O Santander reforçou sua recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil (BBAS3), 3tentos (TTEN3) e SLC Agrícola (SLCE3), diante da escalada dos preços dos fertilizantes e seu impacto negativo sobre as margens do setor agrícola brasileiro.
O cenário, marcado por desequilíbrios globais na oferta e demanda e agravado por tensões geopolíticas recentes, traz incertezas para as empresas ligadas ao agronegócio, que enfrentam um aumento expressivo nos custos de insumos.
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Alta dos fertilizantes: contexto e causas

Desequilíbrio global entre oferta e demanda
Os preços dos fertilizantes, especialmente da ureia, subiram acentuadamente em 2025, refletindo um desequilíbrio persistente entre oferta e demanda no mercado mundial. A combinação de fatores estruturais, aliados a eventos geopolíticos, tem contribuído para essa escalada dos custos.
Impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio
Conforme destacam analistas do Santander — Laura Hirata, Henrique Navarro e Guilherme Palhares — a recente intensificação das tensões entre Israel e Irã aumentou a volatilidade dos preços dos fertilizantes.
O preço da ureia, por exemplo, teve um salto de 12% nos últimos dias, consequência da incerteza geopolítica e das interrupções no fornecimento de insumos essenciais.
Problemas no fornecimento de gás natural
O Egito, importante país produtor e exportador de gás natural, enfrenta uma desaceleração na produção do Gasoduto Árabe, que abastece cerca de 15% do mercado regional.
Essa redução no fornecimento pressiona ainda mais a fabricação e exportação de ureia, principalmente da China e da Rússia, países que já apresentam níveis baixos de exportações do insumo.
Impacto dos fertilizantes sobre o custo agrícola no Brasil
Peso dos fertilizantes nos custos totais
No Brasil, os fertilizantes representam cerca de 10% do custo total da produção agrícola, conforme estimativas do Santander. Esse percentual, embora pareça modesto, é significativo em um setor que já enfrenta pressões por margens apertadas e riscos climáticos.
Repercussão para os agricultores e para o agronegócio
O aumento dos preços dos fertilizantes compromete a rentabilidade dos produtores, principalmente das culturas mais dependentes desses insumos, como milho e algodão. Esse cenário reverbera negativamente nas empresas que atuam diretamente ou indiretamente no setor agrícola.
Análise do Santander sobre as ações em destaque
Banco do Brasil (BBAS3)
O Santander rebaixou recentemente a recomendação para neutra, com preço-alvo em R$ 26 para as ações do Banco do Brasil. A avaliação baseia-se na deterioração do cenário para o agronegócio, com margens comprimidas devido aos custos crescentes e à conjuntura climática adversa.
Riscos climáticos e previsão de La Niña
A previsão do fenômeno climático La Niña para o segundo semestre de 2025 pode agravar ainda mais a situação, especialmente no Rio Grande do Sul, que responde por 8% da produção nacional de soja.
As condições climáticas desfavoráveis elevam o risco de perdas de safra, afetando diretamente a saúde financeira dos produtores e, consequentemente, a exposição do Banco do Brasil.
SLC Agrícola (SLCE3)
Entre as empresas da cobertura do Santander, a SLC Agrícola é a mais vulnerável à alta dos fertilizantes, que representam cerca de 20% do custo total da área plantada.
Dependência e volatilidade do mercado
Embora a soja seja menos dependente de fertilizantes nitrogenados, culturas como milho e algodão são altamente sensíveis ao aumento desses insumos.
A SLC ainda não garantiu 43% de suas necessidades de nitrogênio para a safra 2025-26, optando por adiar compras na expectativa de preços menores no verão do Hemisfério Norte. Essa estratégia a expõe a volatilidades no mercado à vista, o que gera riscos para as estimativas de produção e receita em 2026.
3tentos (TTEN3)
O banco atribui uma perspectiva neutra para as ações da 3tentos, com preço-alvo de R$ 18.
Apesar da possibilidade de a empresa se beneficiar no curto prazo com preços maiores de fertilizantes e receita por tonelada vendida, a compressão das margens dos agricultores deve afetar o mix de produtos comercializados.
Mudanças no comportamento dos produtores
Os produtores tendem a reduzir a aplicação de fosfatos, mais caros, e a migrar para defensivos agrícolas pós-patente, que possuem preços mais acessíveis. Além disso, a 3tentos também está exposta às adversidades climáticas no Rio Grande do Sul, agravadas pela possível chegada do La Niña.
Cenário climático e seus efeitos no agronegócio brasileiro
O fenômeno La Niña e o impacto na agricultura
O La Niña é um fenômeno climático que geralmente traz períodos de seca ou chuvas irregulares ao Sul do Brasil, região estratégica para o cultivo de soja, milho e algodão.
A projeção para o segundo semestre de 2025 indica um aumento no risco de eventos climáticos adversos, potencializando as dificuldades já impostas pela alta dos fertilizantes.
Riscos para produção e para o mercado financeiro
Com a possibilidade de perdas agrícolas, as margens de produtores se estreitam ainda mais, o que pode refletir em maiores inadimplências e redução da capacidade de investimento. Isso preocupa bancos e investidores, que veem no agronegócio um setor de alta relevância para a economia brasileira.
Perspectivas para o mercado de fertilizantes

Tensão no fornecimento global e ajustes de mercado
O cenário geopolítico e as limitações na produção de gás natural devem manter o mercado de fertilizantes volátil nos próximos meses. A expectativa é que os preços continuem pressionados enquanto não houver uma recuperação significativa na oferta global.
Estratégias das empresas agrícolas
Empresas como a SLC Agrícola apostam em estratégias de compra diferenciadas, tentando aproveitar janelas de preços mais baixos para garantir insumos, mas isso gera exposição ao risco de aumentos repentinos.
Conclusão: desafios e oportunidades no agronegócio
A escalada dos preços dos fertilizantes e as condições climáticas adversas representam um desafio expressivo para o agronegócio brasileiro em 2025.
Para investidores, a recomendação do Santander é de cautela, com ênfase na manutenção de posição neutra nas ações do Banco do Brasil, SLC Agrícola e 3tentos.
Esses fatores pressionam as margens dos produtores e impactam o desempenho financeiro das empresas, exigindo atenção redobrada para a gestão de riscos e para as decisões estratégicas em um cenário incerto.
Ao mesmo tempo, o mercado pode apresentar oportunidades para quem acompanha de perto as movimentações e adapta suas estratégias conforme as condições globais e locais.
