Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ataque da Rússia atinge principal operadora de telefonia móvel da Ucrânia

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
sede da Kyivstar em Kiev Ucrania

A infraestrutura de telecomunicações da Ucrânia voltou a ser atingida por ataques russos. No domingo (27), a sede da Kyivstar, maior operadora de telefonia móvel do país, foi atingida em Kiev. A própria empresa confirmou o impacto à agência Interfax Ucrânia e informou que não houve vítimas no local.

O episódio ocorreu em meio a uma sequência de ataques contra data centers, provedores de internet e outros pontos da estrutura digital ucraniana. A escalada chama atenção porque esses sistemas sustentam não apenas serviços de telefonia e internet, mas também atividades econômicas e canais de comunicação utilizados pela população durante a guerra.

Leia mais:

Trump revoga proposta de taxa de 20% para cargas após negociações no Golfo

Ataques atingem empresas de telecomunicações

Bandeiras da Rússia e da Ucrânia sob um céu cinzento.
Imagem: Svet foto / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Além da Kyivstar, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter atingido um data center associado à Vodafone Ucrânia, segunda maior operadora móvel do país. A Vodafone não havia respondido ao pedido de comentário da Reuters no momento da publicação da informação.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também afirmou que um data center em Kiev foi atingido duas vezes na manhã de domingo. Segundo o relato divulgado por Reuters, três pessoas ficaram feridas, entre elas duas crianças e um adulto.

As versões sobre a finalidade dos locais atingidos são diferentes. Moscou afirma que algumas das instalações atacadas tinham ligação com atividades militares ou de segurança ucranianas. Autoridades ucranianas, por outro lado, destacam o uso civil dessas estruturas e seus efeitos sobre serviços essenciais. As alegações sobre o eventual uso militar de determinados data centers não puderam ser verificadas de forma independente.

Data centers já provocaram interrupções

A ofensiva contra a infraestrutura digital não começou no domingo. Em 23 de setembro, ataques atingiram instalações utilizadas por provedores de internet em Kiev e na região.

O Ministério da Transformação Digital da Ucrânia informou naquele momento que aproximadamente 100 mil residências enfrentavam problemas de conexão após os ataques. Entre as estruturas danificadas estavam data centers utilizados pelas empresas Pavutyna e UTELS. Equipes técnicas foram mobilizadas para reparar equipamentos e restabelecer os serviços.

Outros provedores também relataram danos em equipamentos de rede e pontos de conexão. Segundo informações reunidas pelo Kyiv Independent, empresas como UTELS, Pavutyna, Crazy Network e Etherlink tiveram estruturas afetadas, enquanto provedores de hospedagem relataram danos em equipamentos instalados em data centers de Kiev.

Por que data centers são importantes em uma guerra?

Data centers concentram servidores e equipamentos responsáveis pelo armazenamento, processamento e distribuição de grandes quantidades de informações. Na prática, são uma das bases da economia digital.

Quando uma dessas instalações é destruída ou perde energia e conectividade, os efeitos podem aparecer em serviços aparentemente diferentes. Sites podem ficar indisponíveis, sistemas corporativos podem apresentar falhas, plataformas digitais podem perder acesso e provedores de internet podem ter dificuldades para encaminhar o tráfego.

Em um país em guerra, a relevância aumenta ainda mais. Sistemas de comunicação podem ser necessários para alertas de ataques aéreos, coordenação de serviços de emergência e divulgação de informações à população.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que os ataques contra grandes data centers buscariam interromper o fluxo de informações e destacou a importância dos alertas sobre mísseis e drones para a segurança da população.

Ucrânia tenta evitar um apagão digital

Apesar dos danos, os ataques registrados até agora não provocaram um colapso nacional da internet ucraniana. Especialistas ouvidos pelo Kyiv Independent explicaram que provedores podem reduzir os impactos de ataques isolados por meio da duplicação de equipamentos, rotas alternativas e distribuição de infraestrutura em diferentes localidades.

Essa arquitetura funciona como uma espécie de redundância. Se um ponto da rede deixa de operar, outro pode assumir parte do tráfego. O problema é que manter estruturas duplicadas custa caro e nem todas as empresas conseguem proteger ou replicar todos os seus equipamentos.

Por isso, os efeitos tendem a ser localizados ou temporários, mas podem se repetir quando diferentes instalações são atingidas em sequência.

Kyivstar se torna alvo em meio à escalada

O ataque à sede da Kyivstar representa um novo episódio dentro dessa sequência. A empresa é a maior operadora móvel da Ucrânia e possui papel relevante na infraestrutura de comunicação do país.

A confirmação de que o edifício foi atingido não significa, por si só, que toda a rede da operadora tenha sido derrubada. Empresas de telecomunicações normalmente distribuem equipamentos e funções críticas por diferentes locais justamente para reduzir o impacto de falhas em uma única instalação.

O episódio, porém, evidencia a vulnerabilidade física de uma infraestrutura que, apesar de digital, depende de prédios, servidores, energia, cabos, antenas e centros de processamento espalhados pelo território.

Ataques podem afetar economia e serviços

como a guerra na ucrania impacto
Imagem: Tomasz Makowski/shutterstock.com

As consequências de danos à infraestrutura digital vão além da dificuldade para acessar a internet. Empresas dependem de conectividade para pagamentos, comércio eletrônico, atendimento ao consumidor, logística, armazenamento de dados e comunicação interna.

Em uma economia fortemente digitalizada, interrupções prolongadas podem gerar custos para empresas e órgãos públicos. Serviços que dependem de sistemas conectados também podem enfrentar atrasos ou indisponibilidade.

A experiência recente da Ucrânia mostra ainda outro aspecto: a infraestrutura digital se tornou parte importante da resiliência de um país durante um conflito prolongado.

Imagem: Reprodução

Compartilhar