Após dez rodadas de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), a Caixa Econômica Federal apresentou sua proposta final para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O texto será submetido à votação dos empregados em assembleias sindicais realizadas nos dias 3 e 4 de setembro de 2026.
A proposta reúne mudanças nas regras de carreira, remuneração, saúde, condições de trabalho e direitos dos empregados. Entre os pontos que mais chamam atenção estão o reajuste salarial com ganho real por dois anos e as alterações no modelo de custeio do Saúde Caixa.
O resultado das assembleias será decisivo para determinar se as condições negociadas serão aceitas pela categoria.
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Entre os itens econômicos negociados, a proposta estabelece a reposição da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de ganho real, nos anos de 2026 e 2027.
A mesma regra deverá ser aplicada aos salários e a outras verbas econômicas previstas nos acordos coletivos. Benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche/babá também devem receber reajuste pelo INPC mais 0,6%.
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) segue a mesma fórmula, tanto na parcela básica quanto na adicional.
A proposta também prevê a manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários, além do abono da paralisação ocorrida em 20 de agosto para os empregados das bases que aprovarem o acordo.
Promoção por mérito terá mudanças nos critérios
Uma das reivindicações atendidas pela Caixa está relacionada à promoção por mérito.
A proposta retira o Alcance.Caixa dos critérios utilizados para a obtenção dos chamados deltas de promoção. Cada delta representa, em média, um aumento de 2,31% na remuneração-base do empregado.
Também está previsto que os deltas referentes aos anos-base de 2026 e 2027 sejam pagos, respectivamente, em janeiro de 2027 e janeiro de 2028. A mudança permite que os efeitos financeiros da progressão sejam percebidos durante todo o ano.
Outro ponto é a possibilidade de obtenção de até dois deltas sem a utilização do Alcance.Caixa como requisito.
Grupo discutirá carreira, remuneração e processos internos
A proposta também prevê a criação de um grupo de trabalho com participação das entidades representativas dos empregados.
O objetivo será discutir temas relacionados ao Plano de Funções Gratificadas (PFG), ao Plano de Cargos e Salários (PCS), aos processos seletivos internos e à remuneração variável.
A criação do grupo é relevante porque esses temas afetam diretamente as possibilidades de crescimento profissional dentro da instituição. A expectativa da representação dos trabalhadores é que as discussões sejam iniciadas logo após o encerramento da campanha e tenham um calendário mais intenso ainda em 2026.
Direito à desconexão e novas regras para o trabalho digital
A proposta apresentada pela Caixa inclui medidas relacionadas à utilização de ferramentas digitais fora da jornada.
O chamado direito à desconexão prevê maior proteção ao período de descanso, com restrições ao uso de WhatsApp e outros aplicativos de mensagens para demandas de trabalho fora do expediente.
Também foram incluídas medidas relacionadas ao modelo “figital” e à plataforma Genesys. Até 31 de dezembro, haverá suspensão das penalizações no Alcance.Caixa relacionadas ao tempo de atendimento e transbordo.
O prazo previsto para determinadas operações também será ampliado de cinco para dez minutos. Uma agenda específica deverá discutir questões como sobrecarga de trabalho e o atendimento simultâneo de demandas presenciais e digitais.
Saúde Caixa concentra uma das principais mudanças

O custeio do Saúde Caixa é um dos pontos mais sensíveis da proposta.
Dados apresentados durante as negociações indicam que as despesas do plano chegaram a R$ 4,39 bilhões em 2025, enquanto as receitas somaram aproximadamente R$ 3,76 bilhões. O resultado foi um déficit operacional de R$ 627,8 milhões.
Segundo os números apresentados, o custo assistencial por usuário passou de cerca de R$ 9,85 mil, em 2022, para R$ 15,82 mil em 2025. Isso representa um crescimento superior a 60% em três anos.
Para enfrentar o desequilíbrio financeiro, a Caixa propõe novos aportes e mudanças nas contribuições dos participantes.
Como pode ficar a contribuição dos usuários?
A proposta prevê que a Caixa inicie, em 2027, os procedimentos necessários para ampliar de 6,5% para 8% o teto de participação do banco no custeio do Saúde Caixa.
A mudança poderia representar aproximadamente R$ 600 milhões adicionais para o plano, segundo os valores discutidos durante as negociações.
Para os empregados da ativa, a proposta substitui a contribuição única de 3,5% da remuneração-base por um sistema progressivo conforme a idade. Os percentuais podem variar de 2,7% a 4,5%.
Os dependentes também passariam a contribuir de acordo com a faixa etária, com valores entre R$ 480 e R$ 660. O teto de contribuição familiar subiria de 7% para 9% da remuneração-base.
Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular seria de 4,5%, enquanto os dependentes teriam contribuição de R$ 660. O teto familiar também passaria a ser de 9%.
Mesmo nos casos em que o limite percentual seja atingido, a proposta estabelece uma contribuição mínima de R$ 50 por usuário.
Consultas e internações terão regras diferentes
A proposta mantém a isenção de coparticipação para internações e tratamentos oncológicos.
As consultas por telemedicina também passariam a ser isentas de coparticipação, em uma tentativa de estimular uma modalidade de atendimento considerada menos onerosa para o plano.
Por outro lado, o valor de utilização do pronto-socorro aumentaria de R$ 75 para R$ 150. O limite anual de coparticipação por grupo familiar subiria de R$ 3.600 para R$ 4.800.
O texto ainda prevê recadastramento anual dos titulares e de seus grupos familiares. Também poderá ser aberto um período de 90 dias para adesão de titulares que atualmente não participam do Saúde Caixa.
Outras mudanças previstas no ACT
A proposta inclui ainda a possibilidade de converter dez dias de férias em dinheiro independentemente do período escolhido para o descanso.
Para pessoas com deficiência, estão previstas melhorias no processo de enquadramento, incluindo situações relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). O acordo também prevê a possibilidade de adaptações nas condições de trabalho e redução de até 25% da jornada para realização de tratamentos durante o horário de expediente.
Na área da saúde, o Programa Saúde Integral poderá incorporar ações voltadas à saúde cardiovascular, tabagismo e dependências relacionadas a substâncias e jogos.
Também há previsão de ampliação das hipóteses de ausências permitidas para acompanhamento médico de filhos e enteados, além da possibilidade de até três dias anuais para realização de exames preventivos relacionados ao câncer e ao HPV.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
