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Remédio não será incorporado ao SUS por alto custo; diz ministro

Para se ter ideia, remédios à base de Zolgensma, para o tratamento da AME, chegam a custar US$ 2 milhões por paciente.

Priscilla KinastPor Priscilla Kinast3 min de leitura
Remédios genéricos

Na última terça-feira (25), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que, por conta das dificuldades no orçamento, enxerga no fortalecimento de centros de reabilitação, a opção para o tratamento de algumas doenças raras. A declaração ocorreu na sessão da Câmara, que debate incorporar o remédio Zolgensma para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) no SUS.

Sobre o tratamento

A AME é uma doença de origem genética, que impossibilita o desenvolvimento adequado dos músculos. Na sua versão mais grave, leva a morte de pacientes com menos de 2 anos de idade. A situação é dramática, pois o remédio é um dos mais caros do mundo. Para se ter ideia, tratamentos à base do remédio, chegam a custar US$ 2 milhões por paciente.

De acordo com o ministro, É óbvio que o ministro da Saúde não pode fazer tudo o que quer, até porque o orçamento público é finito. É aquela teoria do cobertor curto. Cobre o pé e descobre a cabeça. Temos de fazer justiça distributiva para promover equidade, conforme dispõe a Constituição Federal.

Além disso, Queiroga disse que, em 2021, o ministério usou R$ 2,2 bilhões do orçamento com ações judiciais, para auxiliar 6,6 mil pessoas. “Isso é quase o custo do programa Farmácia Popular do Brasil”, disse.

Remédio não será incorporado ao SUS por alto custo; Centros especializados são opção

Enquanto não há uma definição sobre a adoção ou não do remédio no SUS, Queiroga disse que o governo usa a estratégia de fortalecer os centros especializados de reabilitação.

“Na minha visão, temos de fortalecer a política nacional de enfrentamento de doenças raras com centros públicos que cuidam dos pacientes com doenças raras. As indicações de qualquer medicamento têm de ser conduzidas por médicos do setor público, sem prejuízo de que algum diagnóstico possa ser contestado por algum familiar, mas que isso recaia para um outro centro público de excelência, porque sabemos que também há a perniciosa relação da indústria farmacêutica com a classe médica. É desarrazoado não se considerar esse aspecto.”

Além disso, ele diz que Esses interesses têm de estar muito transparentes porque, se não, não consigo ampliar acesso com benefícios para a população”. A partir disso, o ministro defendeu a possibilidade de um acordo de acesso gerenciado.

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Neste caso, que está sendo discutido, quem sabe, se tivermos um entendimento adequado com a indústria, isso não possa ser uma alternativa?, afirmou o ministro. Paralelo a isso, ele destacou a importância de avaliar o resultado do tratamento.

“Se essa medicação é administrada em uma fase inicial, vamos aqui colocar, até seis meses, e ela surte o efeito desejado, a recuperação motora da criança, uma maravilha, ótimo, fantástico. É o que todos nós queremos. Então não é só a questão respiratória que deve ser considerada, deve ser considerada a questão da escala motora, a exemplo do método Chop Intend, tem que ser considerado, para que nós consigamos fazer algo que seja efetivamente benéfico para os pacientes”, disse.

Imagem: Nudphon Phuengsuwan/shutterstock.com

Priscilla Kinast

Autor

Priscilla Kinast

Jornalista, apaixonada pelo mercado financeiro e pelas inovações tecnológicas. Registro Profissional: 0020361/RS

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