A Receita Federal do Brasil (RFB) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) deram início a uma nova fase de fiscalização voltada ao combate dos chamados devedores contumazes — empresas que acumulam dívidas tributárias de forma reiterada e estratégica.
Empresas de combustíveis têm 30 dias para regularizar débitos
Receita Federal e PGFN notificam devedores contumazes no setor de combustíveis e ampliam fiscalização contra inadimplência tributária no Brasil.
Nesta etapa, o foco está no setor de combustíveis, considerado sensível para a economia por seu impacto direto na cadeia logística e nos preços ao consumidor. A medida faz parte de um esforço mais amplo do governo federal para aumentar a conformidade fiscal e reduzir práticas de concorrência desleal.
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O que são devedores contumazes?

O termo “devedor contumaz” se refere a empresas que deixam de pagar tributos de forma recorrente e estruturada, não por dificuldades financeiras pontuais, mas como modelo de negócio.
Diferente de empresas em crise, esses contribuintes utilizam a inadimplência como estratégia para obter vantagem competitiva indevida, reduzindo custos e prejudicando concorrentes que cumprem suas obrigações fiscais.
Segundo a Receita Federal, essa prática gera distorções no mercado e afeta diretamente a arrecadação pública.
Operação no setor de combustíveis
A nova fase da ação conjunta entre Receita Federal e PGFN teve início nesta segunda-feira (8) e envolve o envio de notificações a empresas do setor de combustíveis potencialmente enquadradas como devedoras contumazes.
Prazo para regularização
As empresas notificadas terão prazo de 30 dias para:
- Regularizar débitos tributários;
- Ajustar informações patrimoniais;
- Apresentar defesa administrativa com justificativas formais.
Durante esse período, os contribuintes podem demonstrar que não se enquadram como devedores contumazes, apresentando documentos e evidências de sua situação financeira.
O que pode acontecer após a notificação
Caso não haja regularização ou se a defesa não for aceita, as empresas podem sofrer uma série de restrições previstas na legislação tributária brasileira.
Entre as principais medidas estão:
Restrições administrativas e fiscais
- Inclusão no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público);
- Proibição de contratar com o poder público;
- Impedimento de acesso a benefícios fiscais;
- Restrição à celebração de transações tributárias.
Impactos empresariais mais severos
Em situações mais graves, a legislação prevê ainda:
- Declaração de inaptidão do CNPJ;
- Restrição à participação em processos de recuperação judicial;
- Possível convolação em falência.
Essas medidas têm impacto direto na operação das empresas, podendo inviabilizar contratos, financiamentos e atividades comerciais.
Base legal da atuação da Receita Federal
A iniciativa está amparada em novos dispositivos legais, incluindo a Lei Complementar nº 225/2026 e a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 6/2026.
Essas normas reforçam o poder da administração tributária de identificar, notificar e restringir contribuintes enquadrados como devedores contumazes.
A atuação conjunta entre Receita e PGFN também segue diretrizes da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão responsável pela cobrança da dívida ativa da União.
Por que o governo está apertando a fiscalização?
A intensificação do combate aos devedores contumazes está relacionada a três fatores principais:
1. Proteção da arrecadação pública
A inadimplência tributária recorrente reduz a capacidade do Estado de financiar serviços essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
De acordo com dados da própria PGFN, a dívida ativa da União ultrapassa trilhões de reais, sendo parte relevante composta por débitos de difícil recuperação.
2. Combate à concorrência desleal
Empresas que deixam de pagar impostos conseguem operar com custos artificialmente menores, o que prejudica empresas que seguem a legislação.
No setor de combustíveis, esse efeito é ainda mais sensível, pois influencia diretamente o preço final ao consumidor.
3. Reforço da conformidade tributária
A estratégia do governo também busca aumentar a percepção de risco entre contribuintes inadimplentes, incentivando a regularização espontânea.
Diferença entre devedor contumaz e empresa em crise
A Receita Federal reforça que nem toda empresa inadimplente é considerada devedora contumaz.
Empresas em dificuldade financeira
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Negócios afetados por crises econômicas, queda de faturamento ou eventos excepcionais podem:
- Renegociar dívidas;
- Solicitar parcelamentos;
- Participar de programas de transação tributária.
Devedores contumazes
Já os devedores contumazes são caracterizados por:
- Inadimplência reiterada;
- Estruturação do negócio baseada no não pagamento de tributos;
- Ausência de intenção de regularização.
Essa distinção é fundamental para evitar penalizações indevidas.
Impactos para o setor de combustíveis
O setor de combustíveis é um dos mais regulados do país e tem grande relevância econômica, influenciando transporte, indústria e inflação.
A atuação da Receita Federal pode gerar:
- Maior formalização do mercado;
- Redução de empresas irregulares;
- Ajustes na concorrência entre distribuidoras e revendas.
Na prática, a expectativa do governo é reduzir distorções de preços e aumentar a transparência na cadeia de combustíveis.
Como as empresas podem se defender
As empresas notificadas têm direito ao contraditório e à ampla defesa no processo administrativo.
Entre as principais estratégias estão:
- Comprovação de dificuldades financeiras reais;
- Demonstração de tentativas de regularização;
- Apresentação de planos de pagamento ou parcelamento;
- Contestação de inconsistências nos cálculos da dívida.
O acompanhamento jurídico especializado é essencial nesse tipo de processo, dada a complexidade da legislação tributária brasileira.
O que esperar dos próximos passos da fiscalização

A tendência é que a Receita Federal amplie gradualmente esse tipo de ação para outros setores estratégicos da economia.
A digitalização dos sistemas de fiscalização, aliada ao cruzamento de dados fiscais e financeiros, tem permitido identificar padrões de inadimplência com maior precisão.
Especialistas em direito tributário avaliam que o movimento marca uma nova fase de endurecimento da política fiscal brasileira, com foco em eficiência arrecadatória e combate à sonegação estruturada.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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