A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu a Consulta Pública nº 17/2026 com uma proposta que pode redesenhar a forma como operadoras de telecomunicações utilizam e remuneram o uso de redes no Brasil.
Anatel propõe novas regras para uso de redes no Brasil
Anatel abre consulta pública para mudar regras de uso de redes, interconexão e banda larga no Brasil. Entenda o que pode mudar até 2027.
O objetivo é modernizar e simplificar o chamado Regulamento de Remuneração pelo Uso de Redes (RRUR), impactando desde a telefonia fixa e móvel até o mercado de banda larga.
A consulta ficará aberta por 45 dias, com encerramento previsto para 1º de junho de 2026, e as contribuições devem ser enviadas pelo Sistema Participa Anatel.
O que está em discussão?
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A proposta da Anatel trata principalmente das regras de pagamento entre operadoras quando uma empresa utiliza a infraestrutura de outra. Esse modelo é conhecido no setor como interconexão de redes.
Na prática, isso envolve:
- Chamadas de uma operadora para outra
- Tráfego de dados entre redes diferentes
- Uso de infraestrutura compartilhada
- Serviços de trânsito e transporte de dados
A agência quer consolidar regras hoje espalhadas em diferentes normativos, tornando o sistema mais simples e atualizado com o cenário atual das telecomunicações.
Principais mudanças
A minuta apresentada pela agência traz três eixos centrais de discussão regulatória.
1. Consolidação das regras de remuneração
A Anatel avalia se deve reunir em um único regulamento todas as normas relacionadas ao uso de redes em diferentes serviços de telecomunicações.
Hoje, essas regras estão fragmentadas entre telefonia fixa, móvel e banda larga, o que gera complexidade regulatória para empresas do setor.
2. Simplificação normativa
Outro ponto é a possível revogação de regras consideradas desatualizadas ou já incorporadas em outros regulamentos.
O objetivo é reduzir sobreposição de normas e facilitar a aplicação das regras pelas operadoras.
3. Unificação entre banda larga e telefonia
A proposta também discute a integração das regras da banda larga (Serviço de Comunicação Multimídia – SCM) com as da telefonia tradicional.
Isso se torna mais relevante com a possibilidade de uso de numeração pública no SCM, conforme padrão internacional E.164 da União Internacional de Telecomunicações.
O impacto do SCM e da banda larga na regulação
O Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), que representa a banda larga fixa, passa a ter papel mais central na proposta regulatória.
Isso ocorre porque o serviço pode, no futuro, operar com elementos típicos da telefonia tradicional, como numeração pública.
Na prática, isso aproxima ainda mais:
- Internet fixa
- Serviços de voz sobre IP
- Redes móveis e fixas
- Plataformas digitais de comunicação
Mudanças no regulamento geral de interconexão
A proposta também altera o Regulamento Geral de Interconexão (RGI), que define como as redes das operadoras se conectam entre si.
Entre os ajustes previstos estão:
- Regras para trânsito local de dados
- Transporte de tráfego entre redes
- Condições técnicas para interligação
- Atualização de obrigações regulatórias
Mudança para o setor?
A atualização das regras de uso de redes pode ter impacto direto em:
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- Custos operacionais das operadoras
- Preço final de serviços ao consumidor
- Qualidade da interconexão entre redes
- Concorrência no setor de telecomunicações
- Expansão da banda larga no país
Na prática, um modelo mais simples e unificado pode reduzir disputas entre empresas e acelerar investimentos em infraestrutura.
O que muda?
Embora a consulta pública seja voltada ao setor regulado, os efeitos podem chegar ao usuário final.
Possíveis impactos incluem:
- Melhor estabilidade de chamadas entre operadoras
- Integração mais eficiente entre redes de internet
- Maior competição entre empresas
- Potencial redução de custos no longo prazo
Por outro lado, mudanças regulatórias também exigem adaptação das empresas, o que pode levar tempo até refletir no mercado.
Próximos passos da Anatel
Após o encerramento da consulta pública em junho de 2026, a Anatel analisará todas as contribuições recebidas de empresas, entidades e sociedade civil.
Em seguida, poderá:
- Ajustar a proposta original
- Consolidar o novo regulamento
- Definir prazos de transição
- Estabelecer regras finais de implementação
Parte das mudanças já tem horizonte de aplicação a partir de 1º de março de 2027, especialmente no que envolve interconexão e uso de numeração pública.
Considerações finais
A proposta da Anatel representa uma das mais relevantes revisões regulatórias recentes no setor de telecomunicações brasileiro. Ao buscar unificar regras de uso de redes, interconexão e banda larga, a agência tenta acompanhar a convergência tecnológica e simplificar um sistema historicamente fragmentado.
Se aprovada, a mudança pode afetar diretamente a estrutura de custos das operadoras e, no médio prazo, a experiência dos usuários de internet e telefonia no país.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
