário da Câmara
  3. Envio ao Senado Federal
  4. Sanção ou veto presidencial

Esse processo pode levar meses ou até anos, dependendo do ritmo de tramitação e do contexto político.

Contexto econômico e social

A discussão sobre os direitos dos estagiários ocorre em um momento de transformações no mercado de trabalho brasileiro, marcado por:

  • Crescimento do trabalho informal
  • Expansão de contratos flexíveis
  • Pressão por redução de custos nas empresas

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que jovens são um dos grupos mais afetados pelo desemprego e pela informalidade, o que reforça a relevância do tema.

O que esperar nos próximos meses

A tendência é que o projeto gere debates intensos entre diferentes setores:

  • Parlamentares
  • Empresas
  • Universidades
  • Entidades estudantis

A depender das negociações, o texto pode sofrer alterações antes de chegar à votação final.

Conclusão

O PL 1714/2026 coloca em pauta uma questão central para o futuro do trabalho no Brasil: como equilibrar formação profissional e proteção social. Ao propor a inclusão de direitos como FGTS e 13º salário, o projeto busca corrigir distorções históricas, mas também levanta desafios práticos para sua implementação.

Independentemente do desfecho, o debate sinaliza uma mudança importante na forma como o estágio é visto no país — deixando de ser apenas uma etapa de aprendizado para se tornar também uma relação que exige maior responsabilidade e equilíbrio entre as partes envolvidas.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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