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Renan Calheiros assume comando de comissão que debaterá fim da isenção para criptomoedas no Brasil

Senador Renan Calheiros vai presidir comissão que analisará a MP 1.303/2025, que extingue isenção de imposto sobre criptomoedas e fixa alíquota única de 17,5%.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Criptomoedas

Na terça-feira, 15 de julho de 2025, o Senado e a Câmara dos Deputados instalaram a Comissão Mista que analisará a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, enviada pelo Executivo com o objetivo de aumentar a arrecadação sobre aplicações financeiras, incluindo as movimentações com criptomoedas.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi escolhido presidente da comissão, enquanto o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) assumirá a relatoria do texto.

A medida altera profundamente o regime tributário de investimentos em criptoativos no Brasil, extinguindo isenções fiscais antes concedidas a movimentações de até R$ 35 mil mensais e estabelecendo uma alíquota única de 17,5% para lucros obtidos com essas operações.

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Como será a tramitação da MP 1.303/2025 no Congresso?

A comissão mista que irá analisar a medida provisória aprovou quatro audiências públicas para o mês de agosto, com objetivo de ampliar o debate sobre os diversos pontos que compõem a proposta.

Calendário de audiências públicas:

  • 7 de agosto: participação de representantes do Ministério da Fazenda;
  • 13 de agosto: discussão sobre tributação de instrumentos hoje isentos, como LCI, LCA, CRI e CRA;
  • 16 de agosto: debate sobre aumento da CSLL para instituições financeiras;
  • 20 de agosto: audiência dedicada ao seguro-defeso de pescadores e impacto tributário sobre apostas.

A votação do parecer final na comissão está prevista para 26 de agosto, e a MP precisa ser aprovada até 9 de outubro, data em que perde a validade.

Renan Calheiros: experiência e influência no comando da comissão

Com longa trajetória política e conhecido por seu protagonismo em debates fiscais no Congresso, Renan Calheiros destacou que a MP possui pontos centrais de impacto estrutural, como:

  • A unificação da alíquota do Imposto de Renda para aplicações financeiras;
  • O fim das isenções para instrumentos considerados estratégicos;
  • O aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
  • A inclusão de bancos digitais e fintechs no escopo de maior tributação.

Segundo Renan, “a proposta representa uma reorganização fiscal para compensar a suspensão do aumento do IOF, e merece debate aprofundado com todos os setores envolvidos”.

Fim da isenção de imposto sobre criptomoedas: o que muda?

Bitcoin
Imagem: Freepik

Mudança atinge diretamente investidores de pequeno e médio porte

Antes da MP 1.303/2025, as movimentações com criptomoedas inferiores a R$ 35 mil por mês eram isentas de Imposto de Renda (IR). Essa era uma política que beneficiava especialmente investidores de varejo e traders com operações pontuais.

Com a nova proposta:

  • A isenção é extinta, ou seja, toda movimentação com lucro passa a ser tributada;
  • A alíquota será fixa em 17,5%, sem diferenciação por faixa de valor;
  • Operações que antes estavam entre R$ 35 mil e R$ 5 milhões, antes taxadas em 15%, agora pagarão mais;
  • Investidores com operações acima de R$ 5 milhões pagarão menos imposto do que pagavam anteriormente, já que o modelo anterior previa alíquotas escalonadas que podiam chegar a 22,5%.

Tabela comparativa: antes e depois da MP 1.303/2025

Faixa de Lucro Mensal (anterior)Alíquota AntigaAlíquota com MP 1.303
Até R$ 35 milIsento17,5%
R$ 35 mil a R$ 5 milhões15%17,5%
R$ 5 a R$ 10 milhões17,5%17,5%
R$ 10 a R$ 20 milhões20%17,5%
Acima de R$ 30 milhões22,5%17,5%

Com isso, a MP torna o sistema menos progressivo e mais regressivo, afetando proporcionalmente mais os pequenos investidores.

Impacto em outras aplicações: LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas

Além das criptomoedas, a MP também revoga isenções sobre instrumentos financeiros de renda fixa. Veja como cada um será impactado:

Investimentos afetados pela nova tributação:

  • LCI e LCA (Letra de Crédito Imobiliário/Agronegócio)
    Antes: isentos de IR | Agora: 5% sobre os rendimentos
  • CRI e CRA (Certificados de Recebíveis)
    Antes: isentos | Agora: 5% fixos
  • Debêntures incentivadas (infraestrutura)
    Antes: isentas para pessoa física | Agora: 5% sobre o rendimento

Essas mudanças foram criticadas por representantes do setor produtivo, que alegam que a medida poderá desincentivar o financiamento privado a projetos estratégicos.

