A greve no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já dura dois meses e tem causado sérios transtornos à população brasileira. Com quatro mil perícias médicas presenciais remarcadas e cem mil pessoas sem atendimento nas agências da Previdência Social, o impacto da paralisação é evidente.
Por que a greve do INSS ainda não foi encerrada?
Descubra por que, mesmo após um acordo proposto pelo governo, a greve dos servidores do INSS persiste. Entenda as razões por trás da continuidade da paralisação
O número de pedidos de reconhecimento inicial de direitos subiu de 1.353.910 para 1.506.608, um aumento de 11,27%. Mesmo após a proposta de acordo do governo, a greve persiste. Este artigo explora os motivos pelos quais a paralisação continua, apesar do recente acordo entre o governo e alguns sindicatos.
Leia mais: Governo faz acordo com servidores do INSS pelo fim da greve
O Contexto da Greve
O Impacto da Greve
Desde que a greve começou em 10 de julho, o atendimento do INSS foi severamente prejudicado. Os serviços essenciais, como a análise e concessão de benefícios, e os atendimentos presenciais estão comprometidos. A situação se agravou com o aumento no número de pedidos de reconhecimento de direitos, refletindo a crescente frustração dos cidadãos com a falta de atendimento.
O Acordo Proposto
Na última semana, o governo apresentou uma proposta para encerrar a greve. A oferta inclui um reajuste salarial parcelado, reestruturação das carreiras e a implementação de pontos acordados em negociações anteriores.
No entanto, o acordo foi firmado apenas com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Esse fator é crucial para entender por que a greve continua.

A Reação dos Sindicatos
A Divergência de Representantes
A principal razão para a continuidade da greve é a discordância entre os sindicatos. A CNTSS, que representa uma parte dos servidores, aceitou o acordo.
No entanto, a maioria dos trabalhadores do INSS é representada por outros sindicatos, como a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) e o Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social (Sindsprev).
Esses sindicatos não reconhecem a validade do acordo e, portanto, não encerraram a greve.
A Falta de Comunicação e Formalização
Os sindicatos opositores alegam que a proposta do governo não foi formalmente comunicada a eles e, portanto, não puderam avaliar ou aceitar o acordo. Moacir Lopes, diretor-presidente da Fenasps, declarou que a categoria decidiu manter e até ampliar a greve após o anúncio do acordo, pois não houve formalização de uma nova proposta que atendesse às suas pautas.
Ele afirmou que o governo rompeu o processo de negociação ao assinar um acordo com outra entidade sem atender às demandas da federação.
As Propostas do Governo
Detalhes das Propostas
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) fez duas propostas distintas aos servidores do INSS:
- Primeira Proposta: Inclui a ampliação da tabela remuneratória e o reposicionamento dos servidores atuais. Esta proposta visa ajustar a tabela de salários e melhorar a remuneração dos servidores em diferentes níveis;
- Segunda Proposta: Propõe a transformação de percentuais do Adicional por Tempo de Serviço (ATS) em valores nominais, a incorporação da Gratificação de Atividade Executiva (GAE) ao vencimento básico e a criação de novos padrões nas classes A e Especial. Esta proposta também inclui a regulamentação do Comitê Gestor da Carreira, que começará a atuar a partir de outubro de 2024.
Alterações na Lei
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O governo também se comprometeu a alterar a Lei 10.855/2004, substituindo a expressão “privativa” por “exclusiva”, o que garante atribuições específicas à carreira do Seguro Social dentro do INSS. Essas mudanças são vistas como passos importantes para a reestruturação da carreira dos servidores.
O Desenrolar da Situação
A Persistência da Greve
A persistência da greve pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a falta de uma comunicação clara e eficaz entre o governo e os sindicatos. Os sindicatos que não aceitaram o acordo argumentam que suas demandas não foram suficientemente atendidas e que o processo de negociação foi comprometido pela assinatura de um acordo com outra entidade.
Possíveis Soluções
Para resolver a crise, é fundamental que o governo retome as negociações com todos os sindicatos envolvidos. A comunicação transparente e a inclusão das pautas de todos os grupos sindicais são essenciais para alcançar um acordo que seja aceitável para a maioria dos trabalhadores.
Além disso, a formalização das propostas e a garantia de que todos os representantes recebam as informações necessárias podem ajudar a resolver o impasse.

Considerações Finais
A greve no INSS reflete um cenário de complexidade nas negociações entre o governo e os sindicatos. Embora um acordo tenha sido proposto, a falta de consenso entre as diferentes entidades sindicais e a comunicação inadequada foram fatores cruciais para a continuidade da paralisação.
A situação exige uma abordagem mais inclusiva e transparente para garantir que todas as partes sejam ouvidas e que um acordo satisfatório possa ser alcançado.
Imagem: SERGIO V S RANGEL/shutterstock.com
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