Milhões de aposentados e pensionistas foram afetados pelo esquema de descontos associativos indevidos investigado pela Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025 pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação levou o governo a criar um procedimento específico para devolver os valores aos beneficiários prejudicados.
O processo de ressarcimento começou em 2025 e continuou sendo acompanhado pelo INSS ao longo de 2026. No balanço divulgado em janeiro de 2026, o instituto informou que havia 6.370.744 pedidos de ressarcimento, dos quais 6.239.092 beneficiários declararam não reconhecer os descontos. Até aquele momento, haviam sido gerados 4.157.502 pagamentos, totalizando aproximadamente R$ 2,83 bilhões.
Os números mostram que o caso atingiu uma quantidade muito maior de pessoas do que os primeiros levantamentos sugeriam. O próprio relatório de gestão do INSS registra milhões de solicitações relacionadas a descontos que os segurados não reconheceram.
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O que aconteceu com os descontos do INSS
Os descontos investigados eram, principalmente, mensalidades associativas que apareciam diretamente nos benefícios previdenciários. Em muitos casos, os segurados afirmaram não ter autorizado a cobrança.
Em abril de 2025, o INSS suspendeu os acordos de cooperação com entidades e associações envolvidas no sistema de descontos e determinou a devolução de valores cobrados indevidamente naquele momento.
A partir de maio, os beneficiários passaram a receber notificações e puderam informar pelo Meu INSS se reconheciam ou não as cobranças. Quando a entidade não conseguia comprovar a autorização, o procedimento seguia para o ressarcimento.
O instituto informou que beneficiários que não sabiam utilizar o aplicativo também poderiam realizar o processo pela Central 135.
Quem tinha direito ao ressarcimento?
O ressarcimento foi destinado aos beneficiários que identificaram descontos associativos não autorizados em seus pagamentos e contestaram essas cobranças dentro do procedimento estabelecido.
A devolução não correspondia a um valor fixo para todos. Cada pessoa recebeu, ou tem direito a receber conforme seu caso, os valores que foram considerados indevidos.
A legislação aprovada posteriormente reforçou essa proteção. A Lei nº 15.327/2026, sancionada em janeiro, proibiu descontos relativos a mensalidades associativas nos benefícios administrados pelo INSS e estabeleceu mecanismos de busca ativa e ressarcimento dos beneficiários prejudicados.
Quanto foi devolvido aos aposentados e pensionistas?
Os valores pagos variam conforme o histórico de cada benefício. Portanto, não existe uma parcela padrão de ressarcimento.
No balanço de 2 de janeiro de 2026, o INSS informou R$ 2.833.879.455,96 em pagamentos emitidos ou gerados, referentes a 4.157.502 pagamentos.
Esse número é diferente de estimativas divulgadas durante a investigação sobre o total movimentado pelo esquema. O valor efetivamente devolvido aos beneficiários corresponde aos descontos considerados indevidos em cada caso, e não necessariamente ao total financeiro atribuído às irregularidades investigadas.
Como consultar o ressarcimento do INSS
O beneficiário pode verificar informações sobre descontos e pedidos de ressarcimento pelo Meu INSS.
Ao acessar a plataforma com a conta Gov.br, é possível consultar o histórico relacionado aos descontos associativos e verificar a situação do pedido. Também é possível buscar atendimento pela Central 135.
O INSS orientou que o segurado não forneça senhas, códigos de autenticação ou dados bancários a pessoas que prometam acelerar o pagamento. Durante o processo, o instituto alertou que as comunicações oficiais sobre o ressarcimento seriam realizadas pelos canais institucionais.
O que fazer se ainda não recebeu?
Quem contestou um desconto e ainda não recebeu o ressarcimento deve consultar a situação do pedido no Meu INSS. A análise pode envolver diferentes etapas, principalmente quando a entidade responsável apresentou documentos contestando a alegação do beneficiário.
Os dados divulgados pelo INSS mostram que parte significativa das entidades apresentou documentação em resposta às contestações. Nesses casos, o procedimento pode exigir análise antes da conclusão.
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O segurado também pode utilizar a Central 135 para obter informações sobre o andamento do caso. Não é necessário contratar intermediários para acompanhar o pedido.
O que mudou depois da fraude?
O caso provocou mudanças importantes nos mecanismos de controle dos descontos realizados nos benefícios.
A Lei nº 15.327/2026 passou a vedar mensalidades associativas nos benefícios administrados pelo INSS e também estabeleceu medidas para proteção dos dados dos segurados e responsabilização em casos de descontos indevidos.
O INSS também alterou procedimentos internos relacionados às consignações e ao fluxo de contestação e restituição. A Instrução Normativa nº 186/2025, por exemplo, foi posteriormente modificada por normas publicadas em 2025 e 2026.
Na prática, o objetivo é dificultar que uma cobrança seja inserida no benefício sem uma autorização válida e permitir uma resposta mais rápida quando houver irregularidade.
Ressarcimento do INSS continua em 2026?

O processo de ressarcimento iniciado após a Operação Sem Desconto teve continuidade na análise e no processamento de pedidos. O balanço oficial publicado em janeiro de 2026 demonstra que milhões de solicitações haviam sido registradas e que bilhões de reais já tinham sido destinados aos pagamentos.
Por isso, quem identificou um desconto que não reconhece deve consultar sua situação pelos canais oficiais, mesmo que não tenha recebido nenhum valor anteriormente.
Também é importante diferenciar o ressarcimento oficial de mensagens que prometem “liberar” dinheiro mediante pagamento de taxas. O governo não exige pagamento antecipado para que o beneficiário tenha acesso ao procedimento de contestação.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



