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Revolut vai derrubar o Nubank? Veja a resposta do CEO

O Nubank se tornou uma das fintechs mais bem-sucedidas do mundo, mas não está sozinho na corrida pelo domínio do mercado financeiro digital. A inglesa Revolut avança com força na América Latina e nos Estados Unidos, mirando justamente países considerados estratégicos para o crescimento internacional do “roxinho”. Com licenças bancárias recentes e uma base global […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Revolut

O Nubank se tornou uma das fintechs mais bem-sucedidas do mundo, mas não está sozinho na corrida pelo domínio do mercado financeiro digital. A inglesa Revolut avança com força na América Latina e nos Estados Unidos, mirando justamente países considerados estratégicos para o crescimento internacional do “roxinho”.

Com licenças bancárias recentes e uma base global robusta, a disputa entre as duas marcas começa a ganhar novos capítulos.

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Revolut cresce e entra em territórios estratégicos do Nubank

Se por um lado o Nubank nasceu e se consolidou com foco no Brasil e na América Latina, por outro a Revolut surgiu com um modelo global. Essa diferença de origem faz com que as duas fintechs atuem de formas distintas, mas cada vez mais acabem se cruzando em mercados que importam para ambas.

O avanço internacional tem sido um caminho natural para fintechs que já chegaram a um nível alto de maturidade nos mercados de origem. Nesse contexto, a Revolut quer ampliar presença onde há grande potencial de expansão, especialmente em países com alta digitalização e consumidores abertos a novas soluções.

Licença bancária no México e Colômbia muda o jogo

Em outubro, a Revolut recebeu autorização para operar como banco na Colômbia e no México. A escolha não é casual: são dois mercados estratégicos para o Nubank, que enxerga a expansão internacional como um dos principais motores de crescimento nos próximos anos.

Por que o México é tão disputado?

O México é considerado uma peça-chave no tabuleiro latino-americano por reunir fatores como:

  • população numerosa e cada vez mais conectada
  • espaço para crescimento no acesso bancário
  • uso crescente de serviços digitais
  • demanda alta por soluções de pagamentos e crédito

Além disso, operar como banco dá à Revolut mais liberdade para lançar produtos com maior profundidade, como crédito e investimentos.

Colômbia também entra na rota das fintechs

A Colômbia vem se destacando como um mercado em aceleração no ecossistema financeiro digital. O avanço da Revolut por lá, com autorização bancária, aumenta a disputa regional, principalmente porque dá escala e estabilidade regulatória para a fintech.

EUA no radar: Revolut estuda compra de banco local

Outro movimento que chama atenção é a possível entrada agressiva da Revolut nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, a fintech britânica chegou a avaliar a compra de um banco local como estratégia para acelerar sua operação no país.

Essa abordagem é comum entre empresas estrangeiras que desejam ganhar velocidade em mercados altamente regulados, evitando processos demorados para licenciamento do zero.

Nubank também quer operar como banco nos EUA, mas com prazo maior

Coincidência ou não, o Nubank também solicitou licença bancária para operar nos Estados Unidos. No entanto, o caminho tende a ser mais longo: analistas estimam que a autorização pode demorar cerca de três anos.

Isso cria um cenário em que a Revolut pode sair na frente se conseguir estruturar operação no mercado americano com antecedência.

Revolut já tem 65 milhões de clientes globais

A Revolut está presente em cerca de 40 países e soma 65 milhões de clientes globais, mas a marca já considera que esse número pode estar defasado. Segundo o CEO da operação brasileira, Glauber Mota, a fintech cresce em ritmo acelerado: 1 milhão de novos clientes a cada 17 dias.

Esse indicador mostra capacidade de escala e investimento para sustentar disputas competitivas em diferentes regiões do mundo.

Avaliação bilionária aproxima Revolut do Nubank

Mesmo sem ter aberto capital, a Revolut já foi avaliada em aproximadamente US$ 75 bilhões, ficando muito próxima do valor de mercado do Nubank, estimado em US$ 77 bilhões.

Com números parecidos, o duelo ganha força não apenas no discurso, mas também na estrutura financeira disponível para expansão.

Modelos diferentes, mas mercado cada vez mais cruzado

Apesar das comparações frequentes, a Revolut evita tratar o Nubank como concorrente direto. Glauber Mota afirma que os modelos têm origens diferentes:

  • Nubank: forte no Brasil e América Latina
  • Revolut: nativa global e construída para operar internacionalmente

Segundo o executivo, os produtos são pensados globalmente e adaptados localmente, e não o contrário. Na prática, isso cria uma proposta de valor mais forte para quem tem demanda internacional, como câmbio, investimentos fora do Brasil e viagens.

Brasil como prioridade: mercado competitivo e promissor

A Revolut vê o Brasil como um dos mercados mais relevantes da América Latina. O país se destaca por ter uma infraestrutura avançada e favorável a fintechs, com Pix, Open Finance e alta adoção de soluções digitais.

