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Empresas podem enfrentar pressão no caixa por até 63 dias com a reforma tributária

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A implementação da reforma tributária sobre o consumo pode criar desafios para o fluxo de caixa das empresas brasileiras, especialmente durante a transição para o novo sistema de impostos. Um levantamento divulgado pela Roit em 26 de outubro de 2026 estima que atrasos no aproveitamento de créditos tributários podem gerar pressões financeiras de até 63 dias em determinadas operações comerciais.

O estudo analisou 65 grupos empresariais e 295 mil fornecedores, considerando um volume anual de compras de R$ 608,8 bilhões. Entre os riscos identificados estão as diferenças entre os prazos de faturamento e pagamento e as situações em que o fornecedor não recolhe o tributo no período esperado.

A preocupação envolve principalmente a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá o PIS/Pasep e a Cofins. O novo modelo também inclui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios.

Os números apresentados pela consultoria são estimativas de cenários analisados, não uma previsão de prejuízo obrigatório para todas as empresas. O impacto efetivo dependerá das regras aplicáveis, das características de cada operação e do funcionamento dos mecanismos de recolhimento e apropriação de créditos.

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Imagem criada por IA/ Seu Crédito Digital

O recolhimento do imposto ganha importância

No modelo previsto pela reforma, o aproveitamento de créditos de CBS e IBS estará sujeito às condições estabelecidas na legislação, incluindo mecanismos relacionados à extinção do débito tributário da operação anterior.

Isso significa que a empresa compradora precisará acompanhar não apenas a emissão da nota fiscal e o pagamento ao fornecedor, mas também as condições necessárias para reconhecer o crédito tributário correspondente.

Quando os prazos comerciais não coincidem com o momento em que o crédito pode ser utilizado, surge uma diferença financeira. A empresa pode ter desembolsado recursos para adquirir mercadorias ou contratar serviços sem conseguir compensar imediatamente o tributo relacionado à operação.

O problema pode ser mais significativo em negócios que compram grandes volumes de insumos, trabalham com margens apertadas ou dependem de recebimentos futuros para pagar fornecedores, salários e outras despesas operacionais.

Como surgem os atrasos de 33 e 63 dias?

Segundo o levantamento da Roit, diferenças nos ciclos de faturamento podem atrasar em aproximadamente 33 dias o aproveitamento de créditos em determinados cenários. Quando há inadimplência tributária do fornecedor, o intervalo pode chegar a 63 dias.

Para compreender o efeito, imagine uma indústria que compra matéria-prima para produzir mercadorias. A empresa paga o fornecedor e precisa manter o estoque, remunerar os funcionários e custear a produção. Se o crédito tributário não estiver disponível no momento esperado, parte dos recursos que poderia ajudar a financiar essas atividades permanecerá comprometida.

O resultado pode ser uma necessidade maior de capital de giro, inclusive com eventual recurso a empréstimos bancários. Nesse caso, o custo financeiro adicional dependerá do valor envolvido, do prazo de espera e da taxa de juros contratada.

R$ 16,35 bilhões em tributos estão no radar

Outro dado destacado pela Roit é a estimativa de R$ 16,35 bilhões anuais em tributos potencialmente sem recuperação como crédito nas situações examinadas.

De acordo com a análise, a dificuldade de aproveitamento desses valores pode elevar o custo efetivo das compras e reduzir a eficiência financeira das cadeias produtivas. Em alguns casos, as empresas podem tentar incorporar despesas adicionais aos preços de venda, embora a possibilidade de repasse dependa da concorrência e das condições de mercado.

É importante diferenciar essa estimativa de uma perda tributária definitiva. O montante não significa que todas as empresas deixarão de recuperar créditos nesse valor. O resultado dependerá da regulamentação, do cumprimento das obrigações fiscais e das particularidades de cada operação.

Ainda assim, o levantamento reforça a necessidade de preparar os controles financeiros e tributários antes do avanço da transição.

Quais empresas podem sentir mais os efeitos?

Os riscos merecem atenção especial de indústrias, distribuidores, redes varejistas e prestadores de serviços que realizam compras frequentes e movimentam valores elevados.

Empresas com muitos fornecedores também podem enfrentar maior dificuldade para monitorar documentos fiscais, prazos de pagamento e regularidade dos recolhimentos. Quando um parceiro comercial apresenta problemas recorrentes, o efeito pode se refletir no planejamento financeiro de toda a cadeia.

Pequenos negócios também precisam acompanhar as mudanças, especialmente quando dispõem de reservas financeiras limitadas. Uma demora na recuperação de créditos pode comprometer pagamentos essenciais, mesmo que a empresa mantenha vendas regulares.

Como preparar a empresa para as novas regras da CBS e do IBS?

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Imagem: Reprodução

Revisar contratos e prazos comerciais

Uma das principais medidas é avaliar os contratos com fornecedores e clientes. Prazos de pagamento, condições de faturamento e responsabilidades tributárias precisam ser compatíveis com a nova dinâmica fiscal.

A negociação de condições comerciais mais equilibradas pode reduzir a diferença entre o desembolso financeiro e o aproveitamento dos créditos. Também é recomendável estabelecer procedimentos para tratar atrasos, inconsistências documentais e descumprimento de obrigações.

Integrar os setores fiscal, financeiro e comercial

A adaptação não deve ficar restrita à contabilidade. O setor financeiro precisa estimar a necessidade de caixa, enquanto as equipes fiscal e jurídica devem acompanhar as regras de apropriação de créditos e as obrigações dos fornecedores.

Os sistemas de gestão empresarial (ERP) também precisarão estar preparados para registrar informações fiscais, conciliar pagamentos e identificar operações com possíveis pendências. Relatórios de acompanhamento podem ajudar a antecipar períodos de maior necessidade de recursos.

Planejar o capital de giro para 2027

A empresa deve simular cenários com diferentes prazos de aproveitamento de créditos, volumes de compras e condições de recebimento. A partir dessas projeções, será possível estimar a reserva necessária para manter a operação sem depender excessivamente de crédito bancário.

O dia 31 de dezembro de 2026 foi apontado no levantamento como referência para a preparação dos sistemas e dos processos internos. Por isso, as empresas devem tratar a adaptação como uma prioridade de planejamento, acompanhando os prazos legais e as orientações oficiais.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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