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Resultado das eleições pode mexer com Bolsa, dólar e juros nesta segunda; entenda

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 12 min de leitura
ELEICOES ECONOMIA

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais deve aumentar a atenção dos investidores na abertura dos mercados nesta segunda-feira (5). Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, depois de uma disputa que terminou mais apertada do que indicavam os números registrados durante boa parte da apuração.

Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula e teve desempenho superior ao apontado por vários levantamentos divulgados na reta final da campanha. Antes da votação, diferentes pesquisas indicavam uma disputa equilibrada e, em vários casos, colocavam Lula numericamente à frente.

A diferença entre o resultado das urnas e parte das expectativas anteriores é justamente o ponto que pode provocar uma reprecificação dos ativos brasileiros quando Bolsa, câmbio e mercado de juros voltarem a operar.

Analistas ouvidos pelo mercado financeiro projetam possibilidade de valorização das ações, fortalecimento do real e queda das taxas futuras de juros. Essas avaliações, no entanto, representam expectativas formuladas antes da abertura do pregão e não garantem que os ativos efetivamente seguirão essa direção.

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Flávio Bolsonaro e Lula vão ao segundo turno

Eleicoes resultado
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O primeiro turno das eleições presidenciais foi realizado neste domingo, 4 de outubro.

Flávio Bolsonaro ficou em primeiro lugar e Luiz Inácio Lula da Silva terminou na segunda posição. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, os dois voltarão às urnas em 25 de outubro.

O desempenho de Flávio chamou atenção principalmente pela comparação com pesquisas divulgadas imediatamente antes da eleição.

Levantamentos como Datafolha, Quaest e CNT/MDA mostravam Lula numericamente à frente ou os dois candidatos em situação de empate técnico, dependendo da pesquisa.

O resultado das urnas, portanto, trouxe informações novas para investidores que já vinham posicionando suas carteiras diante da expectativa de um segundo turno.

Por que o resultado pode mexer com os mercados?

Mercados financeiros trabalham constantemente com expectativas.

Quando investidores acreditam que determinado cenário é provável, parte dessa expectativa pode ser incorporada antecipadamente aos preços de ações, moedas e títulos.

Por isso, o simples fato de existir um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro não necessariamente representa uma surpresa.

O que pode provocar movimentos mais intensos é a diferença entre aquilo que o mercado esperava antes da eleição e aquilo que efetivamente apareceu nas urnas.

No caso deste primeiro turno, alguns analistas destacaram justamente o desempenho acima do esperado de Flávio Bolsonaro.

Bolsa pode reagir ao novo cenário eleitoral

Entre as expectativas citadas por especialistas está uma possível reação positiva do Ibovespa.

O raciocínio apresentado por parte dos analistas é que investidores podem passar a reavaliar cenários econômicos para os próximos quatro anos com base nas propostas e perspectivas atribuídas aos dois candidatos.

Uma eventual redução dos prêmios de risco fiscal e dos juros futuros costuma favorecer principalmente empresas voltadas ao mercado doméstico.

Companhias muito endividadas também podem apresentar maior sensibilidade às alterações da curva de juros, porque despesas financeiras possuem impacto importante sobre seus resultados.

Isso não significa que todas as ações subirão nem que a reação será uniforme.

O desempenho do pregão dependerá também do cenário internacional, preços de commodities, comportamento das Bolsas estrangeiras e movimentação de grandes investidores.

Empresas mais sensíveis aos juros entram no radar

Entre os segmentos mais acompanhados estão varejo, imóveis, educação, infraestrutura e empresas com níveis elevados de endividamento.

Quando as taxas futuras de juros diminuem, o mercado tende a rever o valor presente dos fluxos de caixa esperados dessas companhias.

Empresas que dependem mais de crédito também podem ser beneficiadas pela perspectiva de custos financeiros menores.

Analistas mencionaram papéis como Magazine Luiza, Casas Bahia, Movida, Simpar, Assaí e Ecorodovias entre exemplos de ações mais sensíveis às mudanças das expectativas de juros e atividade econômica.

Essas menções, entretanto, representam avaliações de casas de análise e não significam garantia de valorização.

Banco do Brasil também pode apresentar maior volatilidade

Ações de empresas controladas pelo governo costumam apresentar sensibilidade maior ao cenário político.

O Banco do Brasil é um dos exemplos acompanhados por investidores durante períodos eleitorais.

Alterações nas expectativas sobre governança, política de dividendos, concessão de crédito e utilização estratégica das estatais podem provocar mudanças de preço antes mesmo de qualquer medida concreta ser implementada.

Petrobras e outras empresas expostas a decisões governamentais também podem apresentar volatilidade conforme o segundo turno avance.