Além disso, o ecossistema brasileiro é enorme: existem 2.048 fintechs em operação, segundo números do setor.

Um consumidor que muda rápido quando vê valor

Para a empresa, o brasileiro tem um perfil estratégico:

  • testa novas soluções com facilidade
  • migra rapidamente quando percebe vantagem real
  • exige inovação constante e benefícios claros

Isso transforma o país em um ambiente altamente competitivo, mas também cheio de oportunidades.

Brasil precisa provar “unit economics” para ganhar prioridade

Dentro da Revolut, o Brasil compete por atenção e investimento com outros países. A lógica interna não é “bater concorrentes”, mas provar que cada cliente brasileiro tem um unit economics saudável.

Ou seja: o desempenho da operação brasileira precisa ser melhor do que a média global para garantir prioridade em investimentos e lançamentos.

Redução do spread de câmbio reforça estratégia

Um exemplo citado pelo CEO brasileiro foi a redução do spread de câmbio. Mesmo sem pressão competitiva direta, a Revolut baixou taxas após ganhos de eficiência.

Segundo a empresa, parte da margem foi compartilhada com o cliente para consolidar a proposta de ser uma plataforma completa e simples, com foco na experiência do usuário.

A entrada pelo diferencial: conta multimoedas

A conta global foi escolhida como “porta de entrada” no Brasil por ser um diferencial claro.

A estratégia fez sentido porque iniciar a operação pelo crédito ou produtos muito locais colocaria a Revolut em uma disputa direta desde o início com bancos e fintechs já consolidados, além de ter custo de capital mais alto.

Virada para produtos locais começou em 2024

A partir de 2024, a Revolut acelerou a adaptação da plataforma ao Brasil com novos serviços como:

  • Pix
  • boletos
  • integração com Open Finance
  • melhorias em câmbio
  • benefícios no cartão de débito
  • estruturação do crédito

Essas entregas aproximaram a empresa do que o brasileiro espera de um banco do dia a dia.

2025 marca salto no portfólio

Em 2025, a Revolut avançou com produtos mais completos:

  • cartão de crédito
  • savings
  • investimentos no exterior
  • ações americanas
  • ETFs
  • ampliação de criptoativos

A expansão coloca a empresa cada vez mais dentro do território onde o Nubank reina: a centralização da vida financeira em um só app.

Cartões premium e modelo de assinatura

Uma das apostas da Revolut no Brasil é o avanço em cartões premium. A fintech quer oferecer produtos semelhantes ao que o brasileiro já conhece (Black e Infinite), mas com um diferencial: o plano de benefícios pode ser contratado como assinatura, independentemente do limite de crédito.

Isso aumenta o público potencial e “democratiza” vantagens que antes eram acessíveis apenas a quem tinha alto limite.

Cartão Ultra: a promessa de clube exclusivo

O cartão Ultra surge como um passo além. A Revolut descreve o produto como um clube, trazendo:

  • identificação de “Ultra Member”
  • pontuação mais alta
  • pacote amplo de subscriptions
  • benefícios superiores aos premium tradicionais

Esse tipo de proposta fortalece a fidelização e aumenta a receita recorrente da fintech.

Crédito no Brasil é complexo e exige maturidade

A Revolut reconhece que crédito no Brasil é desafiador por fatores como juros altos e risco elevado, além do ambiente muito diferente da Europa.

A empresa afirma que está aprendendo, estruturando time e amadurecendo a operação. O crédito não era o foco inicial, mas pode ganhar relevância com escala.

Regulação e tributação: impacto menor para quem quer virar banco

O debate sobre tributação de fintechs também aparece no cenário. Mudanças regulatórias podem tornar a entrada de novos players mais cara, o que tem dois lados:

  • aumenta a solidez do sistema
  • pode reduzir inovação

No caso da Revolut, o impacto tende a ser menor porque a empresa já se planeja para operar como banco completo, com alto nível de governança, compliance e tributação.

Revolut quer virar banco no Brasil?

Sim. Segundo o CEO brasileiro, essa sempre foi a missão. A fintech já seguiu caminho semelhante em outros países e afirma estar preparada para avançar no Brasil, respeitando o ritmo do Banco Central.

A ideia é seguir ampliando portfólio e solidez operacional antes de dar o próximo passo regulatório.

Conclusão

A disputa entre Nubank e Revolut é um reflexo de um novo ciclo do mercado financeiro digital: fintechs que cresceram rápido agora buscam consolidar presença global, disputar licenças, território e prioridade nos principais países emergentes.

A Revolut acelera em México e Colômbia, mira os EUA e reforça o Brasil como mercado-chave, enquanto o Nubank tenta manter liderança regional e construir caminhos para expansão internacional. Para o consumidor, essa competição tende a gerar benefícios diretos, como melhores taxas, mais inovação e serviços mais completos.

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