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Nova lei dos entregadores por app gera polêmica; veja o que pode mudar

Projeto de lei dos entregadores divide especialistas. Veja impactos para trabalhadores, iFood e pequenos negócios no Brasil.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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O Brasil vive um momento decisivo na regulamentação do trabalho por aplicativos. O chamado Projeto de Lei (PL) dos entregadores tem gerado discussões intensas entre empresas, especialistas e os próprios trabalhadores da chamada “economia de plataformas”.

Durante esse debate, o CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou que o projeto apresenta pontos contraditórios e pode gerar efeitos inesperados tanto para entregadores quanto para pequenos empreendedores.

A proposta busca garantir direitos básicos, mas levanta dúvidas sobre o equilíbrio entre proteção social e manutenção da flexibilidade — um dos principais atrativos desse modelo de trabalho.

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O que prevê o projeto de lei dos entregadores

O PL em discussão pretende criar um marco regulatório para trabalhadores de aplicativos, estabelecendo regras mínimas para a atividade.

Principais pontos da proposta

  • Contribuição previdenciária com participação das plataformas
  • Obrigatoriedade de seguro para acidentes
  • Definição de regras de remuneração mínima
  • Possíveis ajustes na jornada de trabalho

A ideia central é oferecer maior segurança e proteção social aos entregadores, sem necessariamente transformá-los em trabalhadores com carteira assinada.

As três principais demandas dos entregadores

Segundo o CEO do iFood, os próprios trabalhadores deixam claro o que esperam do setor.

Flexibilidade continua sendo prioridade

A possibilidade de trabalhar sem horários fixos é um dos principais atrativos. Muitos entregadores utilizam a atividade para conciliar:

  • Cuidados com filhos
  • Estudos
  • Outras fontes de renda

Esse modelo permite maior autonomia, algo que poderia ser afetado por regras mais rígidas.

Previsibilidade de renda

Outra demanda importante é saber quanto será possível ganhar ao longo do dia ou da semana.

A ausência de previsibilidade dificulta o planejamento financeiro, especialmente em um cenário de inflação e custo de vida elevados.

Remuneração justa e segurança

Além da renda, os entregadores também buscam:

  • Ganhos compatíveis com o esforço
  • Proteção contra acidentes
  • Condições mínimas de trabalho

Nesse ponto, o projeto de lei traz avanços importantes, como a obrigatoriedade de seguro.

Onde o projeto gera controvérsias

Apesar dos avanços, especialistas apontam que o texto pode gerar efeitos colaterais relevantes.

Risco de perda de flexibilidade

Se a regulamentação se aproximar de um modelo tradicional de trabalho, pode reduzir a autonomia dos entregadores — justamente o que muitos valorizam.

Aumento de custos para plataformas e parceiros

A inclusão de encargos pode elevar os custos operacionais das empresas, o que tende a ser repassado para:

  • Restaurantes
  • Comerciantes
  • Consumidores finais

Esse efeito já é observado em outros setores quando há aumento de custos trabalhistas.

Impacto direto nos pequenos restaurantes

Um dos pontos mais sensíveis do debate envolve os pequenos negócios, que representam a maior parte do setor de alimentação no Brasil.

Estrutura enxuta e margens apertadas

Segundo dados apresentados pelo CEO do iFood:

  • Cerca de 70% dos restaurantes são pequenos
  • Muitos operam com equipes reduzidas
  • Grande parte é liderada por mulheres

Esses estabelecimentos já enfrentam desafios como:

  • Juros altos
  • Dificuldade de acesso a crédito
  • Aumento de custos operacionais

Possíveis consequências do PL

Com a elevação de custos, os restaurantes podem ter que tomar decisões difíceis:

  • Aumentar preços
  • Reduzir dias de funcionamento
  • Diminuir equipe
  • Absorver prejuízos

Em todos os cenários, há impacto direto no consumidor e na sustentabilidade do negócio.

Fim da escala 6×1 pode agravar custos

Outro tema discutido em paralelo é o possível fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso), que pode impactar diretamente o setor.

Aumento de despesas operacionais

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Estudos apontam que a mudança poderia elevar os custos em até 25% para pequenos restaurantes.

Isso ocorre porque:

  • Será necessário contratar mais funcionários
  • Ou redistribuir jornadas com maior custo

Para negócios com margens apertadas, essa mudança pode ser decisiva.

Equilíbrio entre dignidade e geração de renda

O debate sobre o PL dos entregadores envolve um dilema central: como garantir direitos sem comprometer a geração de renda.

Dois pilares essenciais

  • Proteção social e dignidade do trabalhador
  • Sustentabilidade econômica das empresas

Segundo especialistas, a solução precisa considerar ambos os lados para evitar efeitos negativos no mercado.

O papel do governo e da regulação

A regulamentação do trabalho por aplicativos é um desafio global. No Brasil, órgãos como o Congresso Nacional do Brasil têm papel fundamental na construção de um modelo equilibrado.

A tendência é que o país busque um formato híbrido, que preserve a flexibilidade, mas garanta direitos básicos.

O que pode mudar para entregadores e consumidores

Caso o projeto avance, os impactos devem ser sentidos em diferentes níveis.

Para entregadores

  • Maior proteção e segurança
  • Possível redução de flexibilidade
  • Mudanças na forma de remuneração

Para consumidores

  • Possível aumento nos preços de delivery
  • Alterações na disponibilidade de serviços
  • Mudanças na dinâmica de entrega

Para empresas

  • Aumento de custos operacionais
  • Necessidade de adaptação ao novo modelo
  • Revisão de estratégias de negócio

Conclusão: um debate que exige equilíbrio

O PL dos entregadores representa um passo importante na tentativa de modernizar as relações de trabalho no Brasil. No entanto, o desafio está em encontrar um equilíbrio entre direitos e viabilidade econômica.

A discussão ainda deve evoluir, com ajustes no texto e participação de diferentes setores. O resultado final terá impacto direto na rotina de milhões de brasileiros — desde entregadores até consumidores e pequenos empreendedores.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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