Os principais bancos do país esperam que o Banco Central do Brasil inicie já em março um ciclo de redução da taxa básica de juros, com corte de 0,5 ponto percentual na Selic. A avaliação consta na mais recente Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada no dia 18.
O levantamento foi realizado entre 3 e 9 de fevereiro, após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e ouviu 21 instituições financeiras.
Na reunião de janeiro, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano. Para 76,2% dos bancos consultados, a decisão foi adequada, assim como a sinalização de que o processo de flexibilização monetária pode começar no próximo encontro.
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Selic deve encerrar 2026 abaixo de 12,25%
Segundo o estudo, pouco mais de 60% das instituições projetam que a Selic terminará 2026 abaixo de 12,25%. A expectativa reforça a percepção de que o atual patamar de 15% representa o ponto máximo do ciclo de aperto monetário.
Na prática, uma trajetória de queda da Selic tende a impactar:
- Taxas de financiamento imobiliário
- Crédito consignado
- Empréstimos pessoais
- Custo do capital para empresas
Para o consumidor, a redução dos juros pode significar alívio gradual nas parcelas e maior acesso ao crédito. Para empresas, pode estimular investimentos e contratações.
PIB de 2026: consenso perde força
As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) também passaram por ajustes. A fatia de bancos que estimava crescimento de 1,8% em 2026 — considerado o consenso do mercado — recuou de 55% em dezembro para 38,1% na nova pesquisa.
Por outro lado:
- 28,6% das instituições projetam expansão acima de 1,8% (ante 15% anteriormente).
- 33,3% esperam crescimento abaixo do consenso.
Esse movimento revela maior dispersão nas expectativas e indica incertezas sobre o ritmo da atividade econômica.
A trajetória do PIB dependerá de fatores como:
- Evolução da inflação
- Política fiscal
- Mercado de trabalho
- Ambiente externo
Pressão fiscal continua no radar
No campo fiscal, 71,4% dos bancos avaliam que o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal de 2026. Em dezembro, esse percentual era ainda maior, de 80%.
Entre os que defendem novas ações:
- 47,6% acreditam que o foco deve ser o controle das despesas públicas;
- Há expectativa de contingenciamentos ou exclusão de determinados gastos do cálculo da meta.
O equilíbrio fiscal é considerado elemento-chave para a consolidação de um ciclo sustentável de queda dos juros. Caso haja deterioração das contas públicas, o Banco Central pode rever o ritmo de cortes.
Inadimplência deve cair gradualmente
A pesquisa também aponta estabilidade na projeção de inadimplência da carteira de crédito livre.
- 2025: taxa observada de 5,5%
- 2026: projeção de 5,2%
- 2027: expectativa de recuo para 4,9%
A carteira de crédito livre inclui modalidades como empréstimo pessoal, financiamento de veículos e crédito para empresas.
A redução gradual da inadimplência sugere melhora na capacidade de pagamento das famílias e empresas, cenário que pode ser reforçado por juros mais baixos e recuperação da renda.
O que esperar para março
Se confirmado o corte de 0,5 ponto percentual já na próxima reunião do Copom, o mercado deve reagir de forma imediata:
- Queda nas taxas futuras de juros
- Valorização da Bolsa
- Ajustes nas projeções de inflação
- Revisões nas taxas de financiamento
Para quem pretende financiar imóvel, renegociar dívidas ou investir, o momento exige atenção às decisões do Banco Central e às condições oferecidas pelos bancos.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
