A discussão sobre o aumento do limite de faturamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs) voltou ao centro das atenções nesta semana. Durante um debate realizado em Porto Alegre (RS), especialistas, parlamentares e representantes do setor empresarial defenderam não apenas a ampliação do teto do MEI, mas também a atualização de todas as faixas de faturamento do Simples Nacional.
Câmara debate atualização das faixas do Simples Nacional; veja o que pode mudar
Debate sobre o MEI reforça necessidade de atualizar todas as faixas do Simples Nacional e evitar prejuízos a empresas.
A proposta em análise pode representar uma das maiores mudanças para pequenas empresas brasileiras nos últimos anos, especialmente em um cenário marcado pela inflação acumulada e pelo aumento dos custos operacionais.
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Projeto prevê aumento do limite de faturamento do MEI

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, que já recebeu aprovação no Senado e agora tramita em uma comissão especial da Câmara dos Deputados, propõe elevar o limite anual de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 130 mil.
Na prática, a mudança permitiria que milhares de empreendedores permanecessem enquadrados no regime simplificado por mais tempo, evitando uma migração precoce para modelos tributários mais complexos e caros.
Atualmente, muitos negócios acabam ultrapassando o limite apenas por conta da inflação acumulada nos últimos anos, sem que isso represente necessariamente um aumento real de lucratividade.
Defasagem preocupa empresários e parlamentares
A presidente da comissão especial que analisa o projeto, a deputada Any Ortiz (PP-RS), destacou que o limite atual não acompanha a realidade econômica brasileira.
Segundo a parlamentar, o teto do MEI permanece congelado há cerca de oito anos, período em que a inflação elevou significativamente os preços de produtos e serviços em todo o país.
Impacto sobre pequenos negócios
A falta de atualização cria uma situação delicada para milhares de empreendedores.
Quando uma empresa ultrapassa o limite permitido, ela precisa migrar para outra categoria tributária, assumindo novas obrigações fiscais, contábeis e burocráticas.
Para muitos pequenos empresários, esse salto representa um aumento expressivo dos custos operacionais.
De acordo com Any Ortiz, diversas empresas acabam não conseguindo absorver essas despesas adicionais e encerram suas atividades pouco tempo depois da mudança de enquadramento.
Comissão defende atualização de todas as faixas do Simples Nacional
Embora o foco inicial da proposta seja o MEI, o debate evoluiu para uma discussão mais ampla sobre a necessidade de revisar todos os limites do Simples Nacional.
O relator da matéria, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), afirmou que existe consenso entre os integrantes da comissão sobre a importância de corrigir todas as faixas do regime tributário simplificado.
Além disso, o parlamentar informou que pretende incluir um mecanismo de atualização automática dos limites de faturamento.
Correção automática pode evitar novas defasagens
Uma das principais críticas ao sistema atual é justamente a ausência de um mecanismo permanente de correção.
Sem reajustes periódicos, os valores acabam perdendo aderência à realidade econômica.
Caso a proposta avance, futuras atualizações poderiam ocorrer de forma automática, reduzindo a necessidade de novas mudanças legislativas a cada ciclo inflacionário.
Fecomércio alerta para dificuldades após saída do Simples
Representantes do setor produtivo também demonstraram preocupação com os efeitos da defasagem.
O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, destacou que muitas empresas enfrentam grandes dificuldades ao deixar o Simples Nacional.
Segundo ele, uma pesquisa recente revelou que mais de 80% dos negócios que saem do regime simplificado conseguem sobreviver por menos de um ano.
Esse dado reforça a importância do Simples Nacional para a manutenção da atividade econômica e para a geração de empregos no país.
Burocracia e aumento de custos são desafios
Ao migrar para regimes tributários mais complexos, empresas passam a lidar com:
- Maior carga administrativa;
- Necessidade de controles fiscais mais sofisticados;
- Custos contábeis mais elevados;
- Maior exposição a riscos tributários;
- Redução da competitividade.
Para pequenos empreendedores, essas mudanças podem comprometer o crescimento sustentável do negócio.
Estudo aponta defasagem de quase 90% nos limites do Simples
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Durante o debate, o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia da PUC-RS, Gustavo Inácio de Moraes, apresentou dados que reforçam a necessidade de atualização.
Segundo o economista, a defasagem acumulada dos limites do Simples Nacional entre 2018 e abril deste ano alcança 89,5%.
Se os valores tivessem sido corrigidos integralmente pela inflação do período, o teto máximo do Simples Nacional seria atualmente de aproximadamente R$ 9,1 milhões por ano.
Hoje, o limite permanece em R$ 4,8 milhões.
Atualização pode gerar benefícios econômicos
Especialistas argumentam que a revisão dos limites não representa apenas um benefício tributário para empresários.
O aumento do teto poderia estimular investimentos, ampliar a capacidade produtiva das empresas e favorecer novas contratações.
Segundo os estudos apresentados no debate, os impactos fiscais decorrentes da medida tenderiam a ser compensados pelo crescimento da atividade econômica em cerca de três anos e meio.
Mais recursos para expansão
Com maior margem de faturamento dentro do regime simplificado, empresas poderiam:
- Investir em equipamentos;
- Comprar mais insumos;
- Expandir operações;
- Contratar funcionários;
- Melhorar sua competitividade.
Esses fatores têm potencial para impulsionar a economia local e nacional.
Cerca de 95% das empresas brasileiras podem ser afetadas

O assessor jurídico da Fecomércio, Fernando Antonio Alves de Sousa Junior, ressaltou que a discussão vai muito além dos microempreendedores individuais.
Segundo ele, aproximadamente 95% das empresas brasileiras estão enquadradas no Simples Nacional.
Por esse motivo, uma atualização restrita ao MEI poderia criar distorções e reduzir a competitividade de empresas que também enfrentam limites defasados em outras faixas do regime.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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