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BBAS3 em baixa: XP e JPMorgan mantêm visão pessimista sobre ações do Banco do Brasil

Desde a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2025 (1T25), o mercado financeiro vem demonstrando crescente desconfiança em relação ao desempenho do Banco do Brasil (BBAS3). E a expectativa para o segundo trimestre, que será divulgado em 13 de agosto, segue desfavorável. Relatórios recentes da XP Investimentos e do JPMorgan reforçam esse sentimento de cautela.

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celular com logo da XP Investimentos na tela, ao lado uma calculadora
Imagem: Brenda Rocha Blossom / shutterstock.com

Revisão para baixo: XP alerta para deterioração

Estimativas mais conservadoras para o trimestre

Em análise assinada pelos analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, a XP Investimentos alertou que há riscos de nova decepção com os resultados do Banco do Brasil no 2T25. A corretora revisou para baixo sua estimativa de lucro líquido para o trimestre, de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,4 bilhões. Também foi reduzida a previsão para todo o ano de 2025, de R$ 28,2 bilhões para R$ 26,0 bilhões, o que representa uma queda de 8%.

Essa revisão foi motivada por:

  • Suspensão do guidance oficial do banco;
  • Deterioração na qualidade do crédito, especialmente no agronegócio;
  • Indicadores operacionais abaixo do esperado, com impacto na inadimplência e provisões.

Expectativa de estabilidade na carteira de crédito

Apesar de a carteira total de empréstimos do BB ter crescido 12,5% ano a ano no 1T25, a XP projeta estagnação sequencial no 2T25. A expectativa é de crescimento anual de 8% sobre o 2T24, ainda dentro do guidance de 5,5% a 9,5%, mas sem avanço na base trimestral.

Receita líquida de juros e provisões

A receita líquida de juros (NII) deve crescer apenas 2,4% em relação ao trimestre anterior, refletindo o novo cenário de juros mais altos e uma liquidez restaurada. Por outro lado, a inadimplência no setor agropecuário deve continuar pressionando os resultados e exigindo mais provisões, o que impacta diretamente a rentabilidade.

Sentimento do mercado: JPMorgan aponta pessimismo generalizado

BBAS3 isolada como a mais evitada

Em visita recente a gestores em São Paulo e no Rio de Janeiro, o JPMorgan identificou um sentimento amplamente negativo em relação à BBAS3. A maioria dos investidores demonstrou estar evitando ou vendendo ações do Banco do Brasil.

Os motivos para essa postura incluem:

  • Ciclo de inadimplência do agro ainda em andamento;
  • Preocupação com a duração da deterioração nos ativos;
  • Pouca visibilidade sobre reversão da tendência negativa.

Mesmo os poucos otimistas apontaram que o interesse short (posições vendidas) elevado e o baixo múltiplo (0,7x o valor patrimonial) poderiam sinalizar uma oportunidade futura, mas sem indicações claras de timing.

Comparativo com outros bancos

Bradesco (BBDC4)

bradesco
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

O Bradesco surge como “aposta beta” entre os investidores, ou seja, uma opção de maior volatilidade, mas com chance de recuperação em um ciclo de queda de juros ou contexto eleitoral. Há preocupações com:

  • Qualidade de ativos;
  • Provisões elevadas;
  • Valuation acima do valor patrimonial;

Ainda assim, parte do mercado vê potencial de ganhos no curto prazo.

Itaú (ITUB4)

O Itaú é visto como banco mais sólido, mas com valuation elevado. Segundo o JPMorgan, alguns gestores estão migrando de ITUB4 para outras opções como BTG Pactual (BPAC11) ou Itaúsa (ITSA4), que permitem exposição ao Itaú com múltiplos mais baixos.

Santander (SANB11)

O Santander enfrenta um momentum mais fraco, com investidores preocupados com inadimplência no segmento de crédito para automóveis. Além disso, a menor liquidez das ações limita o interesse. Um ponto positivo é a percepção de que o risco de deslista é um suporte para o valor dos múltiplos.

Preço-alvo e recomendação

XP mantém postura neutra

A XP atualizou seu modelo de avaliação para refletir:

  • Premissas mais conservadoras de qualidade de ativos;
  • Dividendos menores para preservar capital;
  • Perspectivas macroeconômicas menos favoráveis.

O preço-alvo para BBAS3 ao final de 2026 é de R$ 32 por ação, com recomendação neutra.

O que esperar do balanço do 2T25?

Banco do Brasil bb
Imagem: Freepik e Canva

Resultados serão divulgados em 13 de agosto

O mercado estará atento ao relatório trimestral do Banco do Brasil, que trará os dados oficiais do 2T25. Entre os indicadores mais aguardados estão:

  • Crescimento da carteira de crédito;
  • Inadimplência total e setorial;
  • Provisões para perdas;
  • NII e margem financeira;
  • Rentabilidade e lucro líquido.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital