O Tesouro Direto alcançou um marco histórico em fevereiro de 2026, registrando vendas totais de R$ 8,25 bilhões em títulos públicos para pessoas físicas, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira (24). Este volume representa o maior já registrado para o mês desde a criação do programa, em 2002.
Rendimentos do Tesouro Direto batem recorde em fevereiro
Vendas de Tesouro Direto a pessoas físicas atingem R$ 8,25 bi em fevereiro, maior volume para o mês desde 2002. Saiba mais.
Em comparação com fevereiro do ano passado, quando as vendas somaram R$ 5,76 bilhões, o crescimento foi de 43,2%. Apesar do recorde para fevereiro, o valor foi 31,4% inferior ao registrado em janeiro, quando a troca de títulos prefixados motivou um aumento atípico nas vendas.
Perfil dos títulos mais procurados
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Papéis atrelados à Selic
Os títulos atrelados à taxa básica de juros, a Selic, foram os mais procurados pelos investidores em fevereiro, representando 49% do total das vendas. Esse interesse se deve principalmente à taxa elevada, atualmente em 14,75% ao ano, o que mantém a atratividade desses papéis para quem busca segurança e retorno previsível.
Títulos corrigidos pela inflação
Os papéis indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) responderam por 29,8% das vendas. A expectativa de alta da inflação nos próximos meses impulsiona a procura, já que esses títulos oferecem proteção contra a perda de poder de compra.
Títulos prefixados
Os títulos prefixados, com juros definidos no momento da emissão, somaram 13% das vendas. Apesar de representarem uma parcela menor, continuam sendo escolhidos por investidores que apostam em estabilidade ou queda futura da taxa Selic.
Novos títulos do Tesouro Nacional
O Tesouro Renda+, lançado no início de 2023 para financiar aposentadorias, respondeu por 6,4% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023, focado em financiar ensino superior, teve participação de apenas 1,9%. O baixo interesse do Educa+ pode ser explicado pelo perfil de investidores que ainda privilegia papéis mais tradicionais e com liquidez imediata.
Crescimento do estoque e captação líquida
O estoque total do Tesouro Direto atingiu R$ 226,93 bilhões no final de fevereiro, alta de 3,03% em relação ao mês anterior (R$ 220,24 bilhões) e de 38,36% em relação a fevereiro de 2025 (R$ 164,02 bilhões). O aumento se deve à valorização dos títulos pela correção dos juros e ao fato de que as vendas superaram os resgates em R$ 4,65 bilhões.
A venda de títulos públicos não apenas permite aos investidores obter rendimentos, mas também é uma importante ferramenta de captação de recursos pelo governo, que utiliza os valores para financiar despesas públicas e honrar compromissos com dívidas.
Perfil do investidor brasileiro
Em fevereiro, 222.220 novos investidores aderiram ao Tesouro Direto, totalizando 34.809.947 participantes ativos no programa. Nos últimos 12 meses, houve crescimento de 9,66% no número de investidores, enquanto o total de investidores ativos — aqueles com operações em aberto — chegou a 3.457.211, aumento de 14,23%.
Pequenos investidores dominam as operações
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O perfil predominante dos investidores continua sendo de pequeno porte. Vendas de até R$ 5 mil representaram 75,3% das 805.676 operações de fevereiro, sendo que aplicações de até R$ 1 mil somaram 51,7%. O valor médio por operação foi de R$ 10.242,74.
Os investidores estão priorizando papéis de curto e médio prazo. Títulos com vencimento de até cinco anos representaram 52,6% das vendas, enquanto aqueles com prazo entre cinco e dez anos somaram 28,5%. Títulos com mais de dez anos corresponderam a 18,9% das operações.
Acesso e liquidez
O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para democratizar o acesso aos títulos públicos, permitindo que qualquer pessoa física possa investir pela internet sem a necessidade de intermediação bancária. O investidor paga apenas uma taxa de custódia à B3, descontada nas operações, tornando o processo simples e transparente.
A liquidez diária, com possibilidade de resgate a qualquer momento, é outro fator que mantém o programa atrativo, especialmente para investidores iniciantes ou de menor capital, que valorizam a segurança e a flexibilidade.
Considerações finais
O desempenho do Tesouro Direto em fevereiro reforça a importância do programa tanto para os investidores quanto para o governo. O crescimento nas vendas e no número de participantes evidencia que o brasileiro tem se aproximado cada vez mais da educação financeira e da busca por investimentos seguros e rentáveis. A diversificação entre títulos atrelados à Selic, à inflação e prefixados, além das novidades como Tesouro Renda+ e Educa+, oferece alternativas para diferentes perfis de investidores.
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