A Receita Federal iniciou em outubro uma nova rodada de comunicação com contribuintes que tiveram a declaração do Imposto de Renda 2026 retida na malha fina. Ao todo, 498.487 pessoas físicas receberão cartas dentro do Projeto Cartas 2026, criado para estimular a autorregularização e evitar que problemas simples evoluam para procedimentos fiscais mais rigorosos.
Os envios começaram em 5 de outubro e serão realizados em lotes semanais até o dia 20. Segundo a Receita Federal, o contribuinte não precisa esperar a correspondência chegar para verificar a situação. A consulta pode ser feita diretamente pelo serviço Meu Imposto de Renda, utilizando uma conta Gov.br com nível prata ou ouro.
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A malha fina ocorre quando os dados apresentados pelo contribuinte apresentam alguma diferença em relação às informações recebidas pela Receita de outras fontes, como empresas, instituições financeiras e prestadores de serviços de saúde.
Isso não significa necessariamente que houve fraude ou que a declaração esteja errada. Uma divergência pode decorrer de um simples erro de preenchimento, de uma informação omitida ou até de uma diferença entre os dados enviados por uma empresa e aqueles informados pelo trabalhador.
No Meu Imposto de Renda, a declaração retida aparece com a indicação “Com Pendência”. Ao acessar a ocorrência, o contribuinte consegue identificar qual informação chamou a atenção do Fisco e quais providências podem ser tomadas.
Consulta pode ser feita sem esperar a carta
A carta enviada pela Receita funciona como um alerta, mas não é necessário aguardar sua chegada para começar a resolver o problema.
O contribuinte pode acessar o Meu Imposto de Renda e verificar a situação da declaração. Caso exista um erro de preenchimento e seja possível corrigi-lo, a solução normalmente passa pelo envio de uma declaração retificadora.
A própria Receita esclarece que, quando ainda não houve intimação fiscal, o contribuinte pode corrigir as informações por meio da retificação. O procedimento é feito pelos canais digitais, sem necessidade de comparecimento a uma unidade do órgão.
Quais erros costumam levar à malha fina
Entre os problemas identificados pela Receita estão rendimentos que deixaram de ser informados, valores recebidos por dependentes que não foram incluídos e informações incorretas sobre aposentadorias recebidas de diferentes fontes.
As despesas médicas também exigem atenção. Erros no ano em que o gasto ocorreu, no valor informado ou a inclusão de despesas que não são dedutíveis podem provocar a retenção da declaração.
Outro ponto destacado pelo Fisco é o tratamento do VGBL. O produto não deve ser informado como uma despesa dedutível de previdência privada, pois não possui o mesmo tratamento tributário do PGBL para essa finalidade.
Mudanças nas informações enviadas pelas empresas aumentam a importância da conferência
Um dos pontos que merece atenção em 2026 é a forma como as informações de rendimentos e retenções chegam à Receita Federal.
Os dados passaram a ser transmitidos pelas fontes pagadoras por meio de escriturações como o eSocial e a EFD-Reinf, substituindo gradualmente a antiga sistemática anual da Dirf. A Receita disponibiliza inclusive um demonstrativo consolidado para consulta dos rendimentos pagos e do imposto retido na fonte.
Na prática, isso significa que o contribuinte deve conferir se os valores utilizados na declaração estão coerentes com os dados informados pela fonte pagadora.
Por exemplo, se uma empresa informa mensalmente determinado valor de rendimento e imposto retido, mas o contribuinte utiliza no Imposto de Renda um informe com valores diferentes, o cruzamento eletrônico pode identificar a divergência.
Nessa situação, não basta simplesmente escolher o documento que parece mais conveniente. É necessário descobrir qual informação está correta e, se houver erro da empresa, solicitar a correção à fonte pagadora.
O que fazer quando o erro é da empresa
Se o contribuinte identificar que declarou corretamente seus rendimentos, mas os dados enviados pela empresa estão incorretos, a situação exige uma análise diferente.
Nesse caso, é importante guardar o informe de rendimentos, contracheques e demais documentos que comprovem os valores efetivamente recebidos e o imposto retido. A fonte pagadora pode precisar corrigir as informações transmitidas ao Fisco.
A Receita informa que as escriturações podem ser retificadas pelas próprias fontes pagadoras e que as informações disponibilizadas ao contribuinte são atualizadas após o processamento dos eventos originais ou corrigidos.
O que acontece se o contribuinte não corrigir a declaração

Ignorar uma pendência não é uma boa estratégia. Enquanto a declaração permanece em malha, a restituição correspondente fica retida.
Quando existe erro confirmado, a regularização espontânea é preferível a esperar uma eventual intimação da Receita. O próprio Projeto Cartas 2026 tem justamente essa finalidade: oferecer ao contribuinte a oportunidade de corrigir a situação antes de uma etapa mais rigorosa da fiscalização.
Se a pessoa tiver certeza de que todas as informações estão corretas, a situação é diferente. Nesse caso, deve reunir os documentos que comprovem os dados declarados e seguir as orientações disponibilizadas pela Receita para apresentar a documentação quando aplicável.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
