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Motorista que causar morte pode ficar 10 anos sem CNH, prevê projeto

Projeto aprovado em comissão da Câmara prevê até 10 anos sem CNH para motorista condenado por homicídio culposo no trânsito.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
CNH

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que endurece as punições na CNH para motoristas envolvidos em homicídio culposo no trânsito — situação em que não há intenção de matar, mas existe imprudência, negligência ou imperícia ao volante.

Atualmente, o texto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

O que prevê o projeto?

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O PL 276/26 altera pontos do Código de Trânsito Brasileiro relacionados ao crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor.

As principais mudanças envolvem:

  • ampliação do prazo de suspensão da CNH;
  • aumento do tempo de detenção;
  • endurecimento das consequências para condutores considerados imprudentes.

Segundo o texto aprovado, o motorista condenado poderá ficar até 10 anos sem dirigir.

Como funciona?

Hoje, o artigo 293 do Código de Trânsito Brasileiro estabelece suspensão do direito de dirigir entre dois meses e cinco anos.

Com a nova proposta, os períodos seriam ampliados de forma significativa.

Comparativo entre regras atuais e proposta

SituaçãoRegra atualComo ficaria com o PL 276/26
Suspensão da CNH2 meses a 5 anosAté 10 anos
Pena de detenção2 a 4 anos4 a 8 anos
AplicaçãoHomicídio culposo no trânsitoHomicídio culposo no trânsito

O que é?

O homicídio culposo acontece quando o motorista provoca a morte de outra pessoa sem intenção direta de matar.

  • excesso de velocidade;
  • uso do celular ao volante;
  • desrespeito à sinalização;
  • ultrapassagens proibidas;
  • direção sob efeito de álcool;
  • distrações na condução.

Embora não exista intenção criminosa deliberada, a legislação entende que houve violação do dever de cuidado necessário ao dirigir.

Deputada autora defende efeito preventivo

A autora do projeto, a deputada Delegada Ione, argumentou que a ampliação da suspensão da CNH possui caráter preventivo.

Segundo a parlamentar, retirar o direito de dirigir por um período maior reduz o risco de reincidência e afasta temporariamente motoristas considerados incapazes de conduzir veículos com segurança.

A deputada também afirmou que o endurecimento das penas busca desestimular comportamentos imprudentes no trânsito brasileiro.

Relator

O relator da proposta na comissão, deputado Bebeto, manteve integralmente a redação original do projeto.

Em seu parecer, o parlamentar destacou que muitos casos classificados como homicídio culposo decorrem de violações graves das regras básicas de direção.

Segundo o deputado, apesar de o crime continuar sendo culposo, diversas condutas demonstram elevada reprovabilidade social devido ao risco imposto à coletividade.

Endurecimento das leis de trânsito cresce no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil vem ampliando medidas voltadas à segurança viária.

O aumento de punições para crimes de trânsito acompanha uma preocupação crescente com o número de mortes nas vias brasileiras.

Dados frequentemente divulgados por órgãos como o Conselho Nacional de Trânsito e o Departamento Nacional de Trânsito mostram que imprudência, velocidade excessiva e consumo de álcool continuam entre os principais fatores de acidentes fatais.

Especialistas em mobilidade urbana avaliam que penas mais rígidas possuem efeito educativo, especialmente quando acompanhadas de fiscalização eficiente e campanhas de conscientização.

Uso de tecnologia no trânsito também entrou em debate

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Na mesma sessão em que o projeto foi aprovado, a comissão também analisou regras relacionadas ao uso de óculos inteligentes ao volante.

O tema reforça a preocupação crescente com distrações tecnológicas durante a condução de veículos.

Hoje, o uso de celulares já figura entre as infrações mais recorrentes registradas em vias urbanas e rodovias brasileiras.

O que muda?

Caso o projeto seja aprovado definitivamente, motoristas condenados por homicídio culposo enfrentarão consequências mais severas.

Na prática, isso pode significar:

  • perda prolongada do direito de dirigir;
  • maior dificuldade de retorno ao mercado de trabalho em profissões ligadas ao transporte;
  • penas de prisão mais longas;
  • maior rigor judicial em acidentes graves.

Para condutores profissionais, como caminhoneiros, motoristas de aplicativo e taxistas, a suspensão prolongada da CNH poderá ter impacto direto na renda familiar.

Debate sobre punição e prevenção continua

O avanço do projeto reacende discussões sobre equilíbrio entre punição e educação no trânsito.

Enquanto defensores da proposta acreditam que penas mais duras ajudam a reduzir acidentes, outros especialistas apontam que fiscalização contínua, infraestrutura adequada e campanhas educativas também são essenciais para diminuir mortes nas vias brasileiras.

Mesmo assim, há consenso de que comportamentos imprudentes ao volante continuam sendo uma das principais causas de tragédias no trânsito nacional.

Considerações finais

O Projeto de Lei 276/26 representa mais uma tentativa do Congresso Nacional de endurecer as regras para crimes de trânsito no Brasil. A proposta amplia a suspensão da CNH para até 10 anos e aumenta a pena de prisão para casos de homicídio culposo ao volante.

Embora ainda precise passar por novas etapas legislativas, o texto já reforça a tendência de maior rigor contra condutas consideradas perigosas nas ruas e rodovias brasileiras.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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