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Como o novo sistema de recolhimento de impostos da Receita Federal vai funcionar?

Receita Federal lança Split Payment para recolhimento de impostos no Brasil, com menos erros, mais segurança e modernização tributária.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Receita-Federal

A Receita Federal anunciou a criação de uma plataforma inédita que promete transformar a forma como os tributos sobre consumo serão recolhidos no Brasil. O sistema, conhecido como Split Payment, será o responsável por operacionalizar o pagamento dos novos Impostos sobre Valor Agregado (IVAs) previstos na reforma tributária sancionada em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida é considerada um marco na modernização do sistema tributário brasileiro e tem sido comparada, em termos de impacto, à introdução do Pix. Especialistas acreditam que a inovação pode reduzir fraudes, facilitar a vida dos contribuintes e dar mais eficiência ao fisco.

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O que muda com o novo sistema da Receita

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

A reforma tributária sobre o consumo, aprovada após décadas de discussões, prevê a unificação de cinco tributos em apenas dois: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Hoje, empresas e consumidores lidam com uma série de regras distintas para o recolhimento de impostos como ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. Com o Split Payment, o cálculo e a divisão entre os novos tributos serão automáticos, feitos em tempo real pela plataforma da Receita.

De acordo com o órgão, cerca de 70 bilhões de documentos fiscais por ano passarão pelo sistema, que terá capacidade de processar, analisar e distribuir os valores de forma integrada.


Como funciona o Split Payment

A lógica da divisão automática

O nome Split Payment vem justamente da ideia de “pagamento dividido”. Ao realizar uma compra ou operação de serviço, o valor do tributo não será repassado ao vendedor, mas direcionado automaticamente pelo sistema para os cofres públicos.

Assim, o consumidor pagará o valor final, mas a parte referente ao imposto seguirá por um fluxo separado e automatizado. Essa operação será feita por meio de uma calculadora oficial da Receita, que definirá a alíquota correta e fará a destinação ao IBS e à CBS.

Menos erros e mais transparência

Segundo a economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas, a robustez do Split Payment supera inclusive a do Pix, já que o sistema processará volumes imensos de dados. Para ela, a automação reduz falhas humanas e oferece maior segurança:

“Ele vai ter uma calculadora oficial dentro do sistema. Então, é ela que vai ajudar a fazer o cálculo dos impostos. Isso vai diminuir muito a margem de erro”, destacou.


Comparação com o Pix: revolução tecnológica

O Pix, lançado em 2020, mudou a forma como brasileiros realizam pagamentos e transferências. Em poucos anos, tornou-se o meio de pagamento mais utilizado no país, superando até cartões de crédito e débito.

Agora, o Split Payment pode desempenhar papel semelhante no universo tributário. Enquanto o Pix simplificou o dia a dia das pessoas físicas, o novo sistema tem o objetivo de modernizar a estrutura fiscal nacional.

Especialistas ressaltam que ambos possuem em comum a automação e a segurança em tempo real, características que permitem reduzir custos e aumentar a confiabilidade do processo.


Impactos esperados para contribuintes e empresas

Redução da sonegação

Um dos principais objetivos do Split Payment é reduzir a sonegação de impostos, problema histórico do país. Ao eliminar a etapa em que empresas recolhem tributos e os repassam posteriormente ao governo, o sistema diminui brechas para fraudes e desvios.

Facilidade para empresas

Para os empresários, a mudança também deve trazer ganhos. A complexidade atual, que exige escritórios de contabilidade especializados, pode ser simplificada com a automatização. Embora o novo sistema ainda demande adaptação tecnológica, espera-se que o custo operacional seja menor a longo prazo.

Segurança para consumidores

Para os consumidores, a principal vantagem será indireta: um sistema tributário mais eficiente e transparente tende a reduzir distorções e a tornar os preços mais justos. Além disso, a redução da sonegação pode aumentar a arrecadação sem necessidade de criação de novos impostos.


Desafios da implementação

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que a implementação do Split Payment não será simples.

  • Integração tecnológica: empresas terão que adaptar seus sistemas para operar com a plataforma da Receita.
  • Capacidade de processamento: lidar com bilhões de documentos por ano exigirá infraestrutura robusta e constante atualização tecnológica.
  • Período de transição: a substituição dos cinco tributos atuais pelo IBS e pela CBS exigirá um período de adaptação gradual, previsto na reforma tributária.

A Receita Federal já estuda um cronograma de testes, com fases-piloto para garantir que o sistema funcione de forma estável antes de ser implementado em larga escala.


Modernização tributária em perspectiva

O Brasil é conhecido por ter uma das legislações tributárias mais complexas do mundo. Estima-se que empresas gastem milhares de horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais.

Com o Split Payment, a expectativa é de que parte dessa burocracia seja eliminada. A inovação pode colocar o país em patamar semelhante ao de economias mais avançadas, onde sistemas automatizados de recolhimento são comuns.

A economista Carla Beni resume o potencial da medida:

“O Split Payment é uma das principais inovações do país após o Pix. Ele não apenas moderniza a arrecadação, mas também garante mais segurança e justiça fiscal.”


Conclusão: um novo marco para o sistema tributário

O anúncio do Split Payment marca o início de uma nova fase para o sistema tributário brasileiro. A promessa é de menos erros, mais transparência e maior eficiência no recolhimento de impostos.

Embora os desafios sejam significativos, especialmente em termos de tecnologia e adaptação empresarial, o potencial da ferramenta é visto como transformador. Se bem implementado, pode representar um divisor de águas na relação entre contribuintes, empresas e governo.

Assim como o Pix revolucionou os pagamentos, o Split Payment pode ser lembrado como a revolução tributária digital que simplificou e modernizou o Brasil.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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