Juros futuros podem ser um dos principais indicadores

Além da Bolsa, investidores estarão atentos à curva de juros.

Os contratos de juros futuros refletem, entre vários fatores, expectativas para inflação, Selic, contas públicas e dívida do governo.

Parte do prêmio existente principalmente nos vencimentos mais longos está relacionada às dúvidas sobre a trajetória fiscal brasileira.

Se investidores passarem a enxergar menor risco para as contas públicas, as taxas podem cair.

O movimento é conhecido no mercado como “fechamento da curva de juros”.

O contrário também é possível: aumento das preocupações fiscais pode elevar os prêmios exigidos pelos investidores.

O que acontece quando os juros futuros caem?

A queda das taxas pode beneficiar diferentes tipos de investimentos.

Títulos prefixados emitidos anteriormente com juros maiores podem apresentar valorização pela marcação a mercado.

O mesmo pode ocorrer com títulos do Tesouro IPCA+ que possuem vencimentos mais longos.

Imagine, por exemplo, um título antigo que oferece uma taxa superior àquela disponível para novos títulos semelhantes.

Quando os juros de mercado caem, esse papel pode se tornar relativamente mais atraente e seu preço tende a subir no mercado secundário.

O efeito inverso acontece quando as taxas aumentam.

Tesouro IPCA+ e prefixados podem oscilar

Investidores de renda fixa também precisam estar preparados para volatilidade.

Embora títulos públicos sejam frequentemente associados à segurança de crédito quando mantidos até o vencimento, seu preço pode variar diariamente.

Essa oscilação fica mais evidente nos títulos prefixados e IPCA+ de prazo longo.

Por isso, uma possível queda dos juros futuros nesta segunda-feira poderia produzir valorização desses títulos por marcação a mercado.

Isso não significa, porém, que as taxas continuarão caindo durante todo o período até o segundo turno.

Como o dólar pode reagir

Outro ativo que estará no centro das atenções será o dólar.

Parte dos analistas consultados após a eleição avalia que uma reação positiva dos investidores aos ativos brasileiros poderia favorecer a valorização do real.

O mecanismo está relacionado ao fluxo de capital.

Quando investidores estrangeiros trazem recursos para comprar ações, títulos ou outros investimentos brasileiros, aumenta a oferta de moeda estrangeira no mercado doméstico.

Em determinadas condições, isso pode ajudar a reduzir a cotação do dólar frente ao real.

No entanto, o câmbio não depende apenas das eleições brasileiras.

Cenário internacional também influencia o dólar

O comportamento da moeda norte-americana no Brasil depende das condições globais.

Decisões do Federal Reserve, juros dos Estados Unidos, situação fiscal das principais economias, conflitos geopolíticos e preços de commodities podem alterar rapidamente o fluxo de recursos.

Por isso, mesmo que o resultado eleitoral favoreça o real segundo a interpretação de parte do mercado, um movimento forte de valorização global do dólar poderia reduzir ou até inverter esse efeito.

A abertura desta segunda-feira deverá refletir justamente a combinação entre fatores domésticos e internacionais.

Resultado surpreendeu parte das pesquisas

Um dos fatores que ajudam a explicar a atenção do mercado está na comparação com as pesquisas da reta final.

Na véspera da eleição, a Quaest mostrava Lula com 46% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 45%, situação de empate técnico.

O Datafolha apontava 45% para Lula e 42% para Flávio nos votos válidos.

A CNT/MDA apresentava diferença maior, com 47,8% para Lula e 42,1% para Flávio.

Já outros levantamentos, como o Palver, mostravam Flávio numericamente à frente.

Assim, as pesquisas já indicavam uma disputa competitiva, mas o desempenho de Flávio nas urnas ficou acima do registrado por vários institutos.

Segundo turno ainda terá três semanas de campanha

O primeiro turno não determina automaticamente o resultado de 25 de outubro.

Os candidatos entram agora em uma nova etapa da disputa, com tempo adicional de campanha, debates, propaganda eleitoral e busca pelos votos de quem escolheu outros nomes no primeiro turno.

Também haverá negociações políticas e manifestações de apoio dos partidos e candidatos que ficaram fora da disputa presidencial.

Esses acontecimentos poderão provocar novas mudanças nas expectativas dos investidores até o segundo turno.

Por isso, movimentos observados no mercado nesta segunda não necessariamente serão mantidos durante as próximas três semanas.

Transferência de votos será acompanhada

Outro ponto observado será o comportamento dos eleitores que escolheram outros candidatos.

Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e os demais nomes que disputaram o primeiro turno somaram uma parcela dos votos válidos que agora ficará fora da disputa direta.

