Em uma decisão importante para consumidores de planos de saúde antigos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou nesta semana os novos percentuais máximos de reajuste para contratos não regulamentados, conhecidos como “planos antigos”. Os índices definidos para 2025 serão de até 6,47% para operadoras do tipo Medicina de Grupo e até 7,16% para Seguradoras Especializadas.
Reajuste de planos antigos é limitado pela ANS; entenda o impacto
ANS define limite para reajuste de planos antigos; veja os impactos para beneficiários. Saiba mais sobre a decisão.
A medida, que alcança cerca de 400 mil beneficiários ainda vinculados a contratos sob Termos de Compromisso, busca dar mais transparência e previsibilidade às cobranças anuais. Apesar de representar um contingente em queda, já que a comercialização desses contratos não é mais permitida, a decisão impacta diretamente consumidores que assinaram contratos antes da Lei nº 9.656/98, que regulamentou o setor.
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O que são os planos antigos?

Os chamados planos antigos são contratos de assistência médica firmados antes de 1998, quando a Lei nº 9.656 passou a estabelecer direitos e regras para o setor. Esses contratos não seguem integralmente as mesmas normas de cobertura e reajuste dos planos regulamentados, por isso são alvo de um acompanhamento diferenciado por parte da ANS.
Para evitar abusos e cláusulas abusivas, a agência firmou em 2004 os chamados Termos de Compromisso, acordos com operadoras para substituir reajustes onerosos por índices definidos com base em critérios técnicos. É essa metodologia que continua vigente para um número reduzido de consumidores ainda vinculados aos contratos mais antigos.
Quais operadoras ainda oferecem planos sob Termo de Compromisso?
Segundo a ANS, atualmente apenas quatro operadoras possuem contratos ativos vinculados aos Termos de Compromisso:
- Amil — planos do tipo Medicina de Grupo
- Bradesco Saúde — Seguradora Especializada
- SulAmérica — Seguradora Especializada
- Itaúseg Saúde — Seguradora Especializada
Outras operadoras, como Golden Cross e Porto Seguro, já não possuem mais contratos sob esse regime.
Percentuais máximos definidos para 2025
Os reajustes anunciados pela ANS levam em consideração a variação das despesas assistenciais das operadoras e outros fatores previstos na metodologia do teto. O resultado são índices que visam cobrir custos do setor sem prejudicar excessivamente os consumidores.
Para o ciclo de 2025, os percentuais máximos permitidos ficaram assim:
- Amil (Medicina de Grupo): até 6,47%
- Bradesco Saúde, SulAmérica e Itaúseg (Seguradoras): até 7,16%
Esses valores derivam de uma variação assistencial calculada em 6,06% para o período mais um fator adicional de metodologia — 0,39% no caso da Amil e 1,04% para as seguradoras.
Por que a limitação dos reajustes é importante?
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Embora representem uma fatia cada vez menor do mercado — já que a comercialização desses planos foi proibida — os planos antigos ainda atendem um público significativo, em geral consumidores que permaneceram com contratos antigos para preservar benefícios específicos.
Ao limitar os reajustes, a ANS impede aumentos desproporcionais, protege o orçamento das famílias e garante que a transição para o modelo regulamentado seja feita sem grandes prejuízos para os beneficiários.
Impactos para os consumidores

Para quem ainda está vinculado a contratos antigos, os novos percentuais significam um alívio frente à possibilidade de aumentos mais agressivos. Especialistas em direito do consumidor avaliam que os Termos de Compromisso têm cumprido sua função de tornar as relações entre operadoras e clientes mais equilibradas e menos litigiosas.
Por outro lado, a redução gradual do número de contratos sob esse regime indica que, em médio prazo, todos os beneficiários acabarão migrando para planos regulamentados, seja por opção, seja por falta de alternativas.
O que esperar do mercado de saúde suplementar
O setor de planos de saúde no Brasil vem enfrentando desafios como alta nos custos médicos, envelhecimento da população e pressão por maior qualidade nos serviços. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por previsibilidade e equilíbrio financeiro.
Decisões como a anunciada pela ANS ajudam a preservar a confiança dos consumidores e mostram que há fiscalização para evitar práticas abusivas. Para os especialistas, o ideal é que o mercado continue se modernizando e que as operadoras invistam em eficiência para manter os preços sob controle.
