Em um contexto de crescente debate sobre a regulação das grandes empresas de tecnologia, o governo brasileiro, por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que pretende enviar ao Congresso Nacional ainda este ano um projeto de lei para taxar as chamadas big techs – grandes empresas de tecnologia que dominam o mercado global.
Projeto para taxar big techs será enviado ao Congresso ainda neste ano
Em 2024, o governo federal se prepara para enviar um projeto de lei ao Congresso para taxar as big techs. Saiba o que isso significa para as empresas e para a economia brasileira
A medida visa garantir uma tributação mais justa e equitativa para essas corporações, que, frequentemente, enfrentam críticas por sua falta de contribuição fiscal nos países onde geram lucros substanciais. Veja mais detalhes!
Leia mais: Governo deve apertar regulação das big techs
Padrões da OCDE
No entanto, Haddad sugeriu que o projeto poderá ser tratado com mais profundidade e efetividade em 2025, quando o calendário do Congresso estará menos sobrecarregado, sem a pressão de uma agenda cheia ou das eleições municipais.
Este movimento é parte de uma série de iniciativas que buscam alinhar o Brasil aos padrões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de garantir que as grandes empresas paguem impostos de forma justa em todos os países onde atuam.
O Contexto da Proposta: Por Que Taxar as Big Techs?
Nos últimos anos, as grandes empresas de tecnologia, como Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, têm sido alvo de críticas em diversos países devido à percepção de que pagam impostos baixos, mesmo gerando enormes lucros nos territórios em que atuam.
Muitas dessas corporações utilizam estratégias de planejamento tributário agressivo, como a transferência de lucros para paraísos fiscais, o que reduz substancialmente o montante que pagam em impostos.

Políticas Fiscais Mais Rígidas
Esse cenário gerou uma pressão crescente sobre governos ao redor do mundo para implementar políticas fiscais mais rígidas, que forçam essas empresas a pagarem sua parte de impostos, independentemente de onde estão localizadas fisicamente.
A principal questão que o governo brasileiro visa resolver com essa proposta é garantir que as big techs contribuam com a economia do país de forma mais justa.
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil faz parte de um movimento global que busca ajustar as regras fiscais internacionais para assegurar que as grandes empresas tecnológicas paguem impostos onde realmente geram lucros.
Para isso, o governo está trabalhando com os pilares 1 e 2 da OCDE, que estabelecem regras claras para a distribuição da tributação entre os países.
O Que Está em Jogo: O Projeto de Lei para Taxação das Big Techs
O projeto que será enviado ao Congresso Nacional pelo governo brasileiro ainda está em fase de desenvolvimento, e o ministro Fernando Haddad não forneceu detalhes específicos sobre seu conteúdo. No entanto, sabe-se que o objetivo principal é a criação de uma legislação que permita tributar as grandes empresas de tecnologia de maneira mais eficaz.
Segundo o ministro, a proposta visa alinhar o Brasil às diretrizes da OCDE, permitindo que o país tenha uma tributação mais justa sobre empresas multinacionais. O foco está nos pilares 1 e 2, que tratam da alocação dos direitos de tributação entre os países e do imposto mínimo global.
Redistribuição dos Direitos de Tributação
O Pilar 1, por exemplo, trata da redistribuição dos direitos de tributação, permitindo que países com grandes mercados, como o Brasil, possam cobrar impostos sobre as receitas geradas no território, independentemente de onde a empresa tenha sua sede.
Já o Pilar 2 trata de estabelecer uma tributação mínima global, o que visa evitar que as grandes empresas se beneficiem de paraísos fiscais.
Desafios para a Implementação da Taxação das Big Techs
Apesar da intenção clara do governo de criar um ambiente mais justo para a tributação das grandes empresas, a implementação dessa proposta não será simples. Existem diversos desafios que o Brasil terá de enfrentar para tornar essa taxação uma realidade.
1. Resistência das Big Techs
As grandes empresas de tecnologia possuem enorme poder econômico e político, o que pode gerar resistência à proposta de taxação. Com lobby forte em diversas esferas políticas e econômicas, essas empresas podem tentar influenciar decisões que possam impactar seus lucros no Brasil e em outros países.
2. Complexidade da Tributação Internacional
A tributação de empresas multinacionais é um tema complexo e envolve uma série de regras internacionais que precisam ser harmonizadas entre os países. O Brasil, como membro da OCDE, deve seguir as diretrizes globais, mas, ao mesmo tempo, precisará adaptar essas regras à realidade fiscal e econômica do país.
3. Impactos Econômicos Locais
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Uma das preocupações em relação à taxação das big techs é o possível impacto econômico para o Brasil. O setor de tecnologia no país tem crescido consideravelmente nos últimos anos, e a imposição de novos impostos pode gerar custos adicionais para empresas locais que dependem das plataformas das grandes corporações internacionais.
Além disso, há a questão de como essas empresas podem repassar os custos para os consumidores, aumentando os preços de seus serviços.
Comparação com a Regulação das Apostas (Bets)
Durante a mesma declaração, Haddad fez uma comparação com a demora na regulação das apostas online, conhecidas como bets, um setor que, assim como as big techs, ficou sem uma regulamentação clara por um longo período.
Ele lembrou que o governo anterior passou quatro anos sem cobrar impostos sobre as apostas, o que gerou transtornos tanto para as autoridades quanto para os próprios consumidores.
Essa comparação reflete a dificuldade do governo em lidar com novos setores que, devido ao seu caráter digital e globalizado, dificultam a aplicação de políticas fiscais tradicionais. Para o governo, as big techs representam um desafio similar, onde a falta de uma regulamentação clara pode prejudicar a arrecadação de impostos e criar distorções no mercado.

O Futuro da Taxação das Big Techs no Brasil
Apesar de o governo brasileiro ter expressado a intenção de enviar o projeto de lei ainda este ano, a análise e aprovação do texto podem se arrastar por um tempo maior.
Como o calendário do Congresso Nacional está cheio, o ministro Fernando Haddad afirmou que o tema será tratado com mais profundidade em 2025, quando o cenário político estará mais calmo, sem a pressão das eleições municipais e com uma agenda legislativa mais tranquila.
Combate à Evasão Fiscal
A expectativa é que, com a adesão do Brasil às normas da OCDE, o país consiga não apenas aumentar a arrecadação tributária, mas também se tornar um exemplo no combate à evasão fiscal, especialmente em setores como o de tecnologia.
A regulamentação das big techs pode representar um passo importante para uma economia mais justa e equilibrada, onde todos os setores contribuem de maneira proporcional aos seus lucros.
Imagem: Ascannio / Shutterstock.com
Pode ser do seu interesse:
