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Representante dos entregadores afirma que falta de autonomia exige direitos trabalhistas

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a analisar um tema que pode transformar a realidade de milhões de trabalhadores: a definição de se existe ou não víncul

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos··4 min de leitura
golpe Entrega delivery

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a analisar um tema que pode transformar a realidade de milhões de trabalhadores: a definição de se existe ou não vínculo empregatício entre aplicativos como iFood e Uber e seus entregadores e motoristas.

A decisão terá repercussão geral, atingindo mais de 10 mil processos em andamento no Brasil. Caso os ministros reconheçam a relação trabalhista, as plataformas poderão ser obrigadas a arcar com encargos como férias, FGTS e 13º salário.

Continue a leitura para entender os principais argumentos em jogo e como os entregadores defendem que, sem autonomia, devem ter direitos trabalhistas garantidos.

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Entregadores querem autonomia ou direitos trabalhistas

Entregador de delivery
Imagem: iStock

Para o presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar Francisco da Silva, o Gringo, a luta da categoria é simples:

  • Se houver autonomia real, o vínculo não se justifica.
  • Se a autonomia não existir, os direitos trabalhistas precisam ser garantidos.

Segundo ele, as plataformas criaram um sistema em que o entregador precisa agendar horário e atuar apenas em determinadas regiões. “Se não cumprir, é punido. Isso é próximo de um vínculo formal, não de autonomia”, afirmou.

O impacto da decisão do STF nos aplicativos

A análise do STF tem potencial de mudar não apenas a rotina dos trabalhadores, mas também o modelo de negócios dos aplicativos. Entre os pontos mais discutidos estão:

  • Remuneração mínima para entregadores.
  • Negociação anual de valores pagos por quilômetro e tempo de espera.
  • Definição sobre a subordinação e limites da flexibilidade prometida.

Para Gringo, o modelo ideal seria permitir que trabalhadores e aplicativos negociem reajustes coletivos todos os anos, criando um sistema mais transparente.

A precarização do trabalho por aplicativos

Outro ponto levantado pelo representante da categoria é a precarização da profissão. Segundo ele, a lei federal que regulamenta o motofrete, de 2009, exige capacitação para atuar em uma atividade considerada de risco. No entanto, os aplicativos têm ignorado a regra.

Além disso, práticas como os bônus por indicação de novos entregadores criam concorrência excessiva, forçando muitos trabalhadores a aceitar corridas por valores cada vez menores.

“Essas empresas induzem o entregador a competir consigo mesmo, até se tornar refém do aplicativo”, disse Gringo. (Fonte: Exame)

STF e a “uberização” do trabalho

O julgamento em andamento envolve dois processos relatados por Edson Fachin e Alexandre de Moraes. As ações surgiram de recursos apresentados por Rappi e Uber contra decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que reconheceram o vínculo empregatício com motoristas.

As empresas alegam que esse entendimento fere a livre iniciativa e que sua atividade não é de transporte, mas sim de tecnologia.

A Uber argumenta que a maioria dos motoristas não depende exclusivamente da plataforma, mas busca renda extra, seja por desemprego, aposentadoria ou busca por independência financeira.

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Posição das empresas e do setor

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne iFood, 99 e Uber, defende que os profissionais são parceiros independentes, não empregados.

Segundo a entidade, a decisão do STF pode trazer segurança jurídica e clareza para o funcionamento das plataformas.

Direitos trabalhistas de entregadores: o que está em jogo

entregadores vale-alimentação
Imagem: Halytskyi Olexandr/ Shutterstock

A decisão do STF pode abrir caminho para:

  • Reconhecimento do vínculo empregatício, garantindo férias, FGTS e 13º.
  • Regulamentação de negociações coletivas entre entregadores e aplicativos.
  • Manutenção da autonomia, mas com regras mínimas de proteção.

Seja qual for o resultado, o julgamento é considerado histórico por especialistas em direito do trabalho e deve impactar milhões de trabalhadores e consumidores em todo o país.

Recapitulando

O STF iniciou o julgamento que pode redefinir a relação entre entregadores, motoristas e aplicativos como Uber e iFood. A categoria, representada por Gringo, defende que, se não houver autonomia real, os direitos trabalhistas de entregadores devem ser garantidos.

O setor acompanha de perto, já que a decisão afetará diretamente a forma como essas empresas operam no Brasil.

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