O governo federal anunciou a abertura de processos administrativos contra apps de transporte e entrega que não estariam cumprindo regras de transparência na formação dos preços cobrados dos consumidores.
Governo prepara medidas contra apps de delivery
Governo abre processo contra apps como Uber e iFood por falta de transparência na divisão de preços. Multas podem chegar a R$ 14 milhões.
O anúncio foi feito pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que afirmou que as plataformas poderão ser multadas em até R$ 14 milhões caso não se adequem às exigências da Portaria nº 61/2026.
A medida amplia o debate sobre como grandes plataformas digitais formam seus preços e qual parte do valor pago pelo consumidor fica com motoristas, entregadores, restaurantes e com as próprias empresas.
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Regras de transparência na prática
A Portaria nº 61/2026 estabelece diretrizes para que plataformas de transporte individual e entrega de bens — como corridas e delivery de comida — informem de forma clara a divisão do valor pago pelo consumidor.
Na prática, isso significa que o usuário deve conseguir visualizar:
- Quanto vai para o motorista ou entregador
- Quanto fica com o estabelecimento (no caso de restaurantes)
- Quanto é retido pela plataforma
A regra se aplica a serviços amplamente utilizados no Brasil, incluindo transporte por aplicativo e delivery de refeições.
Segundo o governo, o objetivo é garantir maior clareza sobre a cadeia de remuneração dentro da economia digital, que cresceu rapidamente nos últimos anos.
Quem está sendo fiscalizado pelo governo
Monitoramento de 11 plataformas
De acordo com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), 11 plataformas foram monitoradas desde a publicação da portaria.
O secretário da Senacon, Ricardo Morishita, afirmou que apenas duas empresas teriam cumprido integralmente as exigências até o momento.
Plataformas citadas no processo
Entre os principais nomes envolvidos estão:
- Uber
- 99
- iFood
- Keeta
Segundo o governo, Uber e 99 teriam atendido às exigências, enquanto iFood e Keeta não estariam cumprindo integralmente a norma e serão notificadas.
Outras sete plataformas seguem sob análise técnica.
Como funcionaria a transparência dos preços
Exemplo prático no dia a dia do consumidor
Para entender o impacto da medida, basta observar um pedido comum de delivery:
Hoje, o consumidor vê apenas o valor final, por exemplo, R$ 50 em um pedido de comida.
Com a nova regra, esse valor deveria ser detalhado da seguinte forma:
- R$ X para o restaurante
- R$ Y para o entregador
- R$ Z retido pela plataforma
O mesmo modelo valeria para corridas por aplicativo, como deslocamentos urbanos.
Objetivo da medida
Segundo o governo, a intenção é aumentar a transparência e permitir que o consumidor compreenda como o preço final é formado, algo que hoje não é totalmente visível.
Possíveis sanções e prazos para defesa
Multas de até R$ 14 milhões
As empresas notificadas poderão sofrer sanções que incluem multas de até R$ 14 milhões, dependendo da gravidade e da persistência do descumprimento.
Após a notificação, as plataformas têm prazo de 20 dias para apresentar defesa administrativa.
O que dizem as empresas
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Posicionamento do iFood e da Keeta
A Keeta afirmou que já apresenta no recibo ao consumidor o valor total pago e a divisão entre plataforma, entrega (incluindo gorjetas) e estabelecimento.
A empresa declarou ainda compromisso com transparência e diálogo com autoridades.
Após essa manifestação, a Senacon respondeu que, em análise preliminar, entende que a empresa ainda não cumpre integralmente a portaria e seguirá com o processo sancionador.
Base legal: proteção ao consumidor no Brasil
Código de Defesa do Consumidor como referência
A medida está alinhada ao Código de Defesa do Consumidor (CDC), que garante o direito à informação clara e adequada sobre produtos e serviços.
No ambiente digital, esse princípio vem sendo ampliado para plataformas tecnológicas, que passaram a exercer papel central na intermediação de serviços.
Impactos no mercado de aplicativos no Brasil

Maior pressão regulatória sobre plataformas digitais
O Brasil tem ampliado a regulação de grandes plataformas digitais, especialmente em setores como mobilidade urbana e delivery.
Especialistas apontam que a exigência de transparência pode gerar:
- Ajustes nos modelos de negócio
- Maior concorrência entre plataformas
- Pressão por revisão de taxas e comissões
Efeitos para consumidores e trabalhadores
Do ponto de vista do consumidor, a medida pode aumentar a clareza sobre preços.
Já para motoristas, entregadores e restaurantes, a mudança pode trazer maior visibilidade sobre quanto recebem efetivamente por serviço prestado.
Imagem: Reprodução
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