Um projeto de lei que começou a tramitar no Senado Federal pode trazer mudanças importantes para os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A proposta busca atualizar os critérios de avaliação da renda familiar e criar mecanismos para evitar a perda automática do benefício quando houver aumento temporário da renda.
Novo projeto revisa cálculo da renda para concessão do BPC
Projeto no Senado propõe novas regras para o BPC, permitindo manutenção do benefício mesmo após aumento temporário da renda familiar.
O texto também pretende estimular a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho, reduzindo um dos principais receios enfrentados por muitas famílias: perder o benefício ao conquistar uma oportunidade de emprego.
Apresentado pela senadora Roberta Acioly, o Projeto de Lei nº 1.812/2026 ainda será analisado pelas comissões temáticas do Senado antes de seguir para as próximas etapas de tramitação.
Leia mais:
INSS terá dois repasses para beneficiários em junho; confira as datas
O que muda para quem recebe o BPC?
A principal alteração proposta está relacionada ao tratamento dado à renda obtida por meio de um novo emprego.

Pelas regras previstas no projeto, o beneficiário do BPC que conseguir trabalho formal não teria o benefício automaticamente interrompido caso a situação de vulnerabilidade social da família permaneça.
O mesmo entendimento também seria aplicado ao grupo familiar.
Na prática, a proposta tenta evitar que uma melhora temporária na renda provoque a perda imediata da assistência social.
Novo salário poderá ser desconsiderado no cálculo da renda
Outro ponto importante do projeto envolve a forma de cálculo da renda familiar per capita.
O texto estabelece que a remuneração proveniente de um novo vínculo de trabalho do beneficiário poderá ser desconsiderada até o limite de um salário mínimo.
Essa exclusão ocorreria conforme regulamentação futura, caso a proposta seja aprovada.
O objetivo é impedir que uma contratação recente retire automaticamente o direito ao benefício.
Benefício poderá continuar por até 12 meses
A proposta também cria uma espécie de período de transição.
Segundo o texto, quando houver aumento da renda em razão de emprego formal, o beneficiário poderá continuar recebendo o BPC por até 12 meses.
Como funcionaria a regra?
Durante esse período:
- O benefício seria mantido;
- A situação da família continuaria sendo acompanhada;
- Ao final dos 12 meses ocorreria uma nova avaliação social.
A intenção é verificar se a melhora financeira foi suficiente para retirar a família da condição de vulnerabilidade.
Renda poderá ser analisada pela média dos últimos 12 meses
Outra mudança relevante envolve a forma de avaliar os rendimentos familiares.
Atualmente, muitas análises consideram apenas a renda existente no momento da avaliação.
O projeto propõe que o governo possa utilizar a média dos rendimentos recebidos nos últimos 12 meses quando essa metodologia representar melhor a realidade econômica da família.
Por que isso é importante?
Em muitos casos, famílias vulneráveis possuem renda instável.
Trabalhos temporários, contratos curtos e atividades sazonais podem gerar aumentos momentâneos que não representam uma melhora permanente das condições financeiras.
A média anual ajudaria a evitar distorções durante a análise.
Gastos com saúde poderão ser descontados da renda
A proposta também amplia a proteção para famílias que convivem com despesas elevadas relacionadas à saúde.
O texto prevê a dedução de gastos contínuos e comprovados com:
- Tratamentos médicos;
- Terapias especializadas;
- Medicamentos;
- Alimentação especial;
- Tecnologias assistivas;
- Outras despesas indispensáveis ao beneficiário.
A dedução seria aplicada quando esses serviços não forem oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pela rede pública de assistência social.
Projeto proíbe corte automático por aumento pontual da renda
Um dos principais objetivos da proposta é impedir que alterações temporárias na renda resultem na perda imediata do benefício.
O texto determina que a avaliação da renda deve observar princípios como:
- Dignidade da pessoa humana;
- Proteção social continuada;
- Inclusão produtiva;
- Combate à vulnerabilidade social.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Dessa forma, o benefício não poderia ser cancelado apenas por uma alteração pontual da renda familiar.
Por que o projeto foi apresentado?
Segundo a autora da proposta, muitas famílias continuam em situação de vulnerabilidade mesmo após conseguirem um emprego ou registrarem aumento temporário da renda.
A senadora argumenta que o modelo atual pode criar um efeito contrário ao desejado.
Medo de perder o benefício
De acordo com a justificativa apresentada, algumas famílias acabam evitando oportunidades de trabalho formal por receio de perder imediatamente o BPC.

A proposta busca justamente reduzir esse problema.
A intenção é permitir que o ingresso no mercado de trabalho ocorra de forma mais segura, sem que a família fique desamparada caso a experiência profissional não resulte em estabilidade financeira.
Projeto cria novos gastos para o governo?
Segundo a autora, não.
A justificativa da proposta afirma que o texto não cria novos benefícios nem amplia despesas obrigatórias.
O objetivo seria apenas aperfeiçoar os critérios já utilizados para avaliação da renda familiar e da vulnerabilidade social.
Além disso, a expectativa é reduzir conflitos administrativos e processos judiciais envolvendo o cancelamento do benefício.
O que acontece agora?
O Projeto de Lei nº 1.812/2026 ainda está em fase inicial de tramitação.
Antes de virar lei, ele precisará passar por:
- Análise nas comissões do Senado;
- Votação pelos senadores;
- Eventual apreciação pela Câmara dos Deputados;
- Sanção presidencial.
Até que todo esse processo seja concluído, continuam valendo as regras atuais do BPC.
Caso aprovado, o projeto poderá representar uma mudança significativa para milhares de famílias que dependem do benefício e enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho sem o receio de perder a proteção social garantida pelo governo federal.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:
