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Santander é denunciado à CVM por sindicato que acusa falta de transparência

Sindicato denuncia Santander por ocultar dívidas trabalhistas e falta de transparência nas demonstrações financeiras.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região apresentou uma denúncia formal à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o banco Santander, acusando o grupo financeiro de alterar suas demonstrações financeiras do ano de 2024 sem garantir a transparência necessária para o mercado. A acusação principal é de que o banco teria transferido dívidas trabalhistas para o Banesprev — fundo de pensão ligado ao antigo Banespa —, deslocando para lá a responsabilidade pelo pagamento e o risco econômico, mas sem explicar devidamente os impactos financeiros dessa movimentação.

Essa ação levanta questões sobre a clareza das informações contábeis divulgadas pelo banco e sua real situação patrimonial, afetando investidores e a confiança do mercado.

Leia mais: Santander é alvo de denúncia por fechamento de agências

O papel do Banesprev e o histórico das dívidas trabalhistas

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Imagem: Manuel Esteban / Shutterstock.com

Para entender a denúncia, é fundamental conhecer o Banesprev, Fundo Banespa de Seguridade Social, que administra planos de previdência complementar para funcionários e aposentados do antigo Banespa, banco adquirido pelo Santander na década de 2000. Atualmente, o Banesprev figura entre as maiores entidades fechadas de previdência complementar do Brasil.

A controvérsia está relacionada a uma ação judicial coletiva movida pela Associação dos Funcionários Aposentados do Banespa (Afabesp), que, desde 1998, reivindica o pagamento retroativo de bônus semestrais previstos nos contratos de trabalho, mas suspensos desde 1994.

Com o passar dos anos, diversas decisões judiciais garantiram aos ex-funcionários e aposentados o direito a essas gratificações. Em 2024, o Santander firmou um acordo judicial para efetuar esses pagamentos, mas repassou os valores — na ordem de R$ 2,2 milhões — para o Banesprev administrar e efetivar o repasse aos beneficiários.

A acusação de falta de transparência no balanço financeiro

Embora o Santander reconheça a obrigação de pagamento no seu balanço e apresente uma nota explicativa detalhando o histórico da ação coletiva, o sindicato alega que a forma como essa movimentação foi feita carece de transparência. Segundo o documento enviado à CVM, o banco realizou reclassificações contábeis e transferências internas de patrimônio que alteraram significativamente a apresentação do balanço financeiro, mas sem explicar claramente os efeitos financeiros e contábeis para o Banesprev ou para o próprio Santander.

O sindicato destaca que esse movimento pode mascarar o real tamanho das obrigações financeiras do banco, dificultando a avaliação correta do passivo e impactando a análise dos investidores.

Além disso, existe a preocupação com a sustentabilidade financeira do Banesprev. Se os passivos trabalhistas forem cada vez mais deslocados para o fundo, os recursos disponíveis para o pagamento dos benefícios complementares podem ficar escassos, prejudicando os participantes do plano no longo prazo.

A possível retirada do patrocínio aos planos de previdência

Outro ponto delicado levantado pelo sindicato refere-se à intenção do Santander de retirar o patrocínio de vários planos de previdência complementar, especialmente os de Benefício Definido, modalidade em que o valor dos benefícios é pré-estabelecido.

Essa intenção foi manifestada publicamente em 2022, mas os processos de retirada foram arquivados no ano passado pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Ainda assim, a preocupação persiste.

Na prática, a retirada do patrocínio significaria o fim das contribuições do banco para os planos, o que comprometeria o pagamento dos benefícios vitalícios aos participantes, gerando insegurança para os aposentados e trabalhadores vinculados a esses planos.

A posição da CVM e do Santander

A Comissão de Valores Mobiliários, procurada para comentar a denúncia, informou que acompanha atentamente as movimentações e informações divulgadas no mercado, tomando as medidas cabíveis sempre que necessário. A CVM ressaltou que não comenta casos específicos, mas explicou que pode aplicar penalidades que vão desde advertências e multas até a suspensão da autorização para operar, caso constate irregularidades.

Antes de qualquer sanção, o órgão realiza uma apuração preliminar, podendo solicitar esclarecimentos e documentos às partes envolvidas para aprofundar a investigação.

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Já o Santander, por meio de sua assessoria, afirmou não ter sido notificado oficialmente pela CVM sobre a denúncia até o momento. O banco diz ter indicado as mudanças no balanço e que as operações estão amparadas juridicamente.

Impactos para o mercado e para os investidores

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Imagem: beanstalkaudio/shutterstock.com

Denúncias como essa geram preocupação não apenas para os funcionários e aposentados envolvidos, mas também para os investidores e analistas do mercado financeiro. A transparência contábil é fundamental para que acionistas e potenciais investidores possam avaliar com precisão a saúde financeira da empresa e os riscos associados.

Caso fique comprovada a falta de clareza nas demonstrações financeiras, o Santander poderá enfrentar não só penalidades regulatórias, mas também danos à sua reputação e maior desconfiança do mercado.

A situação reforça a importância do rigor nas práticas contábeis e da comunicação clara com o mercado, principalmente para instituições financeiras de grande porte.

Como acompanhar o caso

A denúncia está sob análise preliminar da CVM, que poderá abrir um processo administrativo para investigação detalhada. Interessados podem acompanhar as informações por meio dos comunicados oficiais da autarquia, bem como das notícias sobre eventuais decisões e medidas adotadas.

Para investidores, é recomendável manter atenção às demonstrações financeiras do Santander e aos relatórios da CVM para avaliar a evolução do caso.

Com informações de: G1

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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