Quem tem R$ 1.000 para investir em 2026 se depara com uma dúvida antiga: deixar na poupança, aplicar num CDB ou comprar Tesouro Direto? A resposta não é a mesma para todo mundo — e depende do seu objetivo, do prazo que você pode esperar e do quanto de risco você aceita. Com a Selic ainda em patamar elevado, a diferença de rendimento entre essas três opções ficou mais visível do que nunca.
Este comparativo foi feito para quem está começando a investir ou quer migrar a reserva de emergência para algo que renda mais. Vamos direto aos números, às regras e ao que realmente muda no bolso de quem aplica hoje.
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O que é cada um desses investimentos
Antes de comparar, vale entender o que você está escolhendo:
- Poupança: aplicação tradicional dos bancos, garantida pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até R$ 250 mil por CPF por instituição. Não tem imposto de renda.
- CDB (Certificado de Depósito Bancário): empréstimo que você faz ao banco. Também coberto pelo FGC até R$ 250 mil. Tem incidência de Imposto de Renda regressivo (de 22,5% a 15%, dependendo do prazo).
- Tesouro Direto: títulos emitidos pelo governo federal, negociados pela plataforma do Tesouro Nacional. Considerado o investimento mais seguro do Brasil. Cobra IR regressivo e taxa de custódia de 0,20% ao ano para patrimônios acima de R$ 10 mil.
Como a poupança rende em 2026
A regra da poupança mudou em 2012. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano — como ocorre em 2026 —, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Com a TR próxima de zero nos últimos anos, o rendimento efetivo fica em torno de 6% ao ano.
Com R$ 1.000 aplicados, isso significa aproximadamente R$ 60 no ano — antes de considerar a inflação. Se o IPCA estiver acima disso, você perde poder de compra mesmo “ganhando” na poupança.
A grande vantagem da poupança é a liquidez diária (com aniversário mensal) e a isenção de IR. Mas em termos de rendimento puro, ela costuma perder para as demais opções quando a Selic está alta.
CDB: qual taxa buscar para valer a pena
Os CDBs são vendidos como percentual do CDI — o índice que acompanha de perto a Selic. Um CDB a 100% do CDI com Selic a 14,75% ao ano rende cerca de 14,65% brutos antes do IR.
Descontando o IR de 20% (prazo entre 6 meses e 1 ano) sobre o rendimento, o retorno líquido fica em torno de 11,72% ao ano. Com R$ 1.000, isso representa aproximadamente R$ 117,20 no período — quase o dobro da poupança.
O ponto de atenção: CDBs de bancos pequenos tendem a oferecer taxas maiores (110%, 120% do CDI) justamente para atrair clientes. Eles são cobertos pelo FGC, mas vale checar a solidez da instituição antes de aplicar. CDBs de grandes bancos costumam pagar taxas menores — às vezes abaixo de 90% do CDI.
Prazo e liquidez no CDB
Muitos CDBs têm carência — ou seja, você não pode resgatar antes do vencimento sem perdas. Antes de aplicar, confirme se o produto tem liquidez diária ou data de vencimento fixa. Para reserva de emergência, prefira CDBs com liquidez diária, mesmo que a taxa seja um pouco menor.
Tesouro Direto: as opções para 2026
O Tesouro Nacional oferece diferentes tipos de título. Para quem tem R$ 1.000, as principais opções são:
- Tesouro Selic: acompanha a taxa Selic diariamente. É o mais indicado para reserva de emergência, pois tem baixa volatilidade e liquidez garantida pelo governo.
- Tesouro IPCA+: paga a inflação mais uma taxa prefixada. Ideal para objetivos de médio e longo prazo (aposentadoria, por exemplo). Pode ter oscilação de preço no curto prazo.
- Tesouro Prefixado: taxa fixa definida no momento da compra. Funciona bem se as taxas caírem no futuro. Mais arriscado para quem pode precisar resgatar antes do vencimento.
O Tesouro Selic é o mais comparável à poupança e ao CDB de liquidez diária. Com Selic a 14,75%, ele rende próximo de 14,5% ao ano bruto. Descontando IR (15% para prazos acima de 2 anos) e a taxa de custódia de 0,20%, o rendimento líquido fica em torno de 11,5% a 11,8% ao ano — superior à poupança e equivalente ou superior a muitos CDBs de grandes bancos.
Comparativo direto: R$ 1.000 por 12 meses
Veja uma estimativa de rendimento com R$ 1.000 aplicados por 12 meses em cada opção, considerando Selic a 13,75% ao ano:
- Poupança: R$ 60,00 líquidos (aprox.)
- CDB 100% CDI com IR de 20%: R$ 117,20 líquidos (aprox.)
- Tesouro Selic com IR de 20% e custódia: R$ 115,50 líquidos (aprox.)
- CDB 110% CDI com IR de 20%: R$ 128,90 líquidos (aprox.)
Atenção: esses números são estimativas com base nas taxas vigentes no início de 2026. O rendimento real pode variar conforme oscilações da Selic ao longo do ano.
Qual escolher para cada objetivo
Não existe resposta única. A escolha depende do que você quer fazer com o dinheiro:
- Reserva de emergência (precisa de liquidez imediata): Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. A poupança também serve, mas rende menos.
- Guardar para uma compra em 1 ou 2 anos: CDB com vencimento no prazo desejado ou Tesouro Prefixado, se as taxas estiverem boas.
- Proteger contra inflação no longo prazo: Tesouro IPCA+ com vencimento alinhado ao seu objetivo.
Riscos que você precisa conhecer
Tanto a poupança quanto o CDB são protegidos pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição. O Tesouro Direto não precisa do FGC porque é garantido pelo governo federal — o emissor dos títulos é o próprio Tesouro Nacional.
O risco do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+ está na marcação a mercado: se você precisar vender antes do vencimento, pode receber menos do que investiu. Para quem vai manter até o vencimento, esse risco não existe.
Como o Banco Central e o Tesouro Nacional regulam essas aplicações
O Banco Central define a taxa Selic, que influencia diretamente o rendimento das três opções. O Tesouro Nacional administra os títulos públicos pela plataforma tesourodireto.gov.br. Os CDBs são regulados pelo Banco Central e pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A proteção do FGC é regulada pelo próprio fundo, vinculado ao Banco Central.