Os mercados acompanharão novas pesquisas para entender como esses eleitores se distribuem entre Lula, Flávio Bolsonaro, voto branco, nulo ou eventual abstenção.

Declarações de apoio de candidatos derrotados também podem influenciar expectativas, embora não exista garantia de transferência automática dos votos de um político para outro.

Pesquisas do segundo turno ganham importância

As próximas pesquisas eleitorais deverão receber ainda mais atenção.

Antes do primeiro turno, levantamentos de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro mostravam uma disputa equilibrada.

O Datafolha divulgado em 1º de outubro, por exemplo, registrava 48% para Lula e 45% para Flávio em uma simulação de segundo turno.

Como o resultado efetivo do primeiro turno divergiu de parte das pesquisas, os próximos levantamentos serão analisados também à luz dessa diferença.

Ainda assim, pesquisa eleitoral representa um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas e não uma previsão garantida do resultado.

Mercado já vinha reagindo à eleição antes das urnas

A influência eleitoral sobre os ativos brasileiros não começou neste domingo.

Nas últimas semanas, Bolsa, câmbio e juros já vinham reagindo à evolução das pesquisas e às expectativas relacionadas ao segundo turno.

Esse movimento é conhecido como precificação.

Investidores ajustam suas posições conforme aumentam ou diminuem as probabilidades que atribuem a diferentes cenários econômicos.

Assim, parte de uma eventual reação desta segunda-feira poderá representar apenas um ajuste adicional diante da nova informação oferecida pelo resultado das urnas.

Por que o mercado acompanha tanto a política fiscal?

A principal preocupação dos investidores não é apenas quem vence uma eleição, mas quais políticas serão implementadas pelo próximo governo.

Entre os temas observados estão trajetória da dívida pública, resultado primário, gastos federais, impostos, investimentos e reformas econômicas.

Uma política fiscal considerada sustentável tende a reduzir o prêmio exigido para financiar a dívida pública.

Já dúvidas sobre aumento persistente dos déficits podem provocar efeito contrário.

Por isso, discursos de campanha nem sempre são suficientes para manter movimentos prolongados nos ativos.

Investidores costumam cobrar medidas concretas depois da posse.

Reação de curto prazo pode ser diferente do cenário de longo prazo

Uma ação pode subir nesta segunda e voltar a cair dias depois.

Política
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O dólar também pode recuar inicialmente e inverter o movimento diante de novas pesquisas ou acontecimentos externos.

Isso acontece porque preços financeiros incorporam informações constantemente.

O resultado do primeiro turno é uma informação relevante, mas está longe de ser a última antes da eleição definitiva.

Entre 5 e 25 de outubro, novas pesquisas, debates, alianças e anúncios de propostas econômicas poderão modificar novamente a avaliação dos investidores.

Investimentos no exterior também podem sentir movimento do real

Quem possui investimentos em dólar ou outros ativos internacionais pode perceber impacto da variação cambial.

Se o real se valorizar frente ao dólar, o retorno de um investimento estrangeiro convertido para reais pode diminuir, mesmo que o ativo tenha permanecido estável no exterior.

O contrário ocorre quando o dólar sobe.

Fundos e produtos com proteção cambial funcionam de maneira diferente porque utilizam estratégias destinadas a reduzir essa exposição à moeda.

Por isso, dois investimentos no mesmo mercado internacional podem ter desempenhos diferentes para um investidor brasileiro.

Cautela é importante diante da volatilidade eleitoral

Períodos eleitorais podem produzir movimentos intensos nos mercados em intervalos curtos.

Comprar ou vender ativos exclusivamente com base em uma expectativa para a eleição envolve risco elevado.

Além da possibilidade de mudança política até o segundo turno, fatores econômicos externos podem alterar completamente o comportamento de Bolsa, dólar e juros.

O investidor também precisa considerar prazo, tolerância a perdas e objetivo financeiro antes de modificar uma carteira.

Segunda-feira será primeiro teste do mercado após as urnas

A abertura dos mercados em 5 de outubro será a primeira oportunidade para observar como investidores efetivamente interpretarão o resultado do primeiro turno.

Parte dos analistas espera Bolsa em alta, real mais valorizado e queda dos juros futuros após o desempenho de Flávio Bolsonaro acima do indicado por diversas pesquisas.

Essas projeções, contudo, são cenários e não resultados já conhecidos.

A resposta efetiva dependerá das ordens de investidores brasileiros e estrangeiros, do comportamento dos mercados internacionais e das novas expectativas para o segundo turno.

Com Lula e Flávio Bolsonaro voltando às urnas em 25 de outubro, a tendência é de que política fiscal, pesquisas eleitorais e propostas econômicas continuem entre os principais fatores de volatilidade dos ativos brasileiros nas próximas três semanas.

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