O número de brasileiros com dívidas em atraso chegou a uma marca histórica em 2025. Segundo dados atualizados do SPC Brasil e da Serasa Experian, o país ultrapassou a marca de 72 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a quase um terço da população. Essa elevada inadimplência compromete a saúde financeira das famílias e, se esse contingente formasse um país, ele estaria entre as vinte nações mais populosas do planeta, superando França, Reino Unido e Itália.
Endividamento em massa: entenda por que o crescimento econômico pode estar mascarando uma crise
Brasil registra recorde de inadimplência e endividamento em 2025. Mais de 72 milhões com nome sujo mostram desafios da economia doméstica.
Este cenário revela as fragilidades estruturais da economia brasileira, que combina baixo crescimento, crédito caro e queda no poder de compra da população.
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Um retrato da inadimplência no Brasil

Quem são os endividados?
O perfil médio do inadimplente brasileiro em 2025 é de uma pessoa com idade entre 30 e 49 anos, renda mensal inferior a dois salários mínimos e dívidas acumuladas principalmente em cartões de crédito, empréstimos pessoais e contas básicas, como água, luz e telefone.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias com dívidas passou de 78% em abril de 2024 para 81% em abril de 2025.
Crescimento da inadimplência entre mulheres
Outro dado relevante é que o crescimento da inadimplência tem afetado principalmente as mulheres, que representam cerca de 52% do total de endividados. Elas também são maioria entre os chefes de família em lares monoparentais, o que reforça a vulnerabilidade diante da elevação dos preços e da redução da renda real.
Fatores que explicam o aumento do endividamento
Crédito caro e juro elevado
Um dos principais motivos para o aumento da inadimplência é o custo elevado do crédito no Brasil. Mesmo com a recente redução da taxa Selic, os juros ao consumidor permanecem em níveis historicamente altos. Cartões de crédito rotativo e empréstimos pessoais têm taxas médias superiores a 300% ao ano, tornando difícil o pagamento das dívidas por parte das famílias.
Inflação persistente
Apesar de o IPCA ter registrado desaceleração nos últimos meses, os preços dos alimentos, combustíveis e serviços essenciais continuam pesando no bolso do brasileiro. A inflação acumulada em 12 meses ultrapassa 4,5%, com destaque para os aumentos nos produtos da cesta básica, como arroz, leite e carne.
Mercado de trabalho informal
A informalidade no mercado de trabalho também contribui para a fragilidade financeira das famílias. Segundo o IBGE, quase 40% da força de trabalho atua sem carteira assinada ou em ocupações informais, o que compromete a estabilidade da renda e a capacidade de arcar com compromissos financeiros de longo prazo.
Impactos para a economia brasileira
Consumo das famílias em queda
O aumento da inadimplência tem impacto direto sobre o consumo, um dos principais motores da economia brasileira. Famílias endividadas tendem a reduzir gastos com bens duráveis, lazer e alimentação fora de casa, o que desacelera a atividade econômica e afeta diretamente setores como comércio e serviços.
Crédito restrito e confiança baixa
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Com o avanço da inadimplência, os bancos e financeiras também se tornam mais criteriosos na concessão de crédito, o que restringe ainda mais o acesso a financiamento e compromete investimentos das famílias, como aquisição de imóveis, veículos e educação.
Além disso, o índice de confiança do consumidor tem caído mês a mês, refletindo o medo do desemprego, a frustração com a renda e a percepção de instabilidade econômica.
O que está sendo feito para conter a crise?

Feirões de renegociação e programas do governo
Em resposta ao cenário crítico, instituições como Serasa e SPC têm promovido feirões nacionais de renegociação de dívidas, com descontos que chegam a 90% para pagamentos à vista.
O governo federal também relançou em 2025 o programa Desenrola Brasil, que visa renegociar dívidas de até R$ 5 mil para pessoas com renda de até dois salários mínimos, além de facilitar o acesso ao crédito para quem tem o nome negativado.
Educação financeira e medidas de longo prazo
Especialistas apontam que, além de medidas emergenciais, é necessário investir em educação financeira e mudanças estruturais, como a reforma tributária, políticas de valorização do salário mínimo e expansão do emprego formal.
Previsões e desafios para os próximos meses
A expectativa é de que, com a continuidade da política de cortes na Selic e estímulos ao crédito, haja uma leve recuperação na capacidade de pagamento das famílias no segundo semestre de 2025. No entanto, analistas alertam que a sustentabilidade da economia doméstica brasileira ainda depende de reformas profundas, incluindo maior proteção social, ampliação da renda e combate à desigualdade.
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