CSLL mais alta para bancos, fintechs e seguradoras

A MP 1.303/2025 também propõe o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras, incluindo bancos digitais, corretoras e seguradoras.

Alíquotas propostas:

  • Bancos múltiplos e comerciais: de 20% para 23%;
  • Corretoras e distribuidoras: de 17% para 20%;
  • Seguradoras: de 15% para 18%;
  • Fintechs e bancos digitais: passam a seguir a mesma regra dos bancos tradicionais.

A mudança afeta diretamente empresas que operam no mercado de criptomoedas por meio de plataformas de negociação, wallets e instituições de pagamento.

Setor cripto reage: preocupação com informalidade e desincentivo à inovação

Bitcoin
Imagem: Chinnapong/ Shutterstock.com

Especialistas e empresas alertam para impactos negativos

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A proposta causou reação imediata entre representantes do mercado cripto, que classificaram a MP como um retrocesso regulatório. Um dos principais argumentos é o de que a ausência de isenção para pequenos investidores pode impulsionar a informalidade e dificultar a adesão à regulamentação oficial da Receita Federal.

Opinião do setor:

  • Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto):
    “A medida ignora a realidade do pequeno investidor e compromete o esforço de formalização promovido pelo PL 4.401/2021, hoje já sancionado.”
  • Plataformas de negociação (ex. Mercado Bitcoin, Foxbit, Binance Brasil):
    “Preocupação com evasão para plataformas internacionais, sem sede no Brasil, o que pode dificultar a fiscalização e arrecadação futura.”

Contexto fiscal: compensação da revogação do aumento do IOF

A MP 1.303 foi apresentada pelo governo como parte de uma estratégia para compensar a perda de arrecadação gerada pela revogação do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que vigorava desde 2022 em caráter provisório.

O governo estima arrecadar cerca de R$ 12 bilhões por ano com as alterações, dos quais aproximadamente R$ 3 bilhões viriam do setor de criptoativos, segundo dados preliminares do Ministério da Fazenda.

Apostas esportivas também estão na mira da nova tributação

Por fim, a medida também inclui um capítulo voltado à tributação das apostas esportivas online, um setor em franca expansão no Brasil.

Pontos da nova taxação sobre apostas:

  • Tributação de 15% sobre os lucros líquidos dos apostadores;
  • Cobrança de CSLL e IRPJ das casas de apostas em regime especial;
  • Obrigatoriedade de registro no Brasil para funcionamento.

O que acontece se a MP não for aprovada até 9 de outubro?

Como toda medida provisória, a MP 1.303 tem prazo de vigência inicial de 60 dias, prorrogável por mais 60. Se o Congresso não votar o texto até o dia 9 de outubro de 2025, ele perderá validade, e as regras anteriores voltarão a valer.

Especialistas em direito tributário alertam que isso poderia gerar insegurança jurídica e abrir espaço para questionamentos judiciais sobre tributações ocorridas durante a vigência da MP.

Conclusão: fim da isenção para criptomoedas no Brasil marca nova fase da regulação

Bitcoin
Imagem: eamesBot/ shutterstock.com

A tramitação da MP 1.303/2025 marca um ponto de inflexão na política fiscal brasileira para investimentos digitais. A medida provisória elimina a isenção fiscal para pequenas movimentações em criptomoedas, estabelece uma alíquota única de 17,5%, e impõe nova carga tributária sobre outros instrumentos financeiros que até então gozavam de incentivos.

Embora o governo argumente que as mudanças são necessárias para equilibrar as contas públicas, a reação do setor cripto e dos mercados de capitais indica preocupações legítimas com os efeitos sobre a formalização, inovação e competitividade do Brasil nesse setor emergente.

As próximas audiências públicas, programadas para agosto, serão decisivas para moldar o texto final. Até lá, investidores, empresas e analistas devem acompanhar de perto os desdobramentos — e, se necessário, se preparar para um novo ambiente tributário.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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