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Projeto para taxar big techs será enviado ao Congresso ainda neste ano

Em 2024, o governo federal se prepara para enviar um projeto de lei ao Congresso para taxar as big techs. Saiba o que isso significa para as empresas e para a economia brasileira

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins6 min de leitura
Taxar big techs

Em um contexto de crescente debate sobre a regulação das grandes empresas de tecnologia, o governo brasileiro, por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que pretende enviar ao Congresso Nacional ainda este ano um projeto de lei para taxar as chamadas big techs – grandes empresas de tecnologia que dominam o mercado global. 

A medida visa garantir uma tributação mais justa e equitativa para essas corporações, que, frequentemente, enfrentam críticas por sua falta de contribuição fiscal nos países onde geram lucros substanciais. Veja mais detalhes!

Leia mais: Governo deve apertar regulação das big techs

Padrões da OCDE

No entanto, Haddad sugeriu que o projeto poderá ser tratado com mais profundidade e efetividade em 2025, quando o calendário do Congresso estará menos sobrecarregado, sem a pressão de uma agenda cheia ou das eleições municipais. 

Este movimento é parte de uma série de iniciativas que buscam alinhar o Brasil aos padrões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de garantir que as grandes empresas paguem impostos de forma justa em todos os países onde atuam.

O Contexto da Proposta: Por Que Taxar as Big Techs?

Nos últimos anos, as grandes empresas de tecnologia, como Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft, têm sido alvo de críticas em diversos países devido à percepção de que pagam impostos baixos, mesmo gerando enormes lucros nos territórios em que atuam. 

Muitas dessas corporações utilizam estratégias de planejamento tributário agressivo, como a transferência de lucros para paraísos fiscais, o que reduz substancialmente o montante que pagam em impostos.

Big Techs regulamentação
Imagem: BigTunaOnline/ shutterstock.com

Políticas Fiscais Mais Rígidas

Esse cenário gerou uma pressão crescente sobre governos ao redor do mundo para implementar políticas fiscais mais rígidas, que forçam essas empresas a pagarem sua parte de impostos, independentemente de onde estão localizadas fisicamente. 

A principal questão que o governo brasileiro visa resolver com essa proposta é garantir que as big techs contribuam com a economia do país de forma mais justa.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil faz parte de um movimento global que busca ajustar as regras fiscais internacionais para assegurar que as grandes empresas tecnológicas paguem impostos onde realmente geram lucros. 

Para isso, o governo está trabalhando com os pilares 1 e 2 da OCDE, que estabelecem regras claras para a distribuição da tributação entre os países.

O Que Está em Jogo: O Projeto de Lei para Taxação das Big Techs

O projeto que será enviado ao Congresso Nacional pelo governo brasileiro ainda está em fase de desenvolvimento, e o ministro Fernando Haddad não forneceu detalhes específicos sobre seu conteúdo. No entanto, sabe-se que o objetivo principal é a criação de uma legislação que permita tributar as grandes empresas de tecnologia de maneira mais eficaz.

Segundo o ministro, a proposta visa alinhar o Brasil às diretrizes da OCDE, permitindo que o país tenha uma tributação mais justa sobre empresas multinacionais. O foco está nos pilares 1 e 2, que tratam da alocação dos direitos de tributação entre os países e do imposto mínimo global.

Redistribuição dos Direitos de Tributação

O Pilar 1, por exemplo, trata da redistribuição dos direitos de tributação, permitindo que países com grandes mercados, como o Brasil, possam cobrar impostos sobre as receitas geradas no território, independentemente de onde a empresa tenha sua sede. 

Já o Pilar 2 trata de estabelecer uma tributação mínima global, o que visa evitar que as grandes empresas se beneficiem de paraísos fiscais.

Desafios para a Implementação da Taxação das Big Techs

Apesar da intenção clara do governo de criar um ambiente mais justo para a tributação das grandes empresas, a implementação dessa proposta não será simples. Existem diversos desafios que o Brasil terá de enfrentar para tornar essa taxação uma realidade.

1. Resistência das Big Techs

As grandes empresas de tecnologia possuem enorme poder econômico e político, o que pode gerar resistência à proposta de taxação. Com lobby forte em diversas esferas políticas e econômicas, essas empresas podem tentar influenciar decisões que possam impactar seus lucros no Brasil e em outros países.

2. Complexidade da Tributação Internacional

A tributação de empresas multinacionais é um tema complexo e envolve uma série de regras internacionais que precisam ser harmonizadas entre os países. O Brasil, como membro da OCDE, deve seguir as diretrizes globais, mas, ao mesmo tempo, precisará adaptar essas regras à realidade fiscal e econômica do país.

3. Impactos Econômicos Locais

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Uma das preocupações em relação à taxação das big techs é o possível impacto econômico para o Brasil. O setor de tecnologia no país tem crescido consideravelmente nos últimos anos, e a imposição de novos impostos pode gerar custos adicionais para empresas locais que dependem das plataformas das grandes corporações internacionais. 

Além disso, há a questão de como essas empresas podem repassar os custos para os consumidores, aumentando os preços de seus serviços.

Comparação com a Regulação das Apostas (Bets)

Durante a mesma declaração, Haddad fez uma comparação com a demora na regulação das apostas online, conhecidas como bets, um setor que, assim como as big techs, ficou sem uma regulamentação clara por um longo período. 

Ele lembrou que o governo anterior passou quatro anos sem cobrar impostos sobre as apostas, o que gerou transtornos tanto para as autoridades quanto para os próprios consumidores.

Essa comparação reflete a dificuldade do governo em lidar com novos setores que, devido ao seu caráter digital e globalizado, dificultam a aplicação de políticas fiscais tradicionais. Para o governo, as big techs representam um desafio similar, onde a falta de uma regulamentação clara pode prejudicar a arrecadação de impostos e criar distorções no mercado.

Dados em cima de moedas, formando a palavra taxa, com vários papéis em volta
Imagem: Foto de Nataliya Vaitkevich / Pexels

O Futuro da Taxação das Big Techs no Brasil

Apesar de o governo brasileiro ter expressado a intenção de enviar o projeto de lei ainda este ano, a análise e aprovação do texto podem se arrastar por um tempo maior. 

Como o calendário do Congresso Nacional está cheio, o ministro Fernando Haddad afirmou que o tema será tratado com mais profundidade em 2025, quando o cenário político estará mais calmo, sem a pressão das eleições municipais e com uma agenda legislativa mais tranquila.

Combate à Evasão Fiscal

A expectativa é que, com a adesão do Brasil às normas da OCDE, o país consiga não apenas aumentar a arrecadação tributária, mas também se tornar um exemplo no combate à evasão fiscal, especialmente em setores como o de tecnologia. 

A regulamentação das big techs pode representar um passo importante para uma economia mais justa e equilibrada, onde todos os setores contribuem de maneira proporcional aos seus lucros.

Imagem: Ascannio / Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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