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Aposentadoria de até R$ 8.475 depende de critérios além do tratamento médico

Uma publicação que voltou a circular nas redes sociais tem despertado a atenção de milhares de brasileiros ao afirmar que pessoas que utilizam medicamentos controlados teriam direito automático à aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com pagamentos que poderiam chegar próximo ao teto previdenciário, atualmente fixado em R$ 8.475,55. Entre os medicamentos citados […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
13o meio do ano

Uma publicação que voltou a circular nas redes sociais tem despertado a atenção de milhares de brasileiros ao afirmar que pessoas que utilizam medicamentos controlados teriam direito automático à aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com pagamentos que poderiam chegar próximo ao teto previdenciário, atualmente fixado em R$ 8.475,55.

Entre os medicamentos citados estão substâncias amplamente prescritas para o tratamento de transtornos mentais, dores crônicas e doenças neurológicas, como:

  • Clonazepam (popularmente conhecido pelo nome comercial Rivotril);
  • Fluoxetina;
  • Sertralina;
  • Duloxetina;
  • Amitriptilina;
  • Pregabalina;
  • Gabapentina.

No entanto, especialistas em Direito Previdenciário alertam que essa informação é incorreta e pode induzir segurados ao erro. O simples uso desses medicamentos não garante aposentadoria, auxílio-doença ou qualquer outro benefício do INSS.

Entender como funciona a análise previdenciária é fundamental para evitar falsas expectativas e conhecer os direitos reais previstos na legislação.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O que realmente determina o direito a um benefício do INSS?

Ao contrário do que muitas publicações sugerem, o INSS não concede benefícios com base apenas no diagnóstico de uma doença ou na medicação utilizada pelo paciente.

O principal critério analisado é a capacidade laboral do segurado.

Em outras palavras, o que importa para a Previdência Social é verificar se a condição de saúde impede ou limita significativamente a pessoa de exercer sua atividade profissional.

Uma pessoa pode utilizar medicamentos fortes diariamente e continuar apta para trabalhar. Nesse caso, não existe direito automático a benefício previdenciário.

Por outro lado, alguém com uma doença considerada menos grave pode ter direito ao afastamento se a condição comprometer efetivamente sua capacidade de trabalho.

Como o INSS avalia os pedidos de benefício por incapacidade

Quando um segurado solicita um benefício por incapacidade, o INSS realiza uma perícia médica para analisar sua situação.

A avaliação considera diversos fatores, incluindo:

Histórico clínico

Os peritos analisam o histórico da doença, tratamentos realizados e evolução do quadro de saúde.

Laudos e exames médicos

Documentos atualizados emitidos por médicos assistentes são fundamentais para demonstrar a condição do paciente.

Limitações funcionais

O INSS verifica como a doença afeta a rotina do trabalhador e sua capacidade de desempenhar tarefas profissionais.

Natureza da atividade exercida

A profissão do segurado também influencia a análise.

Uma limitação que impede um motorista profissional de trabalhar, por exemplo, pode não afetar alguém que exerce uma função administrativa.

Quando o segurado pode receber auxílio por incapacidade temporária?

Caso a doença provoque um afastamento temporário das atividades profissionais, o trabalhador pode solicitar o benefício por incapacidade temporária, conhecido até 2023 como auxílio-doença.

Esse benefício é concedido quando a perícia médica conclui que existe incapacidade para o trabalho, mas com possibilidade de recuperação ou retorno futuro às atividades.

Exemplos de situações que podem gerar o benefício

Entre os casos frequentemente analisados estão:

  • Transtornos depressivos graves;
  • Síndrome do pânico incapacitante;
  • Crises severas de ansiedade;
  • Fibromialgia com limitações significativas;
  • Doenças neurológicas incapacitantes;
  • Transtornos psiquiátricos com prejuízo funcional relevante.

Entretanto, cada caso é avaliado individualmente.

O simples diagnóstico não garante a aprovação do pedido.

Quando a aposentadoria por incapacidade permanente pode ser concedida?

A aposentadoria por incapacidade permanente, antiga aposentadoria por invalidez, possui critérios mais rigorosos.

Ela somente é concedida quando o INSS conclui que:

  • A incapacidade é permanente;
  • Não existe possibilidade de recuperação;
  • Não há viabilidade de reabilitação profissional para outra função.

Isso significa que o segurado precisa demonstrar que não consegue exercer sua profissão atual nem ser adaptado para outra atividade compatível com suas condições de saúde.

A decisão depende exclusivamente da avaliação pericial realizada pela Previdência Social.

Pessoas com transtornos mentais podem ter direito a benefícios?

Sim. Transtornos psiquiátricos podem gerar direito a benefícios previdenciários quando provocam incapacidade para o trabalho.

Entre as condições frequentemente analisadas pelo INSS estão:

  • Depressão grave;
  • Transtorno de ansiedade generalizada;
  • Síndrome do pânico;
  • Transtorno bipolar;
  • Esquizofrenia;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • Transtorno de estresse pós-traumático.

No entanto, o diagnóstico isolado não é suficiente.

O segurado precisa comprovar que os sintomas afetam sua capacidade laboral de forma significativa.

O uso de Rivotril, fluoxetina ou sertralina gera aposentadoria automática?

Não.

Medicamentos como clonazepam, fluoxetina, sertralina, pregabalina, gabapentina, duloxetina e amitriptilina são amplamente utilizados no tratamento de diferentes doenças.

Muitas pessoas fazem uso contínuo dessas substâncias por anos e mantêm suas atividades profissionais normalmente.

Por esse motivo, a utilização do medicamento, por si só, não serve como prova de incapacidade.

O que será analisado é o quadro clínico completo do paciente e seus reflexos na vida profissional.

E as regras para pessoas com deficiência?

Dependendo da doença e das limitações geradas, alguns segurados podem se enquadrar nas regras da aposentadoria da pessoa com deficiência (PCD).

Nesse caso, o foco não está necessariamente na incapacidade total para o trabalho, mas na existência de impedimentos de longo prazo que dificultem a participação plena na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

A avaliação é realizada por equipe multiprofissional e considera aspectos médicos e sociais.

O teto do INSS não é um valor garantido

Outro ponto que costuma gerar confusão é a informação sobre o valor dos benefícios.

As publicações virais frequentemente afirmam que pessoas com determinadas doenças podem receber valores próximos ao teto do INSS.

Na prática, isso não funciona dessa forma.

O teto previdenciário representa apenas o limite máximo que pode ser pago pela Previdência Social.

Em 2026, esse valor está fixado em R$ 8.475,55.

Contudo, o valor efetivamente recebido por cada segurado depende de fatores como:

  • Histórico de contribuições;
  • Tempo de contribuição;
  • Média salarial considerada pelo INSS;
  • Regras de cálculo aplicáveis ao benefício.

Por isso, mesmo quando um benefício é concedido, o valor pode ser muito inferior ao teto previdenciário.

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INSS
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Especialistas recomendam que o segurado reúna documentação médica completa antes de solicitar qualquer benefício por incapacidade.

Entre os documentos mais importantes estão:

  • Laudos médicos atualizados;
  • Exames complementares;
  • Relatórios de acompanhamento;
  • Receitas médicas;
  • Comprovantes de tratamento;
  • Histórico de internações, quando houver.

Quanto mais detalhadas forem as informações sobre as limitações causadas pela doença, maior será a capacidade de o perito compreender o impacto da condição na vida profissional do segurado.

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