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Por que o BC decidiu manter juros em 15% mesmo com sinais positivos da inflação

O Banco Central (BC) manteve a Selic em 15% ao ano, destacando riscos persistentes para a inflação e adotando postura cautelosa.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
selic bc

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano na última quarta-feira (17). Esta é a segunda manutenção consecutiva desde a interrupção do ciclo de aperto monetário em julho, confirmando a postura de cautela da autoridade monetária diante de sinais positivos na inflação.

Cenário econômico atual e decisões do Copom

Copom selic bc
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

O Copom destacou que os riscos para a inflação permanecem elevados, tanto no sentido de alta quanto de baixa. Entre os fatores que podem pressionar os preços para cima, estão a desancoragem das expectativas inflacionárias, a resiliência da inflação de serviços e a influência de políticas econômicas externas e internas, especialmente em um contexto de taxa de câmbio depreciada.

Leia mais: Selic parada em 15%? Copom decide nesta quarta-feira

Por outro lado, elementos que podem reduzir a inflação incluem desaceleração mais intensa da atividade econômica doméstica, recuo global mais pronunciado e queda nos preços de commodities.

Riscos inflacionários destacados

Desancoragem das expectativas de inflação

O Banco monitora atentamente se as expectativas de inflação permanecem alinhadas à meta. Caso essas expectativas se afastem por um período prolongado, pode haver impacto direto nos preços de bens e serviços, exigindo ações preventivas de política monetária.

Inflação de serviços e hiato do produto

Apesar de sinais de estabilização, a inflação de serviços tem se mostrado mais resistente que o esperado, refletindo um hiato do produto mais positivo e pressões persistentes sobre salários e custos internos.

Impactos da política econômica externa e câmbio

A combinação de políticas fiscais e monetárias internacionais, bem como flutuações cambiais, pode afetar a inflação de forma inesperada. Um câmbio persistentemente depreciado tende a pressionar preços.

Fatores que podem reduzir a inflação

Desaceleração da atividade econômica

Se a economia doméstica desacelerar de forma mais intensa do que o projetado, a demanda por bens e serviços poderá cair, contribuindo para um efeito desinflacionário.

Cenário global incerto

O Banco Central observa que choques comerciais internacionais e maior incerteza econômica global podem desacelerar o crescimento mundial, impactando os preços internos.

Queda nos preços das commodities

A redução nos valores das commodities tem efeito direto sobre a inflação, especialmente nos setores de alimentos e energia, oferecendo um respiro para o controle de preços.

Revisão das projeções de inflação

O Copom revisou levemente suas estimativas de inflação, prevendo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 4,8% no final de 2025, ante 4,9% previstos anteriormente. A modesta revisão confirma a tendência de desaceleração, mas não elimina os riscos que sustentam a cautela.

A decisão da manutenção da Selic também está alinhada com as expectativas do mercado, segundo o boletim Focus, que compila semanalmente projeções de analistas e instituições financeiras.

Perspectivas de corte de juros

De acordo com a mediana dos agentes econômicos, a taxa Selic só deve sofrer o primeiro corte na reunião do Copom em 28 de janeiro de 2026. A previsão é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75%. Até lá, a autoridade monetária permanece atenta a alterações no cenário econômico e inflacionário que possam demandar ajustes antecipados.

Selic no maior patamar desde 2006

Imagem: Freepik e Canva

Com a manutenção da taxa em 15%, a Selic permanece no maior patamar desde 2006, período marcado por pressões inflacionárias elevadas. Desde julho, o Banco Central adotou postura de espera, mantendo o patamar de juros elevado, mas sem novas altas, em resposta a indicadores de desaceleração da inflação e ao contexto econômico global.

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O objetivo é avaliar se a manutenção prolongada da Selic em nível contracionista será suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional.

Política monetária em patamar contracionista

O Banco Central reforçou que seguirá vigilante e poderá retomar o ciclo de ajustes caso julgue necessário. A postura é estratégica: manter juros elevados por mais tempo evita que pressões inflacionárias inesperadas comprometam o poder de compra da população e a estabilidade econômica

FAQ – Perguntas frequentes

O que é a Selic?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada pelo Banco Central para controlar a inflação e influenciar o crédito e o consumo.

Por que o Banco Central manteve a Selic em 15%?
Apesar de sinais de desaceleração da inflação, o Banco Central destacou riscos elevados, incluindo expectativas desancoradas, inflação de serviços e impactos do câmbio, justificando cautela.

Quando devem cortar os juros?
Segundo o boletim Focus, o primeiro corte é esperado para a reunião do Copom em 28 de janeiro de 2026, reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual.

Qual o efeito da Selic alta na economia?
Juros elevados tornam o crédito mais caro, estimulam investimentos em renda fixa e ajudam a controlar a inflação, mas podem frear o consumo e a atividade econômica.

A decisão afeta o mercado internacional?
Sim. Enquanto o Brasil mantém juros elevados, outras economias podem reduzir taxas, impactando fluxo de capitais e câmbio, além de comparações de atratividade de investimentos.

Considerações finais

A decisão de manter a Selic em 15% reflete a complexidade do cenário econômico brasileiro, marcado por sinais positivos de inflação, mas ainda permeado por incertezas internas e externas. A cautela do Copom é uma estratégia para assegurar que a inflação permaneça sob controle sem comprometer a atividade econômica.

A perspectiva de cortes graduais só será avaliada conforme novos dados sobre inflação, atividade econômica e câmbio se consolidarem, mantendo o compromisso da autoridade monetária com a estabilidade de preços e previsibilidade para o mercado.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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