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Aposentadoria do INSS: proposta prevê alteração na idade mínima exigida

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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Uma nova rodada de mudanças na Previdência Social voltou ao debate em 2026. Estudos elaborados por especialistas ligados ao Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e ao Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) apresentam alternativas para enfrentar o envelhecimento da população e as transformações no mercado de trabalho.

Entre as ideias estão elevar gradualmente a idade de aposentadoria para até 67 anos para homens e mulheres, alterar a contribuição do microempreendedor individual (MEI), criar uma compensação previdenciária para mulheres com filhos e estabelecer uma estrutura com diferentes camadas de proteção.

É importante destacar, porém, que essas propostas não mudaram as regras do INSS. São estudos e sugestões que dependem de discussão política, elaboração legislativa e aprovação pelo Congresso Nacional para eventualmente entrarem em vigor. O CDPP publicou as propostas em julho de 2026 como parte do debate sobre uma possível nova reforma.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Por que uma nova reforma da Previdência está sendo discutida?

A principal justificativa apresentada pelos especialistas é demográfica. O Brasil passa por uma transformação caracterizada pelo envelhecimento da população e pela redução da quantidade de nascimentos.

Essa mudança interfere diretamente no equilíbrio de um sistema previdenciário baseado em contribuições dos trabalhadores para financiar benefícios. Se a proporção entre contribuintes e beneficiários mudar significativamente, aumenta a pressão sobre as contas públicas.

Outro desafio é a transformação do mercado de trabalho. O crescimento de trabalhadores por conta própria, profissionais contratados como pessoas jurídicas e trabalhadores de plataformas digitais pode alterar a forma tradicional de arrecadação previdenciária.

Nesse cenário, os estudos defendem que uma eventual reforma não deveria se limitar à idade para aposentadoria, mas também rever a forma como diferentes grupos participam do financiamento da Previdência.

Idade para aposentadoria poderia chegar a 67 anos

Uma das propostas de maior impacto seria aumentar progressivamente a idade mínima até 67 anos para ambos os sexos.

Atualmente, para quem ingressou no Regime Geral de Previdência Social após a Reforma da Previdência, a aposentadoria programada exige idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além do tempo mínimo de contribuição.

As regras de transição também continuam sendo aplicadas a quem já estava filiado ao sistema antes da reforma de 2019. Por isso, não existe hoje uma regra geral que obrigue todos os brasileiros a trabalhar até os 67 anos.

A proposta discutida pelos especialistas prevê uma elevação gradual vinculada à evolução da expectativa de vida. Na prática, isso significaria que futuras gerações poderiam precisar permanecer mais tempo no mercado de trabalho para alcançar a aposentadoria.

Mulheres poderiam ter compensação por filhos

Outra sugestão apresentada é criar um adicional no benefício das mulheres que tenham filhos, limitado a determinado número de crianças.

A ideia parte da constatação de que a maternidade pode afetar a trajetória profissional e contributiva das mulheres. Períodos fora do mercado de trabalho, redução da jornada e maior participação nas atividades domésticas podem diminuir o tempo ou o valor das contribuições previdenciárias.

A proposta, portanto, buscaria introduzir uma espécie de compensação dentro do cálculo previdenciário.

Isso também representaria uma mudança conceitual: em vez de simplesmente aumentar os requisitos de aposentadoria, o sistema passaria a considerar determinados efeitos da trajetória familiar sobre a carreira contributiva.

Contribuição do MEI poderia subir

O modelo de contribuição previdenciária do MEI também aparece entre os pontos que poderiam ser modificados.

Atualmente, o MEI recolhe contribuição previdenciária reduzida, calculada sobre o salário mínimo, dentro do regime simplificado. A proposta discutida pelos especialistas prevê uma elevação gradual da contribuição, chegando a 11%, com diferenciações relacionadas ao perfil do trabalhador.

A mudança teria impacto direto sobre milhões de pequenos empreendedores que utilizam o regime simplificado para manter a cobertura previdenciária.

Para um MEI, uma eventual elevação da contribuição significaria aumento do custo mensal para permanecer segurado. Em contrapartida, o debate envolve justamente a necessidade de aproximar o financiamento do sistema da realidade de diferentes categorias profissionais.

O Ministério da Previdência reforça que manter as contribuições é importante para preservar a qualidade de segurado e o acesso aos benefícios previdenciários nas situações previstas em lei.

Proposta cria Previdência em três camadas

Uma das mudanças estruturais sugeridas seria organizar a Previdência em três níveis.

O primeiro funcionaria como uma renda básica de proteção. O segundo preservaria a contribuição obrigatória ao regime previdenciário público. Já o terceiro seria formado por uma parcela de capitalização voltada principalmente aos trabalhadores com rendimentos superiores ao teto previdenciário.

Nesse modelo, parte da proteção continuaria baseada no sistema público e outra parcela dependeria da formação de uma reserva individual.

A proposta representa uma alteração relevante em relação ao modelo atual e exigiria ampla discussão sobre regras de contribuição, administração dos recursos, riscos de investimento e proteção dos trabalhadores.

Outras mudanças aparecem nos estudos

Os estudos também colocam em discussão a forma de reajuste dos benefícios, aposentadorias especiais, desonerações e mecanismos de fiscalização.

A revisão das aposentadorias especiais é particularmente sensível porque envolve trabalhadores submetidos a condições consideradas prejudiciais à saúde. O tema, inclusive, passou por uma decisão importante do Supremo Tribunal Federal em 2026: o STF declarou inconstitucional a exigência de idade mínima prevista para determinadas aposentadorias especiais do RGPS após a Reforma de 2019.

Isso mostra que uma eventual nova reforma teria de considerar não apenas questões fiscais, mas também decisões judiciais e as características específicas de diferentes categorias profissionais.

O que muda para quem pretende se aposentar agora?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Por enquanto, nada.

As regras atualmente aplicáveis continuam valendo. Para quem ingressou no RGPS depois da reforma de 2019, a aposentadoria programada exige, em regra, 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, além do tempo mínimo de contribuição e da carência exigida.

Quem já contribuía antes da reforma pode estar enquadrado em uma das regras de transição. Por isso, não é recomendável tomar decisões sobre aposentadoria com base apenas em notícias sobre uma possível reforma.

O ideal é consultar o histórico de contribuições e verificar quais regras podem ser aplicadas ao caso individual.

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