O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (5.jun.2025) as regras que nortearão o funcionamento do Pix automático, nova modalidade do sistema de pagamentos instantâneos que permitirá cobranças recorrentes com uma única autorização do cliente. A regulamentação vem acompanhada de exigências específicas para empresas que pretendem aderir ao sistema, com foco principal na prevenção a fraudes e aumento da confiança dos usuários.
Mais segurança no Pix Automático! Banco Central fecha cerco contra fraudes
Banco Central define exigências para empresas no Pix automático, com foco na segurança e prevenção de fraudes em cobranças recorrentes.
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A principal inovação do Pix automático é permitir que pagamentos recorrentes, como mensalidades escolares, assinaturas de streaming e contas de serviços, sejam realizados automaticamente após uma única autorização do pagador. A funcionalidade estava em desenvolvimento desde 2023 e será oficialmente disponibilizada ainda neste segundo semestre de 2025.
Contudo, diante do crescimento de golpes financeiros associados ao Pix convencional, o BC optou por um modelo mais rigoroso de adesão por parte das empresas que desejam oferecer esse tipo de cobrança.
Exigência mínima de 6 meses de CNPJ ativo
Segundo a nova resolução publicada nesta quinta-feira, somente empresas com CNPJ ativo há pelo menos seis meses poderão solicitar o credenciamento para utilizar o Pix automático. Essa exigência tem como objetivo barrar empresas recém-criadas com intenções fraudulentas, que poderiam utilizar o sistema para aplicar golpes e desaparecer após as primeiras transações.
Além do tempo mínimo de existência, será obrigatório que a razão social da empresa seja idêntica àquela registrada na Receita Federal. A medida busca evitar o uso de nomes fantasia ou abreviações enganosas, o que pode confundir os usuários e facilitar fraudes.
Responsabilidade dos provedores de pagamento
Os provedores de serviços de pagamento (PSPs) terão papel central na segurança do novo sistema. Eles serão obrigados a realizar verificações de idoneidade e conformidade das empresas solicitantes antes de habilitá-las a operar com o Pix automático.
A análise incluirá, além da checagem de CNPJ e razão social, uma investigação sobre eventuais indícios de irregularidades ou fraudes anteriores. Empresas com histórico duvidoso poderão ser recusadas preventivamente, mesmo que preencham os requisitos técnicos básicos.
Segundo o Banco Central, essa abordagem visa reforçar a segurança jurídica e financeira do sistema, além de preservar a reputação do Pix como meio de pagamento confiável e eficiente.
O que muda para o consumidor
Para os usuários finais, a adesão ao Pix automático será opcional e baseada em autorização explícita para cada empresa. Ao aceitar uma cobrança recorrente via Pix, o cliente dará permissão para que os valores sejam debitados automaticamente, com possibilidade de cancelamento a qualquer momento.
A intenção do BC é tornar o processo mais simples e transparente, mas com avisos claros de que se trata de uma autorização permanente até revogação. O modelo se aproxima do débito automático bancário, mas com a vantagem da gratuidade e instantaneidade do sistema Pix.
Medidas antifraude e rastreabilidade
Outro ponto destacado na resolução é a implementação de mecanismos de rastreabilidade dos pagamentos realizados via Pix automático. O Banco Central informou que haverá monitoramento contínuo das transações, com foco na detecção de comportamentos anômalos, como aumento repentino de volume de cobranças por determinada empresa.
O BC também poderá suspender temporariamente o uso do sistema por empresas ou PSPs que apresentarem indícios de uso indevido. A atuação preventiva, segundo a autoridade monetária, é essencial para evitar prejuízos aos usuários e à credibilidade da ferramenta.
Mercado aposta na popularização do Pix automático

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Com o novo modelo, espera-se uma forte adesão por parte de empresas que operam com receitas recorrentes, como escolas, academias, clubes de assinatura, plataformas de streaming e até mesmo planos de saúde e telecomunicações.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que o Pix automático possa movimentar mais de R$ 500 bilhões por ano em pagamentos recorrentes, substituindo gradualmente boletos bancários, cartões de crédito e débitos automáticos tradicionais.
No entanto, especialistas em segurança alertam que a popularização da ferramenta dependerá da confiança do consumidor no sistema e na integridade das empresas habilitadas.
Especialistas elogiam, mas pedem vigilância contínua
Especialistas ouvidos por veículos econômicos consideraram as regras do BC acertadas, sobretudo no que se refere à exigência mínima de tempo de CNPJ e à responsabilidade atribuída aos provedores. No entanto, apontam que será necessário manter vigilância constante e atualizações frequentes nos mecanismos antifraude, diante da constante evolução das táticas utilizadas por golpistas.
“É um passo importante, mas a sofisticação dos golpes digitais exige uma atuação proativa, com monitoramento em tempo real e canais rápidos de bloqueio e denúncia”, afirmou um especialista em cibersegurança do setor bancário.
Cronograma de implementação
A implementação do Pix automático seguirá o seguinte cronograma:
- Junho de 2025: publicação da resolução com regras e diretrizes;
- Julho a setembro de 2025: período de credenciamento e testes com empresas interessadas;
- Outubro de 2025: início da operação plena para o público geral.
O Banco Central informou que manterá canal de comunicação com o público e empresas, para esclarecer dúvidas e receber sugestões de aperfeiçoamento do sistema.
