O recente anúncio de rombo fiscal fez com que a Americanas perdesse mais de R$ 9 bilhões em valor de mercado. As inconsistências fiscais vieram à tona na última quarta-feira (11) e deram o prejuízo de R$ 20 bilhões à empresa.
Rombo bilionário da Americanas: quem lucrou e quem se deu mal?
Saiba quem lucrou e quem se deu mal com o rombo fiscal da Americanas e confira as consequências desse cenário para o mercado.
Diante da situação, tanto o diretor de relação com investidores, quanto o presidente da empresa, renunciaram seus cargos recém assumidos. Desse modo, associa-se o rombo fiscal a uma operação conhecida como “risco sacado”.
Ou seja, de forma prática, a empresa pega dinheiro emprestado com um banco para comprar fornecedores. O banco, por sua vez, paga os fornecedores e a companhia paga ao banco o dinheiro financiado, mas com juros.
Com isso, diversos bancos como o BTG, Bradesco e Santander ficaram expostos.
Quais as consequências do rombo fiscal da Americanas?
Primeiramente, o problema começou quando a Americanas não informou a real situação no balanço. Ou seja, ao invés de registrar os valores como dívida bancária, eles foram informados como dívidas aos fornecedores.
Assim, o pagamento dos juros, diante dessa operação, teve um valor menor contabilizado aos fornecedores, e não como uma despesa.
Portanto, essa situação deturpou os resultados, tendo em vista que as despesas da Americanas e seu endividamento apareceu no balcão com o valor menor, não condizente com a realidade.
O anúncio da dívida surpreendeu o mercado, visto que houve repercussão na Justiça. Em resposta a BBC News Brasil, a Americanas afirmou que vai manter o mercado informado sobre o caso.
Maiores prejudicados
Não há dúvidas que o maior prejuízo foi do 3G Capital, formado por Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles.
Esses nomes já estiveram no comando da empresa e já obtiveram seu controle acionário, atualmente, são acionistas referência, individualmente e também por fundos.
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Assim, os acionistas são donos de 30,13% da Americanas, segundo informações da empresa em dezembro de 2022. Ou seja, por este motivo já perderam R$ 2,73 bilhões com a queda das ações da varejista na bolsa.
Quem se beneficiou com o rombo fiscal?
Por mais que pareça impossível alguém ter se beneficiado neste cenário, há pessoas que saíram “ganhando”. Assim, os únicos que tiveram alguma vantagem nessa situação foram os concorrentes da varejista.
Para Phil Soares, da Órama, a Americanas tem grande participação no mercado e cresce em ritmo acelerado, mas agora não será possível manter esse ritmo. Ou seja, os concorrentes serão favorecidos. Exemplo disso é o preço das ações do Mercado Livre, que já aumentou 20%.
Imagem: Jair Ferreira Belafacce/shutterstock.com
