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Bolsonaro e prisão: o que esperar para 2026?

Com condenação de Bolsonaro a 27 anos, advogados recorrem ao STF com embargos de declaração. Moraes pode iniciar cumprimento da pena.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Ex-presidente Jair Bolsonaro com expressão séria e olhando para cima.

A publicação do acórdão do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado marca o início de uma nova fase processual. A partir de agora, as defesas dos réus, incluindo a do próprio ex-mandatário, têm a oportunidade de apresentar recursos — com destaque para os embargos de declaração, primeiros a serem protocolados.

Embora Bolsonaro esteja em prisão domiciliar preventiva, a publicação do acórdão abre a possibilidade concreta de execução da pena. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisará os novos recursos dentro dos prazos legais e, caso os embargos sejam rejeitados, o relator Alexandre de Moraes pode determinar o cumprimento imediato da sentença.

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Embargos de declaração: prazos e limitações

O primeiro recurso cabível após a publicação do acórdão é o embargo de declaração, instrumento processual com prazo de cinco dias úteis para ser apresentado. Seu objetivo é esclarecer contradições, obscuridades ou omissões no texto do julgamento. Em casos como este, envolvendo decisões colegiadas do STF, é raro que os embargos modifiquem o resultado da condenação.

Mesmo cientes dessa limitação, os advogados de Bolsonaro e dos demais condenados já anunciaram que irão utilizar esse recurso, principalmente para registrar inconformidades e preservar o direito de recorrer a instâncias internacionais no futuro, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Relator e presidente da turma definem os próximos passos

Após a apresentação dos embargos, o relator Alexandre de Moraes deve solicitar que o recurso seja pautado para julgamento. Isso pode ocorrer em dois formatos: plenário físico ou plenário virtual. A decisão final sobre a data caberá ao ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do STF, responsável por coordenar os trabalhos do colegiado que julgou Bolsonaro e os demais réus da tentativa de golpe.

Cumprimento imediato da pena: decisão nas mãos de Moraes

Se os embargos forem rejeitados, Moraes terá a prerrogativa de decidir sobre o início da execução penal. Isso inclui avaliar se Jair Bolsonaro continuará cumprindo prisão domiciliar ou será transferido para outra unidade, como:

  • Instalação da Polícia Federal em Brasília;
  • Unidade militar, caso se entenda que o ex-presidente tem prerrogativa especial por ter sido chefe de Estado;
  • Presídio de segurança federal, a depender das circunstâncias e riscos à segurança institucional.

A decisão de Moraes deverá considerar aspectos técnicos, políticos e de segurança pública, em um ambiente polarizado e sob forte observação nacional e internacional.

Embargos infringentes: possibilidade controversa

Além dos embargos de declaração, algumas defesas anunciaram que irão ingressar com embargos infringentes, um recurso previsto nos regimentos internos dos tribunais superiores e que permite a reavaliação do mérito de uma decisão caso haja ao menos dois votos divergentes.

No caso de Bolsonaro, apenas o ministro Luiz Fux votou contra a condenação, o que, em tese, inviabilizaria esse recurso. Contudo, os advogados argumentam que essa interpretação não está explicitamente prevista no regimento do STF, e que haveria margem para protocolar os embargos mesmo com apenas um voto pela absolvição.

É provável que o ministro Alexandre de Moraes rejeite monocraticamente os embargos infringentes, especialmente se considerar que eles não preenchem os requisitos formais.

Situação dos demais réus: decisões semelhantes

A maioria dos demais réus condenados junto com Jair Bolsonaro no processo da tentativa de golpe também enfrentará o mesmo rito processual. As penas, que variam entre 17 e 30 anos de prisão, foram fixadas com base em crimes como:

  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Associação criminosa armada;
  • Incitação à desobediência militar.

Entre os condenados, estão militares da reserva, ex-ministros, deputados, empresários e influenciadores digitais envolvidos na articulação e execução dos atos de 8 de janeiro de 2023. A publicação do acórdão unifica as decisões e dá início ao prazo comum para todos os réus apresentarem os recursos cabíveis.

Bolsonaro pode cumprir pena em unidade militar?

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Imagem:  Marcelo Chello / Shutterstock.com

Uma das dúvidas jurídicas mais debatidas nas últimas semanas diz respeito à possibilidade de Jair Bolsonaro cumprir sua pena em uma unidade militar, como ex-capitão do Exército e ex-comandante-em-chefe das Forças Armadas.

A jurisprudência atual não garante esse direito automaticamente. A Constituição Federal e o Código Penal Militar estabelecem algumas prerrogativas para militares da ativa e da reserva, mas não há consenso se o benefício se estende a um ex-presidente condenado por crimes comuns e políticos.

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Caso o STF entenda que não há essa prerrogativa, Bolsonaro pode ser transferido para:

  • Unidade da Polícia Federal, com cela especial;
  • Presídio de segurança máxima, com medidas de proteção reforçadas;
  • Continuar em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, caso se comprove risco à integridade física ou à ordem institucional em caso de deslocamento.

Repercussões políticas e institucionais

A condenação de Jair Bolsonaro e a iminente execução da pena têm provocado forte impacto político. Parlamentares aliados falam em “perseguição jurídica”, enquanto setores da sociedade civil defendem a atuação do STF como essencial para a preservação da democracia.

No Congresso Nacional, partidos de oposição prometem obstrução de pautas e possíveis novas tentativas de instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para apurar supostas irregularidades no processo judicial.

Já o governo federal, em nota oficial, reforçou a independência dos Poderes e declarou confiança nas instituições republicanas. O presidente Lula, que evitou se pronunciar diretamente sobre a sentença, tem mantido distância da pauta, evitando que o caso seja politizado pelo Executivo.

O que vem a seguir?

Bolsonaro
Imagem: Douglas Magno/Agência Senado

A agenda jurídica de Bolsonaro, agora como réu condenado, deve incluir:

  • Apresentação dos embargos de declaração nos próximos cinco dias úteis;
  • Decisão do ministro Moraes sobre o acolhimento ou rejeição dos recursos;
  • Possível execução imediata da pena;
  • Discussão sobre local de cumprimento da pena: domicílio, PF ou unidade militar;
  • Tentativa de embargos infringentes, com risco de rejeição sumária;
  • Eventual recurso a tribunais internacionais, em caso de esgotamento das vias nacionais.

A análise desses próximos passos será fundamental para entender o futuro jurídico de Bolsonaro e seus aliados. A depender da postura do STF, o caso pode se tornar um precedente histórico para crimes contra o Estado Democrático de Direito no Brasil.

Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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