O Brasil atravessa um momento em que a chamada “economia prateada”, voltada ao público acima de 60 anos, ganha relevância social e econômica. Nesse cenário, o projeto Faz a Conta, lançado pela agência Muda Cultural com apoio do Nubank, surge como uma iniciativa inovadora que alia oficinas de arte e artesanato à educação financeira e à prevenção contra golpes.
Projeto ‘Faz a Conta’ traz oficinas de artesanato e proteção contra golpes para pessoas acima de 60 anos
Oficinas gratuitas de artesanato e websérie sobre prevenção a golpes chegam a 15 cidades brasileiras pelo projeto Faz a Conta.
A proposta pretende não apenas incentivar a criatividade e a autonomia de idosos em 15 cidades brasileiras, mas também conscientizá-los sobre riscos de fraudes, um problema crescente que afeta de forma significativa essa faixa etária.
Segundo Ítalo Azevedo, sócio-fundador e diretor-geral da Muda Cultural, o projeto nasceu de uma missão clara: “dar protagonismo à população 60+ em um campo vital como o da cultura, da autonomia econômica e da educação financeira”.
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Oficinas em seis estados brasileiros
O Faz a Conta percorrerá seis estados brasileiros a partir de setembro: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas e Amapá. Cada um desses locais receberá oficinas de artesanato gratuitas, com vagas voltadas exclusivamente ao público idoso.
As cidades contempladas são: Registro, São José dos Campos, São Paulo, Belo Horizonte, Contagem, Ibirité, Rio de Janeiro, Niterói, Duque de Caxias, Feira de Santana, Salvador, São Sebastião, Maceió, Porto Grande e Macapá.
Cada oficina contará com 30 vagas, divididas em duas turmas de 15 participantes, e haverá ainda a formação de 15 educadores locais em cada cidade, criando uma rede de multiplicadores. Os materiais utilizados variam entre madeira, tecido, plástico e papel, respeitando tradições culturais regionais.
Expectativas de impacto
O alcance direto do projeto prevê beneficiar 675 idosos por meio das oficinas presenciais. Mas a meta vai além: com a distribuição online de conteúdos educativos e artísticos, a expectativa é que até 15 mil pessoas sejam impactadas pela websérie e pela campanha digital, que inclui redes sociais e grupos de WhatsApp.
Prevenção contra golpes: um desafio crescente
A vulnerabilidade financeira dos idosos
Um dos pontos centrais do projeto é a educação financeira preventiva. Dados de entidades de defesa do consumidor revelam que idosos estão entre os principais alvos de golpes digitais e presenciais, desde falsos boletos e empréstimos consignados até fraudes bancárias sofisticadas.
A falta de informação específica e a pressão psicológica usada por criminosos colocam esse público em situação de maior vulnerabilidade. Por isso, o Faz a Conta aposta em uma linguagem acessível e em exemplos práticos para fortalecer a autonomia dessa geração.
A websérie como ferramenta de conscientização
Produzida pelo coletivo criativo Fiteiro, a websérie Faz a Conta é uma das principais ferramentas do projeto para ampliar a conscientização. Ela acompanha Glória, personagem que já foi vítima de golpes virtuais e decide transformar sua experiência em aprendizado coletivo.
Em dez episódios, a trama mostra casos inspirados em fraudes reais, como clonagem de cartões, falsos atendentes de banco e armadilhas em redes sociais. A protagonista interage com vizinhos, porteiro, amigos e seguidores da internet, criando um ambiente que mistura humor, realidade e informação.
O lançamento está previsto para o fim de setembro, com exibição gratuita no site oficial do projeto, no YouTube e em cortes adaptados para redes sociais.
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+311 mil seguidores
A economia prateada em expansão

Potencial do público 60+ no Brasil
A iniciativa dialoga diretamente com a chamada economia prateada, expressão usada para descrever o conjunto de atividades econômicas voltadas às pessoas idosas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais deve ultrapassar 30% dos brasileiros até 2050, movimentando bilhões de reais em consumo.
Esse público tem se mostrado cada vez mais ativo no mercado, mas enfrenta barreiras ligadas à inclusão digital e ao acesso à informação confiável. Projetos como o Faz a Conta buscam preencher essa lacuna, valorizando a autonomia financeira e incentivando a participação cultural.
Cultura, educação e proteção: pilares da autonomia
A combinação de artesanato, que estimula a criatividade e pode até gerar renda extra, com conteúdos sobre prevenção de golpes, cria um modelo inovador de educação financeira inclusiva. O projeto também valoriza a convivência social, fortalecendo vínculos comunitários e reduzindo a sensação de isolamento comum nessa faixa etária.
Perspectivas e legado do projeto
A expectativa é que o Faz a Conta se torne um modelo replicável em outras regiões do Brasil, ampliando tanto as oficinas de artesanato quanto a produção de conteúdos audiovisuais voltados ao público idoso.
Ao unir cultura, educação financeira e conscientização contra golpes, a iniciativa contribui não apenas para a valorização da pessoa idosa, mas também para o fortalecimento de uma sociedade mais justa, informada e preparada para os desafios digitais e econômicos do século 21.
Imagem: fizkes / shutterstock.com
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