A Record TV avalia a aquisição de um pacote com 52 partidas da Copa do Mundo FIFA de 2026, em meio a negociações iniciais com o narrador esportivo Galvão Bueno.
Record avalia compra de direitos da Copa 2026 e negocia com Galvão Bueno
Record avalia comprar pacote de 52 jogos da Copa 2026 e negocia com Galvão Bueno para reforçar presença esportiva e enfrentar a Globo.
O movimento marca uma tentativa ambiciosa da emissora de entrar com força no segmento esportivo e desafiar a tradicional hegemonia da TV Globo nas transmissões do Mundial.
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A divisão de jogos da Copa entre Globo e Record
A próxima Copa do Mundo será a primeira desde 2002 com direitos de transmissão não exclusivos no Brasil. A Globo, que garantiu os 52 jogos principais — incluindo todos os confrontos da Seleção Brasileira, semifinais e final —, investiu cerca de R$ 500 milhões nesse pacote premium.
Já a Record, em conversas com a empresa LiveMode, representante oficial da FIFA no Brasil, estuda adquirir os 52 jogos restantes por um valor estimado de R$ 400 milhões. Esse pacote secundário inclui partidas da fase de grupos e confrontos sem o mesmo apelo popular dos duelos decisivos.
Diferença de audiência pode chegar a 150%
Segundo dados da Copa do Mundo de 2022, enquanto os jogos do Brasil alcançaram médias de 50 pontos no Painel Nacional de Televisão (PNT), partidas de seleções como Espanha, Alemanha e México chegaram a 30 pontos no máximo.
Em números absolutos, isso representa até 2,2 milhões de domicílios a menos sintonizados.
Galvão Bueno pode retornar à TV aberta pela Record
Um narrador, dois mundos: entre tradição e reinvenção
Além da movimentação estratégica com a LiveMode, a Record tem conversado com Galvão Bueno, maior nome da narração esportiva brasileira, aposentado da Globo desde 2022.
O objetivo da emissora é simples: dar peso e credibilidade à cobertura esportiva de um pacote considerado comercialmente menos atraente.
Repercussão interna: Cléber Machado incomodado
As tratativas com Galvão causaram desconforto nos bastidores, especialmente para o narrador Cléber Machado, que foi contratado pela Record após deixar a Globo e tem sido o rosto principal da emissora em eventos esportivos.
A possibilidade de dividir espaço — ou ser preterido — por Galvão gerou tensão interna e abriu debates sobre a hierarquia nas transmissões.
Por que a Record quer a Copa de 2026?
Um investimento com retorno estratégico
Executivos da Record avaliam que, mesmo com potencial de audiência reduzido, transmitir metade dos jogos da Copa tem valor estratégico, especialmente visando a disputa pelos direitos da Copa do Mundo de 2030.
Com a Globo abrindo mão da exclusividade até 2030, a concorrência pelo maior torneio de futebol do mundo será acirrada, e a experiência de 2026 pode servir como cartão de visitas para a Record.
Oportunidade gerada pela crise na Globo
Em 2023, a Globo renegociou seu contrato com a FIFA, abrindo mão dos direitos de 2030 e reduzindo os custos em cerca de 50%. A medida foi interpretada como parte de uma estratégia para enxugar despesas diante do cenário econômico desafiador, mas também abriu espaço para concorrentes.
Desafios da Record: retorno financeiro e audiência
Um pacote sem Brasil, sem final
O grande desafio da Record será rentabilizar um conteúdo com menor apelo comercial. Sem os jogos da Seleção Brasileira, nem fases eliminatórias decisivas, o pacote de 52 partidas tende a ter menor retorno em publicidade.
A média de audiência esperada é bem mais modesta, com jogos transmitidos em horários variados e com seleções de menor expressão para o público brasileiro.
Custo estimado de R$ 400 milhões
Mesmo com valor inferior ao pacote da Globo, o custo de R$ 400 milhões exige um esforço publicitário expressivo. A emissora precisará atrair patrocinadores relevantes, talvez ligados ao mercado internacional, e aumentar sua presença em plataformas digitais para ampliar o alcance.
Quem é a LiveMode e por que ela é central nessa negociação?
A intermediária entre FIFA e emissoras
A empresa LiveMode atua como representante da FIFA no Brasil, responsável por comercializar os direitos de mídia do Mundial. Desde 2022, ela negocia com múltiplos players do mercado brasileiro, em um modelo que busca quebrar a exclusividade histórica da Globo.
A ideia é democratizar o acesso ao conteúdo da Copa, permitindo que TV aberta, canais por assinatura, serviços de streaming e redes sociais tenham participação ativa. Isso abre espaço para players como SBT, Band, YouTube, Amazon Prime Video e TikTok, além da Record.
Reações do mercado e do público
Audiência fragmentada e competição por atenção
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+311 mil seguidores
Especialistas veem com bons olhos a possibilidade de múltiplas emissoras transmitirem a Copa. Em um cenário de consumo multiplataforma e sob demanda, oferecer o conteúdo em diferentes formatos pode aumentar o alcance geral do evento.
Contudo, também há riscos: com tantos canais dividindo a audiência, o impacto isolado de cada transmissão pode ser diluído, o que pressiona os anunciantes e os próprios veículos de mídia.
O público aceita ver a Copa fora da Globo?
A grande dúvida do mercado gira em torno da relação cultural entre o público e a Globo nas Copas. Desde 1970, a emissora carioca tem sido o palco central das transmissões, com um histórico de cobertura que marcou gerações.
A presença de Galvão Bueno na Record pode suavizar essa transição e garantir autoridade narrativa, mesmo com jogos secundários. Mas será suficiente para alterar a tradição de milhões de lares?
Perspectivas para a Copa do Mundo 2030
Record pode se preparar para brigar de igual para igual
O movimento atual pode ser apenas o primeiro passo. Caso obtenha sucesso em 2026, a Record estará posicionada para disputar, com mais confiança, os direitos da Copa de 2030.
A experiência acumulada, a credibilidade construída com nomes de peso e o aprendizado técnico e comercial serão determinantes para isso.
O que diz a Record oficialmente?

Em nota enviada à imprensa, a Record declarou:
“A Record não tem os direitos da Copa do Mundo. A transmissão deste evento ainda está em avaliação profunda pela direção da Record. Logo, não temos negociações com nenhum profissional para esta transmissão.”
A declaração, embora negativa, não descarta as tratativas e mantém a emissora estrategicamente posicionada para anunciar a compra em breve, caso as negociações avancem.
Conclusão
A movimentação da Record para adquirir parte dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026, aliada à possível contratação de Galvão Bueno, revela uma mudança significativa no cenário esportivo da televisão brasileira.
A emissora busca não apenas ampliar sua relevância, mas também se preparar para disputar futuros eventos com mais peso.
Apesar dos desafios comerciais e de audiência, a Record aposta que a presença em um evento global como a Copa pode render retornos institucionais, aprendizado estratégico e fortalecimento de marca.
Com isso, a briga por atenção — e por corações — durante o Mundial de 2026 promete ser mais acirrada do que nunca.
