Um ano após a entrada em vigor da legislação que restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras, os primeiros resultados nacionais indicam mudanças importantes no ambiente escolar. Levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) aponta que 55% dos diretores perceberam redução nos casos de agressão física dentro das instituições de ensino.
55% dos diretores relatam menos agressões após veto ao celular nas escolas
Pesquisa do MEC mostra redução de agressões, cyberbullying e ansiedade após um ano da restrição ao uso de celulares nas escolas.
Além da diminuição dos conflitos presenciais, a pesquisa revela impactos positivos na convivência entre estudantes, na redução do cyberbullying e até mesmo na ansiedade dos alunos. Os dados reforçam uma tendência já observada em diversos países que passaram a limitar o uso de smartphones durante o período escolar.
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O estudo foi realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com o MEC, envolvendo gestores de escolas públicas e privadas de todo o Brasil.
Entre os principais resultados apresentados estão:
- 55% dos gestores observaram redução das agressões físicas;
- 88% afirmam que houve diminuição de conflitos digitais e casos de cyberbullying;
- 95% acreditam que a restrição aumentou a socialização presencial entre os estudantes;
- 86% perceberam redução da ansiedade dos alunos;
- 92% das escolas brasileiras já implementaram a legislação.
Os dados representam uma avaliação do primeiro ano de vigência da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso não pedagógico de celulares durante a rotina escolar.
O que mudou após a restrição dos celulares
Segundo o MEC, os efeitos observados vão além da simples retirada dos aparelhos das salas de aula.
Os diretores relataram mudanças no comportamento dos estudantes, principalmente em aspectos ligados à convivência e à interação social.
Menos conflitos físicos
A redução das agressões físicas aparece como um dos indicadores mais relevantes da pesquisa.
De acordo com a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, muitas discussões eram potencializadas pelas mensagens trocadas instantaneamente durante o período escolar. Com a limitação do acesso aos celulares, houve uma diminuição dessas reações imediatas, reduzindo situações que acabavam evoluindo para confrontos presenciais.
Redução do cyberbullying
Outro destaque foi a percepção de queda nas agressões virtuais.
Para 88% dos gestores, a restrição contribuiu para diminuir episódios de:
- cyberbullying;
- ofensas em grupos de mensagens;
- compartilhamento de conteúdos ofensivos durante as aulas;
- conflitos iniciados nas redes sociais e levados para dentro da escola.
Embora o problema continue existindo fora do ambiente escolar, especialistas avaliam que limitar o acesso aos dispositivos durante o período de aula reduz a propagação imediata dessas situações.
Socialização presencial voltou a ganhar espaço
Talvez o dado mais expressivo da pesquisa seja o aumento da interação entre os próprios estudantes.
Segundo o levantamento:
- 95% dos gestores afirmam que houve melhora na convivência presencial;
- 67% observaram crescimento das atividades manuais, artísticas e lúdicas;
- muitas escolas passaram a registrar maior participação dos alunos nos intervalos e em atividades coletivas.
Na prática, diversos recreios voltaram a ser ocupados por jogos, conversas, esportes e brincadeiras que haviam perdido espaço para o uso constante dos smartphones.
Ansiedade também apresentou sinais de melhora
A saúde mental foi outro aspecto apontado pelos gestores.
Segundo o MEC, 86% dos diretores consideram que a limitação do uso dos celulares ajudou na redução da ansiedade entre os estudantes.
Embora esse dado represente uma percepção dos gestores — e não um diagnóstico clínico —, especialistas afirmam que reduzir distrações constantes e a pressão das redes sociais pode favorecer um ambiente escolar mais equilibrado.
A concentração nas aulas também melhorou?
Embora esta primeira pesquisa não tenha medido diretamente o desempenho acadêmico, o MEC afirma que houve percepção de melhora na participação e no foco durante as atividades escolares.
Essa conclusão está alinhada com estudos internacionais.
Segundo informações reunidas pelo próprio MEC com base no Pisa Brasil 2022, cerca de 80% dos estudantes afirmam que o uso do celular prejudica sua concentração durante as aulas, especialmente em disciplinas como matemática.
Além disso, relatórios da Unesco já alertavam que notificações constantes e a simples presença do smartphone podem reduzir a capacidade de atenção, memória e compreensão dos alunos.
Quais desafios ainda permanecem
Apesar dos resultados positivos, a implementação da lei ainda enfrenta obstáculos.
Entre as principais dificuldades relatadas pelos gestores estão:
Resistência dos estudantes
Muitos alunos ainda apresentam dificuldades para se adaptar à nova rotina sem o celular durante o período escolar.
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Fiscalização
Parte das escolas relata dificuldades para monitorar o cumprimento das regras em salas de aula, corredores e intervalos.
Armazenamento dos aparelhos
A pesquisa mostra que:
- 39% dos gestores apontam problemas relacionados ao armazenamento seguro dos celulares;
- em aproximadamente 62% das escolas, os aparelhos permanecem guardados na mochila do próprio estudante.
O papel das famílias
Um dos principais pontos destacados pelo MEC é que a política depende também da participação das famílias.
Segundo o levantamento, 67% dos gestores consideram que estabelecer limites para o tempo de tela fora da escola é a prioridade para consolidar os resultados obtidos até agora.
Na avaliação da pasta, restringir o uso apenas durante as aulas não é suficiente se o estudante permanece conectado durante praticamente todo o restante do dia.
O Brasil segue uma tendência internacional
A restrição ao uso de celulares nas escolas não é uma medida isolada.
Segundo dados citados pelo MEC com base em relatórios da Unesco, mais da metade dos sistemas educacionais do mundo já possui algum tipo de política nacional limitando o uso de smartphones nas escolas.
O objetivo comum dessas iniciativas é equilibrar o uso da tecnologia com a aprendizagem, a convivência social e o bem-estar dos estudantes, sem impedir o uso pedagógico dos recursos digitais quando necessário.
O que os resultados indicam para a educação brasileira

Os primeiros indicadores mostram que a restrição ao uso de celulares nas escolas produziu efeitos percebidos por grande parte dos gestores. A redução de conflitos físicos, do cyberbullying, da ansiedade e o fortalecimento da convivência presencial aparecem entre os principais benefícios observados no primeiro ano da legislação.
Ao mesmo tempo, os dados indicam que a política ainda exige aperfeiçoamentos, especialmente na fiscalização, na infraestrutura das escolas e na participação das famílias. Com novas etapas da pesquisa previstas pelo MEC, incluindo professores e estudantes, será possível avaliar de forma mais ampla os impactos da medida sobre o ambiente escolar e, futuramente, sobre o desempenho educacional.
Conclusão
Os primeiros resultados da restrição ao uso de celulares nas escolas indicam avanços importantes na convivência entre os estudantes. A redução de agressões físicas, do cyberbullying e da ansiedade, aliada ao aumento da socialização presencial, sugere que a medida pode contribuir para um ambiente escolar mais seguro e favorável à aprendizagem. Nos próximos anos, novas avaliações do MEC serão fundamentais para medir os impactos da política no desempenho acadêmico e aperfeiçoar sua implementação em todo o país.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
